Titãs: a rebeldia juvenil do DC Universe

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É natural chegar ao primeiro episódio de Titãs repleto de dúvidas. Desde a polêmica das primeiras fotos dos bastidores, passando pelo material de divulgação de qualidade bastante duvidosa. São poucas as séries baseadas em HQ’s que nascem cercadas de tantas incógnitas. Mas ao final dos cinquenta minutos da atração, é possível perceber que não estamos diante de um completo desastre. O que marca também um início até seguro do DC Universe, serviço de streaming da DC Comics.

Impulsionados ao longo dos anos por diversas adaptações nas mais variadas mídias, os Titãs fazem parte da realidade da cultura pop. Porém, a ideia aqui parece ser fugir do que já vimos antes. A juventude como marca registrada está presente, mas agora cercada por uma aura mais opressora, violenta e aparentemente ausente de qualquer tipo de esperança. O que pode servir para justificar a tal da classificação indicativa mais elevada, assim como todo o sangue e palavrões proferidos. Ainda que soem bastante gratuitos em algumas cenas.

Ainda que não existam detalhes da trama principal, o foco está todo em Rachel Roth (Teagan Croft) que futuramente será conhecida como Ravena. Atormentada por uma presença demoníaca em seu corpo, a jovem garota logo é jogada em uma situação pouco convencional, o que leva seu caminho de encontro ao do detetive Dick Grayson (Brenton Thwaites). Que por sua vez, busca construir a vida longe de Gotham e das influências do Homem-Morcego. Ainda que a alcunha de Robin continue intacta, inclusive dando as caras logo nos primeiros minutos. Aliás, é aqui que a primeira polêmica cai por terra. Existe um bom motivo por trás do “Foda-se o Batman”. Com a justificativa ampliada por um diálogo bastante inteligente sobre divergências de pensamentos entre mestre e discípulo.

Ainda na missão de derrubar polêmicas, o visual de Estelar (Anna Diop) também possui uma boa justificativa. Seu núcleo é outro que se conecta com Rachel, embora maiores explicações estejam guardadas para o futuro. Contudo, é interessante conhecer mais de sua personalidade e da sua interação com os seres humanos antes do encontro com o resto da futura equipe.

Nos aspectos técnicos, o primeiro episódio de Titãs é inconstante. Os efeitos especiais não são trágicos, mas também não impressionam. As coreografias de luta, especialmente as do Robin, são convincentes. Mas a fotografia extremamente escura incomoda, mesmo durante o dia. A composição visual da série tenta misturar realidade e fantasia, mas falha com louvor nessa missão. Parece que abusar do cinza em todas as cenas é um vício das novas séries “mais adultas” de super-heróis.

Se fosse para resumir o primeiro episódio de Titãs em uma palavra, certamente seria linear. Embora esteja inserida em um universo com potencial para uma expansão agressiva, a série opta por começar com o pé no freio. É uma atitude segura, mas que deve ser abandonada o quanto antes caso queira se destacar entre suas companheiras. O que certamente alegra os executivos da DC Comics e os fãs da cultura pop é que não estamos diante de um novo Inumanos. Ainda bem.