Por que PÁTRIA, da HBO, é uma história relevante hoje

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No último domingo, dia 27 de setembro, PÁTRIA estreou nas telas da HBO. A produção original espanhola da HBO Europe, realizada com a participação da HBO Latin America, conta em oito episódios a história do País Basco sob a ameaça do grupo terrorista ETA. Os acontecimentos durante as três décadas abordadas são narrados do ponto de vista de duas famílias divididas pelo confronto. No entanto, a trama vai além das fronteiras espanholas e reflete uma situação latente em diversos lugares do mundo, com um eixo universal: a dor provocada pelos vínculos e relações que são afetados por esse tipo de conflito.

A série, baseada no livro homônimo de Fernando Aramburu, foi criada e escrita por Aitor Gabilondo, que trabalhou em conjunto com os produtores executivos da HBO para contar uma história capaz de tocar públicos do mundo todo. Além de conhecer um período muito importante da história basca, os espectadores se identificarão com sentimentos universais, já que a narrativa apresenta divisões e conflitos muito atuais.

PÁTRIA aborda o processo de superar a dor e o sofrimento, a possibilidade de curar as feridas ao longo do tempo e as reconciliações individuais. Não é fácil equilibrar justiça e reconciliação. A produção mostra, sem meias-palavras, que as ações em meio aos conflitos são dolorosas não apenas para quem aperta o gatilho e para quem leva o tiro, mas também para suas famílias, amigos e vizinhos.

A série ainda aborda questões como memória, envelhecimento, perdão e esquecimento. O tempo é essencial na trama, que mantém a perspectiva do livro, avançando e retrocedendo constantemente entre os anos. Os mesmos atores interpretam os personagens nas três décadas, o que foi possível graças a um grande trabalho artístico, técnico e de produção envolvendo o figurino e a maquiagem. Vemos inclusive como os olhares mudam, como consequência das dores vividas.

A minissérie resgata os aspectos menos contados do conflito: os vínculos, o amor, a solidão, o isolamento e a dor de cada indivíduo. A história do País Basco e do ETA sempre foi apresentada do ponto de vista de um ou do outro. Mas em PÁTRIA não existem lados, e sim os sentimentos das pessoas envolvidas.