O fazer e acreditar em seus sonhos é algo extremamente importante no caminhar de cada pessoa, e Neil Gaiman nos ensina isso muito bem há algumas décadas

10 de novembro, o dia que um dos meus escritores favoritos saiu de outros mundos e resolveu passear por paragens terrenas. Há exatos 57 anos, o mestre do sonhar Neil Gaiman veio encarnar em nosso planeta, cheio de mundos e fantasias em sua mente, repleto de “arte” a ser feita, e muito a dizer sobre escrita.

Mas esse não é um texto biográfico, você não encontrará aqui informações detalhadas de como Gaiman foi criado em uma família que acreditava na cientologia. Não irei falar de seus constantes “NÃOS” editoriais. E de como no jornalismo ele encontrou uma forma de atingir seus sonhos, publicando biografias de Duran Duran e Douglas Adams, e nem mesmo seu início nos quadrinhos, encontrando uma HQ do Monstro do Pântano no metrô e conhecendo o trabalho de quem se tornaria amigo, e até discípulo, porque não podemos negar, Gaiman é uma cria do Mago Inglês Alan Moore.

Não será um apanhando de histórias sobre as aventuras estruturais de escrita e crescimento de Neil Gaiman, e sim, um texto de como o fazer e acreditar em seus sonhos é algo extremamente importante no caminhar de cada pessoa.

Quando conheci Gaiman, eu já lia quadrinhos e já tinha sido impactado por obras do já citado Moore, já sabia que a 9° arte poderia me levar por outros caminhos e no meu entender, Quadrinhos é literatura sim. Entender a importância de Gaiman para o mundo dos quadrinhos e para indústria literária, em minha humilde opinião, é uma verdadeira analise de comportamento do que encaramos como arte.

Quando em 1991, Gaiman e o desenhista Charles Vess venceram o World fantasy Award na categoria Short Fiction (história curta) criou uma grande discussão e até polemicas, pois argumentavam que uma história em quadrinhos não poderia ganhar, sendo que desde 1975 o prêmio tinha por parâmetro que apenas os formatos “Literários”, ou seja, narrativas com sentenças escritas que dispensa o uso de imagens, poderiam vencer nesta categoria.

Mas quem define o que é literatura, são os acadêmicos? Acredito que sim, afinal, não sou um catedrático e nem mesmo um estudioso da área. Mas algo não pode ser mudado? O status quo não pode ser subvertido e novas visões não podem ser agregadas?

Bom, se podem ou não, é um discussão mais profunda, só sei que Gaiman e Vess foram lá e fizeram. Pegaram o conto de Shakespeare, Sonhos de uma noite de verão, e fizeram com que muitos leitores de quadrinhos (inclusive eu) conhecessem pela primeira vez aquela obra, agregando ao universo e aos personagens, e fazendo que muitos (olha eu novamente) fossem atrás de ler a obra original. Ele pegou algo padrão, e quebrou os conceitos, foi lá e fez e levaram a premiação e ainda podem se gabar de serem a única HQ a receber o prêmio, pois com essa quebra de paradigmas, fizeram com que a bancada do World Fantasy Award criassem uma premiação especial para a indústria de quadrinhos, que é a Special Award.

Acredito que muitos estão percebendo minhas repetições nas palavras, “SONHAR, FAZER e ARTE” e é de proposito sim, pois com tudo isso que estou dizendo, é simplesmente uma alusão ao discurso de Gaiman aos graduados da The University of Arts, discurso esse que virou livro e é uma das minhas maiores inspirações na vida.

Tenho três discursos que me servem como catapulta moral, e que me ajudam a seguir os mais complicados percalços de minha vida. O primeiro é de Steve Jobs, feito em 2005 para os formandos de da Universidade de Stanford. A consciência de que todos iremos morrer, mas não se trata da morte, e sim do que iremos fazer com o tempo que nos é dado (Gandalf Feelings): “Mantenham-se famintos. Mantenha-se tolos.”

O segundo é um diálogo ficcional entre Rocky Balboa e seu filho, e como aquilo impactou a minha vida, pois as vezes procuramos inimigos cômodos e em como somos especiais e nos perguntamos por que a vida não nos trata como o seres especiais. E não se trata de buscar inimigos fáceis, nada é fácil, lutar é duro e difícil, mas é assim que devemos enfrentar a vida, com luta e lágrimas, mas nunca desistir e procurar o caminho fácil.

“O mundo não é um mar de rosas; é um lugar sujo, um lugar cruel, que não quer saber o quanto você é durão. Vai botar você de joelhos e você vai ficar de joelhos para sempre se você deixar. Você, eu, ninguém vai bater tão forte como a vida, mas não se trata de bater forte. Se trata de quanto você aguenta apanhar e seguir em frente, o quanto você é capaz de aguentar e continuar tentando. É assim que se consegue vencer.

Agora se você sabe do teu valor, então vá atrás do que você merece, mas tem que estar preparado para apanhar. E nada de apontar dedos, dizer que você não consegue por causa dele ou dela, ou de quem quer que seja. Só covardes fazem isso e você não é covarde, você é melhor que isso.”

O terceiro é justamente do discurso de Gaiman, intitulado: Faça Boa Arte.

Nele, Gaiman apresenta 6 conselhos aprendidos com o mundo, com pessoas, com a vida. Esse discurso faz com que eu me levante todos os dias e me mostre que precisamos parar de acreditar no que nos é imposto pela sociedade. Dizer que não posso, não devo, não consigo…Não. É nesse momento que devemos usar o não, mostrando que assim como Gaiman, podemos subverter as regras impostas e destruir as travas sociais pelo simples exercício de “FAZER”.

Neste dia, eu quero agradecer o universo pela existência de Neil Richard Mackinnon Gaiman, ou simplesmente Neil Gaiman, que me mostrou como sonhar e fazer são extremamente importantes para a construção de quem eu quero ser, e que essa construção seja plena e feita de BOA ARTE.

“E agora vão, e cometam erros interessantes, cometam erros maravilhosos, façam erros gloriosos e fantásticos. Quebrem regras. Façam do mundo um lugar mais interessante por vocês estarem aqui. Façam boa arte.”

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