No auge da segunda guerra mundial, o Reino Unido está na iminência de perder a guerra para as tropas alemãs. Cabe agora a Winston Churchill, aguentar a pressão do governo que o pressiona a tentar um acordo de paz com o inimigo, enquanto o primeiro ministro não quer abaixar por nada a cabeça e continuar a lutar com todas as forças contra a tirania nazista. “O Destino de Uma Nação“, é comandado por Joe Wright e conta com Gary Oldman interpretando nosso protagonista.

Pode-se dizer que os tais “filmes históricos“, em fato, não são tão históricos assim, em termos de representação fiéis dos fatos ocorridos, sempre há elementos que são modificados para encaixar com a proposta, roteiro e tudo isso faz parte da licença poética da arte. Alguns, mais que outros, se esforçam para chegar no cem porcento da fidelidade do ocorrido. Para Anthony McCarten, roteirista, não foi diferente, balanceando entre o poético e o factual, encontra o tom de seus personagens e de seus acontecimentos, formando uma obra consistente.

Junto da direção de Joe Wright, o roteiro se faz complementar, desde o aspecto visual, a diálogos e figurinos. Muitas obras quando tratam de segunda guerra, até por suas propostas individuais, priorizam a guerra em sí, em “O Destino de Uma Nação” a urgência ainda é a guerra, mas as questões são de diferentes abordagens, é muito mais sobre a construção de um ícone e como ele pode ser inspirador e qual a caminhada trilhada por ele para chegar a tal.

A narrativa visual é belíssima, a fotografia de Bruno Delbonnel não poupa esforços para realçar o ambiente apático, frio, pouco convidativo, calmo e hostíl ao mesmo tempo, da Inglaterra em estado de guerra, tais elementos se frizam principalmente nos ambientes fechados, como nas reuniões de parlamento. Há sempre um trabalho com a luz e sombra que reflete o “preto no branco“, mostrando como as decisões tomadas ali são sempre desbalanceadas, ou é isso ou aquilo, não há um meio termo. Os mesmos ambientes são claustrofóbicos, gerando desconforto e uma necessidade de urgência que é aumentada pelo clima de guerra.

A câmera é ágil e precisa, não tem pressa e sabe aproveitar todos os elementos construídos, e é mais rápida nos momentos de clímax, mas nunca perdendo a elegância ou ditando um ritmo que não seja condizente com o roteiro ou com o que está acontecendo nos seus determinados momentos. Existem planos bem interessantes, alguns mais simétricos, se aproveitando das luzes e das sombras para criar silhuetas em um imagem de plano aberto, outros já optam pelo plongée bem aberto, principalmente quando há as cenas internas no parlamento.

Por muitos trechos, a câmera tende a ser mais intimista, principalmente quando se trata do personagem Winston Churchill (Gary Oldman). Esses planos exaltam e realçam as nuances da construção magnífica de maquiagem e do estudo que Oldman teve em montar Churchill. De manias com a boca, jeito de andar e a fala em sí, é irreconhecível. O longa também aposta em uma pegada mais bem humorada, que também é levada pelo nosso protagonista, na dosagem certa, pontual e bem construída. Se aproveitando desde as falas do roteiro até a narrativa visual que dispõe. Porém, o ritmo ou o tom da história não se perde ao meio da comicidade, em fato, vem a contribuir.

A tensão é potencializada pela mixagem de som e pela ausência da trilha sonora em momentos chave. É algo progressivo, desde o som das solas de sapatos dos engravatados, até imponentes discussos. Em fato, o filme inteiro é uma progressão, crescente e clímax bem dosados culminando no interesse e atraindo a atenção para o que está ocorrendo em tela.

Talvez o maior “erro” de “O Destino de Uma Nação“, seja exagerar em certos aspectos de Winston Churchill, desde uma pegada extremamente populista e um padrão não tão coerente com o pensamento da época em questão, como por exemplo, Churchill apertando a mão de um cidadão negro. Mas mesmo nesse quesito, o filme se aproveita para dar uma visão da camada de quem é povo, e o que eles pensam. É realçando a figura de um ícone.

“O Destino de Uma Nação” é visualmente lindo, impressiona com sua maquiagem, fotografia, diálogos bem construídos e uma interpretação magnífica de Gary Oldman.

 

 

 

 

 

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