Documentário também traz de volta o fantasma do Carandiru – mas do ponto de vista dos presos

Você é a favor da maioridade penal dos dezoito para os dezesseis anos? É a favor da pena de morte? Prisão perpétua? Bandido bom é bandido morto? Então boa parte dos seus desejos foram atingidos em 1992, quando ocorreu o chamado Massacre do Carandiru. Um dos episódios mais vergonhosos para a corporação da Polícia Militar em toda a história.

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111 pessoas foram mortas (preso também é gente, não custa lembrar). 84 delas ainda sequer tinham sido condenadas dado o lento e burocrático processo judicial, 90% desses mortos foram alvejados na cabeça e pescoço, num período de meia hora. E ainda assim o TJ anulou o julgamento que condenou 74 policiais responsáveis pelos assassinatos.

Após ver O Prisioneiro da Grade de Ferro (2004) de Paulo Sacramento você irá perceber o q
uanto essas questões acima são e serão redundantes enquanto não arrumarmos o quintal de casa (confira aqui um exemplo disso). Há problemas sérios a serem resolvidos no sistema carcerário, penal e educacional do Brasil que deveriam ser tratados como prioridade, mas infelizmente o que vemos é o lixo varrido para debaixo do tapete através de soluções paliativas e falácias políticas.

O Prisioneiro da Grade de Ferro (2004) é um documentário do diretor Paulo Sacramento, onde a voz e a vez são dos presidiários, que mostram seu cotidiano no complexo penitenciário do Carandiru da cidade de São Paulo – SP. Para aliviar o fato de estarem presos, vemos as atividades (licitas e ilícitas) que praticam como esportes, artesanato, tráfico de drogas e até fabricação de bebida alcoólica.

O filme traz de volta o presidio como um mau agouro na memória 20005448dos brasileiros após sua demolição em 2002, lindamente retratado numa cena em que acompanhamos o processo de implosão de traz para frente. Essa é a estreia de Paulo Sacramento na direção de longas, e se trata de uma produção corajosa e audaciosa. Vinte detentos foram equipados e instruídos com câmeras de mão para retratar suas vidas na prisão. Tal medida se faz eficaz no retrato da rotina de cada um, onde cada capítulo corresponde a um pavilhão do Carandiru. E o cenário é desolador, numa mistura de coisas que já imaginamos como acontece e outras que nos surpreendem, as condições impostas são mostradas de forma imparcial. Também participam com depoimentos ex-diretores do presidio.

complexo-penitencirio-do-carandiru-597x300É ridículo ver o então governador do estado de São Paulo falando sobre os diversos presídios que foram construídos (enquanto inaugura um novo) como se fosse uma verdadeira vitória. Como se fosse uma questão pura e simplesmente matemática: se os presídios estão superlotados a solução é mais presídios?! Vergonhoso que isso venha de uma figura tão importante para os cidadãos.

A cadeia cumpre seu papel em separar o preso da sociedade em grande parte do tempo, mas falha tragicamente em prepara-lo para sair. Na grande maioria das prisões não há o mínimo de condições humanas para convivência frente à avassaladora crescente população carcerária, e a triste realidade é que quem está de fora não dá a mínima pra isso, já que são “apenas” bandidos. É preciso coragem como se teve em O Prisioneiro da Grade de Ferro para enfrentar essa situação.

Assista ao documentário na íntegra logo abaixo:

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