J.K. Rowling entrega uma história rica em detalhes e com final surpreendente

Antes de mais nada, é preciso lembrar que Animais Fantásticos tem cinco filmes planejados, portanto, este segundo capítulo da franquia ainda serve como uma grande introdução para a verdadeira história a ser contada nos próximos três longas. Dito isso, Os Crimes de Grindelwald consegue nos mostrar exatamente o início da trama principal, conectando todos os núcleos de subtramas presentes, mas pecando pelo excesso de informações jogadas e uma direção confusa. Também é necessário afirmar que o filme é feito para os fãs, todos os elementos presentes na história foram pensados para aqueles que já estão acostumados com o mundo bruxo, e já o grande público pode encontrar certa dificuldade para entender o propósito de tudo.

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Com a fuga de Grindelwald do MACUSA, em Nova York, o mundo bruxo se encontra mais uma vez ameaçado pelo discurso do bem maior que o vilão propaga. Newt está em Londres para resolver suas pendências com o Ministério da Magia devido os problemas acontecidos com os animais fantásticos no filme anterior, mas na cena seguinte vemos o encontro dele com Dumbledore e o desenrolar da missão que ele entrega para o maziologista. Credence está em Paris procurando por suas origens, com a ajuda de ninguém menos do que Nagini, e Grindelwald, após sua fuga, também está em Paris por acreditar que o poder dentro de Credence, o Obscurial, é peça determinante para sua vitória. Tina, com uma enorme mudança de visual e determinação, agora é uma auror com a missão de rastrear Credence e levá-lo em segurança para Londres. Queenie e Jacob possuem a trama ligada um no outro. Enquanto Queenie está insatisfeita com as leis conservadoras do mundo bruxo e quer ir contra elas, Jacob tenta de tudo para colocar a razão a frente da emoção e ajudar sua amada a entender os riscos de uma relação com um no-maj. Ainda temos Leta Lestrange e Teseu Scamander, irmão de Newt, aurores que também estão atrás de Grindelwald. E por fim, os animais fantásticos, que possuem funções pontuais na história, apesar de menos destaques, são de grande importância em cenas chaves.

Essa enorme quantidade de personagens citados possuem espaço dentro do longa, alguns mais que outros, como Newt, que ainda detém o título de principal, mas que está inserido dentro de um mundo muito maior do que visto no capítulo anterior. Eventualmente todos os núcleos se unem para um objetivo em comum, Grindelwald, mas a forma com que isso acontece é um pouco tarde demais e fica aquela sensação de que a finalização não foi bem pensada.

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De forma individual, todas as tramas funcionam e entregam informações cruciais para o futuro do filme, deixando questões abertas que serão abordadas nos próximos anos. A polêmica sobre a sexualidade de Dumbledore e sua relação com Grindelwald é tratada de forma sutil e inteligente, está lá pra todos verem e faz parte integral da condução da história. Os animais fantásticos aqui funcionam como pano de fundo para os acontecimentos mais importantes, eles são necessários e proporcionam soluções para algumas situações. Além do mais, a maleta de Newt é um dos mais lindos cenários vistos em todo o universo bruxo. Grindelwald caminha para uma posição em que pode se tornar um vilão muito mais terrível que Lord Voldemort, isso devido ao poder do discurso e persuasão que possui, conseguindo corromper até os melhores entre a comunidade mágica.

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As atuações estão impecáveis, até mesmo daqueles que aparecem e somem sem nenhuma explicação. Johnny Depp brilha como Grindelwald, entregando uma interpretação única ao personagem, sem precisar apelar para as características excêntricas de outros papéis interpretados anteriormente. Eddie Redmayne dá um show de carisma a todo o momento, consagrando Newt como um dos melhores personagens desse universo. Jude Law passa toda a sobriedade do Dumbledore que conhecemos, acrescentando um ar mais jovem e sarcástico. Katherine Waterston leva a Tina para um outro nível de confiança, porém, mantém  a doçura da personagem quando se deixa levar pelos seus sentimentos por Newt. Alison Sudol teve a difícil missão de mostra uma Queenie dividida, o que levou a receber algumas críticas de que sua personagem virou uma criança birrenta, mas não é exatamente assim. Existe um contexto por trás do comportamento de Queenie que é muito bem trabalhado pela atriz, com um resultado condizente pelo que foi proposto no roteiro. Ezra Miller passa toda a inocência e despreparo de Credence com a magia, ao mesmo tempo que mostra a determinação e força do personagem para perseguir seu desejo de saber quem realmente é.

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O roteiro que J.K. Rowling escreveu tem um nível de detalhes que não conseguem ser mostrados com o brilhantismo necessário nas telas de cinema, é algo que funciona mais para a mídia literária. Não se deve desmerecer a história que a autora criou para Os Crimes de Grindelwald, mas a quantidade de informações de uma só vez irá prejudicar o entendimento do filme por parte do grande público. As referências ao universo de Harry Potter estão lá aos montes, é uma experiência incrível para o fã. Para citar uma referência que mostra o tamanho do cuidado por esse universo e de como esse capítulo é feito para quem já acompanha esse mundo, a cena no Ministério da Magia de Londres em que podemos ver corujas de um lado para outro remete ao diálogo que o Sr. Weasley tem com Harry quando entram no elevador e, ao mesmo tempo, vários aviõezinhos de papel, em Ordem da Fênix, dizendo que no passado usavam corujas para entregar correspondências entre os departamentos, mas que a sujeira era inacreditável. É simplesmente lindo. Já David Yates mostra sua conturbada direção, com ângulos desconfortáveis, falta de controle nas sequências de ação e pouca criatividade para inovar.

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Os Crimes de Grindelwald não é um filme ruim, longe disso, ele cumpre sua função de estabelecer a real história da franquia, e mesmo com uma falta de ritmo e excesso de conteúdo, consegue entregar um bom segundo capítulo. As surpreendentes revelações, principalmente a da cena final, irão dividir os fãs e dar o que falar para a criação de diversas teorias pelos próximos dois anos até o terceiro filme. Mais uma vez o universo bruxo não decepciona e nos leva para uma incrível viagem por elementos conhecidos, introduzindo mistérios que deixaram nós, fãs, debatendo como loucos sobre os rumos futuros.

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