Numa tentativa de revitalizar os filmes de terror com temática alienígena, o found footage Phoenix Forgotten apresenta um ritmo irregular que prejudica o suspense e a tensão psicológica

Da produtora de Ridley Scott (diretor de Alien: O oitavo passageiro e Blade Runner: o caçador de androides) e contando com o próprio na equipe de produção, Phoenix Forgotten ganhou destaque no cenário de filmes de terror alienígena deste ano. Esse subgênero está há tempos sem um grande lançamento, e basicamente depois de Sinais (2002), poucos longas ganharam destaque com essa temática como Contatos de Quarto Grau (2009) e Dark Skies (2013). Além das próprias investidas de Ridley Scott tentando ressuscitar sua franquia Alien, com Prometheus (2012) e Alien: Covenant (2017). No entanto, Phoenix Forgotten é muito menos ambicioso que esses últimos, é inspirado em fatos reais e foca apenas nos OVNIS e alienígenas como fonte de medo e horror.

O filme se inicia com a filmagem de uma festa em família no ano de 1997, nessa festa há o avistamento de luzes no céu com um comportamento bem peculiar. Isso instiga o jovem Josh Bishop (Luke Spencer), que alguns dias após esse evento se junta a dois amigos (Chelsea Lopez e Justin Mathews) para fazer um documentário sobre o caso. Esse documentário termina com o misterioso desaparecimento dos três jovens. A maior parte do longa foca na irmã mais nova de Josh Bishop, a protagonista interpretada por Florence Hartigan, que anos depois decide fazer um documentário investigativo sobre o caso do desaparecimento de seu irmão. Ao longo desse documentário, além de uma série de entrevistas, vemos pedaços das gravações dos três jovens e seus encontros com forças alienígenas.

No início parece interessante a ideia do documentário da irmã do garoto desaparecido, mostrando a história de cada um dos três jovens que decidiu sair com ele pra essa empreitada atrás de evidencias de extraterrestres. Isso faz com que você se identifique com cada um dos jovens e se importe com eles, no entanto após 30 minutos de exibição essa fórmula se mostra cansativa e extremamente forçada em certos momentos, com destaque para uma cena com edição rápida e música dramática com pessoas prestes a chorar, em depoimentos tristes, digna de documentários sensacionalistas. Esse drama exacerbado não traz veracidade a trama e prejudica a tensão, que acaba surgindo apenas nas filmagens dos garotos desaparecidos, que são alternadas com esses momentos.  Ainda assim, nos primeiros 40 minutos de longa, essas filmagens praticamente não criam tensão e não trazem uma atmosfera interessante de mistério. O filme até tenta apresentar uma premissa para os aliens, relacionando-os com mitos de sociedades indígenas que habitavam aquela região anteriormente e até mesmo com citações bíblicas, mas isso é explorado de forma tão superficial e lançado de forma tão aleatória na trama que acredito que seria melhor nem ter incluído essas justificativas. Os momentos realmente reveladores e que podem provocar algum tipo de medo, apesar de bem fracos na minha opinião, são os 20 minutos finais, quando a protagonista encontra a câmera com a última gravação dos garotos desaparecidos, em uma fita que inusitadamente sobreviveu a uma queda de dezenas de metros de altura (mais detalhes no filme).

Muitos disseram que Phoenix Forgotten é uma tentativa de A Bruxa de Blair (1999) com temática alienígena, mas ao contrário de A Bruxa de Blair, Phoenix Forgotten nos apresenta um documentário sobre outro documentário que este sim tem a presença de eventos “sobrenaturais”. Se tivessem focado apenas nas fitas dos jovens desaparecidos talvez o resultado final tivesse ficado mais interessante. A alternância entre documentários dificulta muito a manutenção da tensão psicológica, pois te tira a todo momento da atmosfera enfrentada pelos personagens diante da opressão de forças extraterrestres. Já Bruxa de Blair faz isso muito bem, te deixando perdido na floresta a mercê de uma ameaça misteriosa junto com os protagonistas. Apesar disso, fica claro que o filme faz referência à Bruxa de Blair em diversos momentos, incluindo a cena icônica do depoimento da moça à câmera quando percebe que provavelmente está prestes a morrer.

Não foi dessa vez que o terror alienígena ganhou um grande lançamento, infelizmente apesar do filme tentar fazer com que nos importemos com os personagens desaparecidos, o ritmo irregular da produção e a trama superficial, sem mistérios instigantes, tira praticamente toda a tensão e o suspense tão esperados nesse subgênero. Phoenix Forgotten estreou dia 21 de Abril de 2017 nos EUA e não estreou no Brasil, devendo chegar aqui apenas por streaming ou home video.

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