Patrulha do Destino: um novo coração para a DC

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Fez sentido que a primeira série original do DC Universe tenha sido Titãs, afinal, a imagem dos personagens nunca esteve tão em evidência como nos últimos anos. No entanto, o quarto episódio dessa oscilante primeira temporada de Robin e seus amigos apresentou uma família incomum de super-heróis: a Patrulha do Destino. Agora, os piores heróis que você possa imaginar possuem sua própria série. Mais do que isso, estrelam um dos melhores materiais lançados pela DC Comics nos últimos anos.

Comandado por Jeremy Carver, o primeiro episódio de Patrulha do Destino dá uma verdadeira aula sobre apresentação de personagens completamente desconhecidos do grande público. No melhor estilo Guardiões da Galáxia de ser, esse episódio piloto mistura com elegância drama, humor e doses de non sense. Ao mesmo tempo em que explora os bizarros laços familiares da equipe. A narração em off do sempre excelente Alan Tudyk (que aqui viverá o vilão Sr. Ninguém) brinca com a quebra da quarta parede enquanto dá o tom humorístico que provavelmente irá acompanhar toda a temporada.

Outro acerto do primeiro episódio é mostrar de cara como a série vai tratar a questão de pessoas comuns que de repente se transformam em seres poderosos. Patrulha do Destino não tem interesse em se levar a sério, tratando toda essa situação mais como um tremendo incômodo do que algo benéfico. Como se a vida já não fosse complicada o suficiente para você ainda se transformar em um homem de lata.

Mas o coração de Patrulha do Destino está mesmo em seus personagens, em especial o trio formado por Homem-Robô/Clifford “Cliff” Steele (Brendan Fraser em atuação canastrona), Mulher-Elástica/Rita Farr (April Bowlby) e Homem-Negativo/Lawrence “Larry” Trainor (Matt Bomer). Com um ótimo uso de flashbacks, o episódio vai explorando o passado de cada um deles, pincelando os eventos que transformaram suas vidas. E mais do que isso, trabalha suas personalidades, medos, esperanças e tudo de mais humano que possa existir em um super-herói.

Basta ver o que é feito com o Homem-Robô, que em cinco minutos consegue passar de alguém extremamente babaca para um cara que você gostaria de conversar sobre a vida numa mesa de bar. O cenário ainda melhora com a ótima adição da Crazy Jane (Diane Guerrero) que abala todas as estruturas da pacata mansão, além da presença sempre hipnotizante de Timothy Dalton como o Dr. Niles Caulder.

Enquanto o universo cinematográfico ainda procura uma orientação, a DC consegue mostrar que existe algo especial acontecendo em seu segmento televisivo. E nem entra na conta o Arrowverse, com exceção da divertida Legends of Tomorrow. Pelo menos nesse primeiro episódio, Patrulha do Destino revela um coração pulsante, apaixonado por seus personagens e consciente de sua missão como adaptação.

Talvez seja esperar demais que essa primeira temporada de Patrulha do Destino mergulhe de cabeça na fase comandada por Grant Morrison quando trabalhou com os personagens na Vertigo, mas a estranheza divertida parece garantida. E que o DC Universe perceba que nem sempre é preciso enfiar um Batman ou um Superman para que algo seja relevante.