Na Girl Space de hoje, vamos tratar sobre a obrigação ou não de aderirmos à cultura das princesas, de Leia até Cinderela

Assim que comecei a me interessar mais pelo feminismo e ter contato com meninas militantes, ouvi duras críticas às princesas da ficção. Não me estranha que mulheres indefesas que precisam de um príncipe sejam vistas como mau exemplo perante os críticos olhos feministas. Mesmo assim, eu me lembrava da infância feliz que vivi sendo superfã de várias delas.

Pessoalmente, nunca achei que sonhar com um príncipe era problema. Ruim é querer que todas as mulheres sejam assim e só tenham essa perspectiva de vida. Por isso, nesse mês de Star Wars, quero falar sobre uma princesa muito querida por todos nós do público nerd: Leia. Ela foi uma das personagens que mais me chamou a atenção quando assisti aos filmes pela primeira vez. Apesar de ser uma princesa, Leia é respeitada pela mulher forte que é. A personagem não aceita que a tratem como se fosse de porcelana e mostra-se muito valente ao não temer o vilão e participar inclusive dos planejamentos de ataque.

O autor traz empoderamento quando coloca Leia como uma das personagens essenciais para a história e não apenas como um atrativo sexual ou companheira de alguém (apesar de muitos criticarem o famoso traje da Slave Leia, não acho que o figurino dessa cena tenha sido o suficiente para ofuscar a força da personagem). Leia consegue ser tão marcante que você quer ser decidida e corajosa como ela. Outro ponto interessante foi a atriz escolhida. Ela tinha uma beleza comum e apesar de magra, não poderia ser considerada um ícone de beleza (diferentemente das cinturas perfeitas das princesas infantis). Leia era uma mulher comum, mas com muita garra e, por isso, se me fosse dada a tarefa de escolher uma personagem da ficção para representar o público feminino, eu já teria minha candidata.

Mas apesar de tudo isso, Leia continua sendo uma princesa e acaba incluída em um “pacote” do qual não faz parte. Foi nessa hora que percebi que ser uma princesa não é um problema e não deveria ser visto como problemático por nós mulheres. Existem vários outros exemplos como a Mulher-Maravilha e até a Xena (sim, protagonista daquele seriado antigo), de princesas que se apaixonam, erram, mas não deixam de ser fortes e decididas.

Outro ponto que me incomoda bastante é esse ódio a mulheres delicadas e sentimentais. Sei o quanto é chato ser estereotipada por isso, mas se queremos realmente lutar contra os padrões, devemos deixar que cada mulher seja como quer. Nem sempre vamos ser Leia, às vezes vamos ser Cinderela, isto é, apaixonadas esperando por um príncipe, mas em todos os momentos continuaremos sendo mulheres. Já ouvi mães dizendo que nunca deixariam a filha assistir filmes de princesas da Disney, então pergunto: até que ponto proibir que meninas tenham contato com isso vai realmente protegê-las? E o direito de escolha e poder sobre nós mesmas que tanto gostamos de defender?

Minha proposta é: não odeie as princesas ou personagens românticas. Critique a forma como elas são apresentadas e vistas como frágeis, mas não tente de forma alguma criar um novo padrão do que de fato seria uma mulher forte, pois isso só causa uma nova alienação. Por mais princesas entre nós! Por mais Leias, Dianas e Xenas no meio nerd. Vida longa as princesas!

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