Episódio foca em personagens e adiciona mais perguntas ao mistério.

Depois de lançar dois episódios seguidos na primeira semana de estréia, True Detective continua sua história no terceiro episódio intitulado The Big Never (O Grande Nunca). Confira nosso review e recapitulação com spoilers.

O episódio inicia mostrando pela primeira vez Roland (Steffen Dorf) nos anos 90 também sendo investigado pelo caso Purcell. Podemos ver que ele agora é tenente e conseguiu subir na vida. Algo que não aconteceu com Hays (Mahershala Ali) por motivos ainda misteriosos, dá a entender que poderes maiores e burocráticos impediram que Hays evoluísse em seu trabalho como detetive. Apesar de não se falarem por 9 anos, parece que os ex-parceiros ainda tem um apreço um pelo outro.

Esse episódio acaba gerando mais dúvidas do que respostas colocando mais elementos em jogo e novos mistérios. Temos a menção dos dois homens de terno no sedã marrom por mais de um personagem, temos a interessante menção e inserção de dados de RPG indicando que o assassino usou o jogo para se aproximar do garoto e temos também a cena em que o fantasma/alucinação da ex-mulher de Hays aparece e fala sobre algo que o detetive “deixou no bosque”. Além disso temos a menção da empresa onde a mãe das crianças trabalhava Tem algo de muito suspeito naquele lugar. O caso já estava difícil acabou ganhando mais complexidade e a série acaba ficando ainda mais interessante. A repórter de 2015 ainda fala sobre algumas falhas na investigação que ocorreram no caso original, a gente fica se perguntando se foram mesmo falhas ou se foram escolhas deliberadas dos detetives.

Esse episódio também mostra uma faceta de Hays que ainda não conhecíamos. Parece que ele está bem estressado nos anos 90 por causa da reabertura do caso e não gostou nem um pouco da sua mulher usando sua sensualidade para conseguir mais respostas, uma atitude totalmente machista por parte dele.

Outra história paralela que pudemos acompanhar foi o racismo contra o índio catador de lixo nos anos 80, uma cena forte e com um viés político e atual bem exposto. Basta ver a bandeira dos Estados Unidos no boné de um dos agressores. No final da cena vemos o agredido pegando algo enrolado que pareceram ser armas. Parece que vai dar m#$%.

Engraçado que essa cena criticando racistas de extrema direita dos EUA contrasta com o bar em que acontece a cena final. Os dois detetives se reencontram e fazem as pazes no bar mais americano fascistinha que puderam encontrar. Com bandeiras de “Fuck Communism” e “Don’t Tread on Me”, esses bares de  veteranos são bem comuns nos EUA e conversam com a história de Hays, talvez ele vá lá para se lembrar de quando era um caçador na Guerra. Mais uma vez, me incomoda um pouco essa estrutura muito parecida com a primeira temporada, mas enquanto entregarem uma boa história, não vou me me importar demais.

True Detective continua trazendo um ótimo episódio para sua terceira temporada, a fotografia aqui me pareceu mais intimista, focando mais em personagens e seus demônios do que em locações. Muitas peças foram jogadas na mesa e estou curioso para saber onde elas vão levar, principalmente como vão encaixar RPG nessa história toda (mas isso é só coisa de fanboy de Dungeons & Dragons).