Hq de Gail Simone traz um universo misterioso mas com uma narrativa confusa e arte que não se encaixa na trama.

Fico muito feliz em ver que a Panini continua investindo bem no selo Vertigo, uma parte da DC especializada em fazer histórias mais adultas e sérias. Muitos lançamentos estão chegando dos mais diversos temas e , para representar os quadrinhos de terror, temos Sala Imaculada de Gail Simone.

A hq conta a história de Chloe Pierce, uma jornalista que atualmente está investigando a Fundação Mundo Sincero, aparentemente responsável pelo suicídio do seu noivo. A seita mistura auto-ajuda com misticismo e tem bastante influência em locais como em Holywood. Ao mesmo tempo, acompanhamos a líder dessa seita, Astrid Mueller, e aos poucos vamos entendendo mais sobre os reais motivos dessa mulher misteriosa e seus reais motivos sobrenaturais.

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É um pouco complicado dar uma sinopse do quadrinho porque um dos seus pilares e melhores aspectos é justamente ir desvendando e desbravando a confusa e complexa história da hq. Mas, infelizmente, esse ponto forte também traz um dos maiores pontos fracos desse primeiro volume. A história de Sala Imaculada é complexa e cheia de personagens, muitos vezes bem mal desenvolvidos, você percebe que ali que existe uma mitologia e muita história para ser contada mas a narrativa vai adicionando personagens e subplots sem se preocupar em explicar muita coisa, o que acaba deixando o volume meio confuso e desinteressante. É verdade que quero ver para onde essa história vai se desenvolver, mas acredito que a trama poderia ter sido mais focada em vez de tentar ser tão ampla.

Sendo criado por uma mulher que claramente se preocupa com representatividade, Sala Imaculada possui uma ótima presença feminina. Aqui não existe cota, as mulheres e homens são mistos dentro da história e temos até desenho de mulheres com pelos embaixo dos braços, algo que provavelmente nunca vi em uma hq. Apesar de as personagens não serem sexualizadas, o sexo é um tema recorrente mas é colocado de forma sutil, como as boas histórias de terror fazem.

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Falando em arte, esse foi um dos aspectos que mais me decepcionou e me tirou bastante da história. A arte de Jon Davis-Hunt claramente não é ruim, mas acredito que não foi uma boa escolha para esse tipo de história. Seu traço é muito cartoon em certos momentos e a finalização das cores chapadas demais me incomoda muito, acredito que uma hq de terror deveria ter um aspecto mais sombrio e realista. Em certos momentos temos umas anatomias que não funcionam muito bem mas ele capricha quando é para representar violência e cenas mais sobrenaturais. A impressão que fica é que ele fez tudo muito rápido e tenta caprichar somente nas cenas impactantes, isso provavelmente é um reflexo da história que joga cenas gore para prender o leitor, deixando um aspecto de “jump scares” baratos de filme de terror.

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Em compensação, as capas de Jenny Frison são algumas das mais lindas que já vi em hqs. Todas as capas possuem tons de rosa, o uso fantástico de um espaço branco e meio tom entre as cores que tornam as peças coisas lindas de se ver. Uma pena que a arte interna tenha me decepcionado.

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Para não falar só mal, a hq tem aspectos bons além dos já citados. Existem momentos interessantes com boas narrativas que me deixaram intrigado e todo o mistério envolvendo o plot principal também é algo que eu estou curioso para saber mais. Mas a confusão da trama com personagens que não vão a lugar nenhum e a arte que não encaixa na história me desmotivaram. É uma história bem adulta mas que precisa de mais maturidade narrativa, espero que melhore nos próximos volumes.

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