Nesse Dia da Consciência Negra, nada melhor do que acompanhar uma série que fala da história de um estilo musical que se mistura com a cultura e história dos negros, principalmente nos EUA. Confira nossa crítica de Hip-Hop Evolution, temporadas 1 e 2.

Hip-Hop Evolution é uma série documental da Netflix que acompanha o rapper Shad Kabango enquanto ele entrevista grandes nomes do rap e conta a história desse estilo musical desde sua origem nos anos 70, passando pelos anos 80 e 90.

Acredito que a série é perfeita para aqueles que, como eu, entraram no mundo do hip-hop a pouco tempo e não conhecem muito da história e dos principais nomes do movimento. Cada episódio tem um tema principal e vai descrevendo e entrevistando os principais nomes daquela cena do rap enquanto coloca um contexto social daquela época para que entendamos melhor como estava a sociedade e quais eram os modismos daquele momento. Por causa desse modelo, a série acaba passando pouco tempo falando de alguns artistas e movimentos, pois ela tem muita coisa para falar em pouco tempo, dessa forma os fãs mais hardcore podem achar que a série seja simplista demais.

Uma das coisas mais legais de Hip-Hop Evolution é poder entrevistar caras que estavam lá no começo do rap e ouvir suas histórias e impressões da época. Por ser um estilo musical recente, o Hip-hop tem essa vantagem de possuir muitos dos seus ancestrais ainda vivos. Eu acredito que é muito importante que esse tipo de trabalho seja feito para poder contar essa história enquanto esses caras ainda estão entre nós. Os episódios dão muita voz para os entrevistados, o apresentador se resume a perguntas curtas e narração enquanto mostra cenas antigas, clipes ou matérias de jornais. Dentre os entrevistados temos representantes do Furious Five, Run DMC, NWA, Guetto Boys, A Tribe Called Quest, dentre outros. Senti falta de nomes mais fortes que foram citados na série como Dr. Dre e Nas, mas acredito que eles tentaram sem sucesso entrevistar essas pessoas.

Eu gosto como os assuntos são divididos e cada episódio possui seu tema em ordem cronológica, começamos com a cena de Nova York nos anos 70, passando pelos anos 80 e depois para Los Angeles nos anos 90 com o “gangsta rap”, nesse sentido acho o roteiro bem consistente. Mas essa escolha acaba deixando algumas coisas de lado e quando chega a segunda temporada a linha cronológica se quebra um pouco, deixando o entendimento um pouco confuso. Outra crítica pesada que a série merece é que na primeira temporada ela esquece totalmente as rappers mulheres. Somente na segunda temporada temos um trecho de um dos quatro episódios dedicado a mulheres como Queen Latifah, mas é muito pouco para uma série que já possui 8 episódios no total.

No quesito técnico a série documental faz o seu serviço. Existem diversos trechos de videoclipes, matérias de jornais e cenas de estúdio. Tudo isso enquanto a narração explica o contexto social e vai contando a história com um ritmo gostoso de assistir. A série fala de muitos artistas tanto de rap como também de outros estilos mais antigos que inspiraram desses DJs e MCs, é tanta coisa que você vai ficar maluco se quiser anotar tudo para conferir depois. Só senti falta da legenda nas cenas em que passam trechos de músicas, acredito que seria importante para passar algumas mensagens e mostrar as letras dos artistas para quem não entende inglês.

Hip-Hop Evolution é uma boa série documental para os iniciantes na história do rap e para aqueles que tem curiosidade sobre a história desse estilo musical, mas principalmente para aqueles que querem conhecer mais artistas do gênero e sua história. A série pode parecer simplista para aqueles mais conhecedores do assunto e deixa muita coisa de lado nos seus poucos episódios, vamos aguardar que as próximas temporadas possam abranger mais os assuntos que foram deixados de lado.

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