Mesmo após o final exibido em 2019, Game of Thrones segue gerando debates intensos entre fãs. A produção da HBO se consolidou como um fenômeno cultural, mas também acumulou questionamentos que jamais foram esclarecidos em tela. Alguns desses mistérios têm contrapontos nos livros de George R.R. Martin, enquanto outros permanecem completamente em aberto — e talvez só encontrarão respostas em The Winds of Winter. A seguir, reunimos as principais questões que a série levantou, mas nunca concluiu.
O enigmático Jaqen H’ghar e a Casa do Preto e Branco
A trajetória de Jaqen H’ghar é uma das tramas mais intrigantes que ficaram sem explicação. Na série, o personagem surge durante a viagem de Arya a Harrenhal, repetindo um movimento semelhante ao dos livros. Porém, enquanto nas páginas há indícios de que ele cumpre uma missão secreta e de grande relevância, a adaptação reduz sua participação a um apoio pontual à personagem.
Após ajudar Arya em Harrenhal, Jaqen desaparece por anos, retornando apenas na sexta temporada para treiná-la em Braavos. Seu propósito, no entanto, jamais é revelado. Além disso, Game of Thrones simplifica profundamente a Casa do Preto e Branco, que nos livros é apresentada como uma sociedade complexa de assassinos dedicados ao Deus de Muitas Faces. Na série, parece existir apenas Jaqen e a chamada “Waif”, e nada é dito sobre o funcionamento da ordem ou sobre as consequências de abandonar a instituição. Arya simplesmente vai embora — e ninguém reage.
A falta de aprofundamento transforma esse núcleo em uma das maiores pontas soltas da adaptação.

Os White Walkers, o Rei da Noite e motivações nunca exploradas
Outro mistério sem resolução envolve os White Walkers. A série decidiu criar o Rei da Noite, figura inédita em relação aos livros, com o objetivo de dar rosto e liderança aos Caminhantes Brancos. Embora a escolha funcione visualmente, o roteiro não desenvolve suas intenções.
Game of Thrones revela que os White Walkers foram criados pelos Filhos da Floresta para combater os Primeiros Homens, mas não explica por que eles ficaram milhares de anos inativos antes de retornar. Da mesma forma, a razão para o Rei da Noite buscar matar o Corvo de Três Olhos na oitava temporada é apenas mencionada, sem uma lógica clara: se Bran representava “a memória do mundo”, por que o líder dos Caminhantes Brancos não tentou destruir essa memória antes, ainda na época do antigo Corvo de Três Olhos?
Outro ponto sem resposta: como o Rei da Noite pretendia atravessar a Muralha se Daenerys não tivesse ido ao resgate de Jon Snow, permitindo que um de seus dragões fosse morto e ressuscitado? A narrativa sugere que ele não tinha outro plano, deixando dúvidas sobre o alcance real de suas habilidades e estratégias.
Os próprios símbolos deixados pelos White Walkers ao longo das temporadas nunca receberam explicação.

A disputa entre deuses e a ausência de um “poder” central
A série apresenta diversas crenças: a Fé dos Sete, os Deuses Antigos, o Senhor da Luz e o Deus Afogado. Todas elas têm importância cultural dentro da história, mas só uma parece mostrar poderes concretos: o Senhor da Luz. Através de Melisandre e Thoros de Myr, a série exibe ressurreições, visões e manipulações de sombras, o que leva o público a crer que esse seria o deus verdadeiro.
Contudo, Game of Thrones desmonta essa possibilidade quando revela que o Rei da Noite não é uma entidade sobrenatural oposta ao Senhor da Luz, mas sim um homem transformado pelos Filhos da Floresta. Isso destrói a ideia de uma batalha teológica entre esses dois polos.
Ao mesmo tempo, os Deuses Antigos demonstram influência real por meio das árvores-coração, das visões e do próprio Corvo de Três Olhos. O que une essas forças? Como coexistem? Quem é o “verdadeiro” deus de Westeros? A série jamais apresenta respostas definitivas.
O Banco de Ferro e a dívida impagável de Westeros
O Banco de Ferro de Braavos tem papel central na disputa política de Westeros e figura como a instituição mais poderosa do mundo conhecido. A série reforça diversas vezes sua rigidez: eles não perdoam dívidas e financiam guerras para recuperar prejuízos.
Durante a história, o banco financia Stannis Baratheon após o discurso de Davos e, anos depois, apoia Cersei contra Daenerys. Ambas as apostas fracassam. Tanto Stannis quanto Cersei são derrotados, o que deixa Westeros com uma dívida gigantesca — jamais paga.
Surpreendentemente, a série simplesmente abandona o tema. Não há menção à cobrança, ao impacto econômico ou à postura do banco diante do novo rei, Bran. Em um cenário realista, o Banco de Ferro poderia ter financiado um golpe ou até reivindicado o controle de Westeros, mas nada disso entra na narrativa. O enredo é esquecido, deixando uma das maiores questões políticas da série sem conclusão.

Benjen Stark e sua transformação incompleta
Benjen Stark é outro personagem cuja história termina abruptamente. Na série, ele é atacado pelos White Walkers, mas salvo pelos Filhos da Floresta, que o transformam em uma espécie de “quase-morto”, impedido de cruzar a Muralha.
Seu retorno funciona como recurso de roteiro para salvar Bran e Jon em momentos cruciais, mas nunca é explicado por que ele manteve sua humanidade enquanto o Rei da Noite não manteve a sua. Tampouco é revelado qual seria seu papel na guerra, por que os Filhos da Floresta o reviveram ou se ele possuía algum propósito maior.
Nos livros, existe o personagem Mãos Frias, que muitos leitores acreditam ser Benjen, embora George R.R. Martin negue essa teoria. Isso indica que, nas páginas, o irmão de Ned Stark deve ter uma função mais significativa — algo que a série jamais desenvolveu.