Novo fruto da parceria Marvel e Netflix, O Justiceiro é mais do que uma adaptação das HQ’s. É uma intensa viagem pela mente conturbada de Frank Castle.

Após estrelar os melhores momentos da segunda temporada de Demolidor, chegou a hora de Frank Castle (Jon Bernthal) ser o protagonista de seu próprio espetáculo. Fruto da visão mercadológica da Netflix, alinhada ao clamor do público, é justo afirmar que a primeira temporada de O Justiceiro é o segundo melhor produto da parceria da gigante do streaming com a Marvel. Afinal, superar o primeiro ano das aventuras do Homem Sem Medo ainda é difícil.

Após acreditar que havia vingado sua família, Frank Castle agora é movido pelos fantasmas que assombram sua mente. A caveira do Justiceiro, antes aposentada, precisa retornar das cinzas quando Castle descobre que as tragédias que caíram sobre ele possuem origens ainda mais profundas. Desse modo, Nova York volta a ser testemunha da fúria do Justiceiro.

É preciso destacar que esse primeiro ano funciona tão bem porque consegue captar o âmago de seu personagem principal. E mais do que isso, torna visíveis camadas de sua personalidade que apenas os leitores mais ávidos das HQ’s já haviam descoberto. Isso facilita no processo de estabelecer uma conexão empática com o público. O Justiceiro não é apenas um brucutu que mata bandidos por prazer. E poder enxergar além desse pensamento raso é algo bastante gratificante.

Esse equilíbrio é fruto do talento do showrunner Steve Lightfoot, marcado por seu trabalho na excelente Hannibal. Aqui ele aplica seus alinhamentos quanto a fotografia, trilha sonora, diálogos poderosos e a viagens pela mente do protagonista. Steve soube como utilizar a faixa etária elevada nas cenas de violência, algo essencial para a construção do personagem. A crueldade que cerca a vida de Frank o deixa banhado de sangue durante boa parte da temporada. Seja dele ou de seus inimigos. Cada golpe, tiro, colisão tem um peso. E cada impacto é sentido pelo espectador.

Frank Castle (Jon Bernthal) em cena de O Justiceiro. Divulgação: Netflix.

Claro que o material base é essencial nesse processo. Em termos de estrutura, o Ano Um escrito por Dan Abnett e Andy Lanning é ponto de referência para a temporada. Ainda que essa “origem” esteja dividida com o segundo ano de Demolidor. Mas na essência, o que dá todo o sabor para a temporada, está a brilhante passagem de Garth Ennis pelo personagem. O criador de Preacher revolucionou a imagem do Justiceiro das mais variadas formas. Steve Lightfoot bebe de fontes como Bem Vindo de Volta, Frank e Justiceiro: Nascido para Matar. Porém, também existem elementos de outras fases de Castle ao longo dos anos.

Jon Bernthal entrega a melhor encarnação live action do Justiceiro. Seus trejeitos, já vistos em outros papéis, encaixam perfeitamente aqui. E com o auxílio de um bom texto, sua atuação melhora consideravelmente. Sua presença imponente, tanto física quanto vocal, o transformam em uma máquina de matar. Porém, não estamos diante de alguém virtualmente invencível. Pelo contrário, não faltam situações em que os erros cometidos quase custam caro demais. Suas interações com Micro estão entre os melhores momentos da temporada. Outro que também se destaca é Ben Barnes, que passa por uma ótima fase na carreira.

Mesmo com tantas qualidades, O Justiceiro não é imune aos problemas que cercam as séries Marvel/Netflix. Especialmente em relação a quantidade de episódios. Uma enxugada nos capítulos teria um efeito bastante positivo no final. Claro que o acordo com a Netflix não permite revelar detalhes cruciais da trama, mas alguns núcleos são falhos. E a tentativa de emplacar discussões sociais atuais, embora seja louvável, não é bem executada.

O Justiceiro é mais do que uma série baseada em quadrinhos, é um retrato de como a violência é capaz de moldar o homem e do quanto somos frutos do nosso meio. E mesmo que nunca tenha escolhido essa missão, funciona como um precioso salto de qualidade na parceria entre Marvel e Netflix. Vida longa e uma boa caçada para Frank Castle.

O Justiceiro tem estreia marcada para o dia 17 de novembro.

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