Star Trek: Picard é uma ótima mistura entre tradição e inovação

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Com o talento de Patrick Stewart, Star Trek: Picard agrada novos e velhos fãs

Não é surpresa para ninguém o prazer que a cultura pop tem em revirar e revisitar seus clássicos. Seja com os famigerados remakes e reboots, ou com continuações que ninguém pediu, é necessário manter a roda girando. A vasta gama de serviços de streaming também tem sua parcela de responsabilidade, já que o importante é diferenciar os catálogos entre os concorrentes. Porém, no meio dessa confusão, costumam surgir raros materiais de qualidade. Que conciliam bem saudosismo e inovação. Star Trek: Picard certamente é um deles.

Produzida e exibida nos EUA pelo CBS All Access, o mesmo serviço responsável por Star Trek: Discovery, a nova produção do universo de Jornada nas Estrelas chega ao Brasil através da Amazon Prime Video. A trama acompanha o lendário Jean-Luc Picard (Patrick Stewart) 20 anos após as acontecimentos mostrados no longa Jornada nas Estrelas: Nêmesis, cujas consequências o forçaram a abandonar a Frota Estelar. Vivendo tranquilamente na França, onde cuida da vinícola de sua família, o outrora capitão da Enterprise terá seu sossego ameaçado com a chegada da misteriosa Dahj (Isa Briones).

É preciso destacar logo de cara o cuidadoso trabalho dos produtores e roteiristas, em especial Akiva Goldsman e Alex Kurtzman, na hora de mesclar os tradicionais elementos de Jornada nas Estrelas com as inovações tecnológicas que nosso tempo exige. Especialmente quando o protagonista de seu espetáculo é um ator no auge de seus 79 anos. Embora existam boas cenas de ação e lutas bem coreografadas, nenhuma delas tem o envolvimento direto de Picard. Ainda assim, Patrick Stewart mostra muito vigor ao reviver seu maior personagem. Se o corpo já não é mais o mesmo, sua mente continua aguçada.

Divulgação: CBS All Access/Amazon Prime Video

Star Trek: Picard também sabe agradar os fãs mais antigos da saga concebida por Gene Roddenberry. Seja pela marcante presença do androide Data (Brent Spiner), que é um dos motores da história, passando por referências diretas e outras mais discretas aos demais produtos da franquia. No entanto, existe um custo para manter tal equilíbrio. É preciso presumir que uma boa parcela do público não acompanhou todas as temporadas de Star Trek: A Nova Geração, que foram ao ar entre 1987 e 1994, além dos quatro longas encabeçados pelo capitão Picard.

Para resolver essa questão, o primeiro episódio é preenchido com vários diálogos expositivos e até mesmo alguns artifícios visuais que ilustram os acontecimentos cruciais que colocaram Picard em seu atual estado. O que não seria um pecado, mas acaba contrastando com a necessidade de inserir os novos elementos que irão permear toda a temporada. Criando por consequência uma certa quebra de ritmo. Porém, esse incômodo deve ser corrigido nos próximos episódios.

Star Trek: Picard começa sua jornada de forma bastante satisfatória. Mostrando que é possível conciliar de uma maneira orgânica o clássico e a inovação, sem cair na tentação de agradar uma parcela específica dos fãs. Algo que outra saga espacial parece ter esquecido de fazer.

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