Documentário narrado por Samuel L. Jackson, Eu Não Sou Seu Negro é, acima de tudo, um serviço histórico

“Contar a história dos negros nos EUA é contar a história dos EUA”

Discutir questões raciais não tem sido algo fácil ultimamente. O demônio da polarização ainda está em vigência (o que dificulta qualquer conversa, mesmo que igualdade seja um assunto acima de qualquer ideologia), e o risco de nos envolvermos em discussões intermináveis (ou ceifadoras de relações) é muito grande. Isso não significa, no entanto, que devemos deixar o assunto de lado. Material para nos embasarmos nas discussões é o que não falta, principalmente no que diz  respeito a documentários de qualidade. Só entre 2016 e 2017 temos três excelentes fontes.

A 13ª Emenda trouxe um riquíssimo e sistemático material comandado por Ava DuVernay (Selma) relacionando o atual sistema carcerário estadunidense e a escravidão oficialmente abolida em 1863. Com O.J.: Made in America temos uma excelente e extensa série documental escrita e dirigida por Ezra Edelman para a ESPN, culminando no Oscar de Melhor Documentário. Correndo por fora e homenageando Martin Luther King após 49 anos do seu assassinato (dia 4 de abril), Eu Não Sou Seu Negro chega com uma proposta mais intimista mas não sem tratar devidamente do tema.

Dirigido pelo haitiano Raoul Peck, o documentário “EU NÃO SOU SEU NEGRO” traça um paralelo sobre a questão racial nos Estados Unidos desde a década de 60 até os dias atuais e reflete como é ser negro no país. Narrado pelo ator Samuel L. Jackson, o longa, que concorreu ao Oscar 2017 de Melhor Documentário, é baseado em um livro inacabado do escritor James Baldwin, “Remember This House”. Nele, Baldwin descreve as lutas raciais de três personagens famosos da história americana e amigos seus: Medgar Evers, Malcolm X e Martin Luther King.

Não apenas deles, mas o documentário também mostra o quão difícil era discutir essas questões mesmo com pessoas tidas como intelectuais em programas de TV e debates em geral. Imagens de como o racismo atuava inclusive na propaganda são mostradas ao longo dos 93 minutos de filme, de modo bem pausado, para que tenhamos tempo de ver e refletir sobre os absurdos da época (e como alguns ainda persistem nos dias atuais).

Infelizmente, Eu Não Sou Seu Negro teve o “azar” de ser lançado nesse período riquíssimo de documentários na indústria, então é possível que seu alcance fosse muito maior num cenário menos concorrido. Mas isso não é algo necessariamente ruim, e o tempo irá tratar de colocar o filme em sua posição de destaque e referência.

Eu Não Sou Seu Negro está disponível nos principais serviços de streaming, confira um trailer a seguir:

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