Sex Education é a mais nova série colegial da Netflix, mas que tem lá suas diferenças com outras da rede de streaming como 13 Reasons Why ou a animação Big Mouth. Asa Butterfield e Gillian Anderson lideram o elenco, que traz personagens interessantes para mostrar a influência do sexo e seus pormenores na vida dos jovens. Afinal, muitas vezes falar de sexo é encarado como tabu, então organizamos uma lista com alguns dos temas abordados.

Já falamos aqui sobre os temas que podemos esperar para a segunda temporada da série, assim como já temos nossa crítica do primeiro ano, que você pode conferir aqui.

Vamos à lista?

1. Amizade (Otis e Eric)

Amizade por si só não é um tema tabu, mas a dupla de amigos em Sex Education é bastante fora da curva. Isso fica muito bem simbolizado quando Otis e Eric (Ncuti Gatwa) acabam promovendo a principal dança do baile do colégio. Há uma pressão muito grande na sociedade para que os grupos fiquem segregados, onde os garotos (héteros) se sentirão julgados caso tenham um amigo gay.

2. Masturbação (Aimee)

Enquanto é comum a aceitação de que garotos se masturbam, com as garotas isso tende a ser visto com mais resistência pelas pessoas. Aimee (Aimee Lou Wood) é quem representa isso, pois a primeira cena da série é dela transando com um garoto, mas replicando tudo que uma sociedade machista poderia: ela finge prazer e exibe seus dotes físicos com o único objetivo de proporcionar prazer ao parceiro. Tanto que ela fica completamente “perdida” quando começa um novo relacionamento, cujo namorado tem como maior objetivo justamente dar prazer para ela. É nesse contexto que entra a masturbação e um novo mundo que se revela. É importante para qualquer um, seja adolescente ou adulto, ter conhecimento e segurança sobre o próprio corpo. Ponto pra Netflix.

3. Trauma de infância (Otis)

Sem querer bancar o Sigmund Freud aqui, mas é bem interessante que os problemas sexuais que Otis possui sejam causados, em grande parte, pelos seus pais. Seu pai, interpretado por James Purefoy foi fora flagrado pelo protagonista ainda criança enquanto traia sua mãe, e ao lidar de forma equivocada com a situação, a personagem de Gillian Anderson colaborou para a formação desses problemas. Esse caso pode evidenciar que atribuir a conversa sobre sexualidade apenas em âmbito familiar não é garantia de boa formação, pois os pais também erram (e muito).

4. Aceitação (Eric)

Esse talvez seja um dos maiores desafios aos que não possuem a orientação sexual convencional. Sem ter “se revelado” para a família (até porque ninguém é obrigado a ficar anunciando por aí suas preferências sexuais), jovens como Eric às vezes acabam entrando numa cólera negativa de pensamento, achando que o mundo o rejeita completamente, se sentindo que não é aceito pelas pessoas. A realidade é que, apesar do preconceito (algo inegável e às vezes destrutivo), há pessoas que amam você, e não vai ser de uma hora para outra que elas irão desconstruir uma vida inteira de aprendizado inadequado. em Sex Education isso é retratado numa linda cena na igreja, onde o pastor prega sobre Jesus e o seu exemplo maior, o de amar as pessoas independente de quem elas são.

5. Afeto (Adam)

Algo recorrente nas famílias, a falta de afeto pode causar um distanciamento muito triste, da mesma forma como vemos com o diretor do colégio, Mr. Groff (Alistair Petrie) e seu filho Adam (Connor Swindells). Às vezes, a ideia da masculinidade pode ser muito tóxica, onde o carinho por outro homem é algo tão temido e repulsivo que criamos uma barreira com nossos pais, filhos e amigos.

6. Sucesso

A pressão pelo sucesso, se for muito alta, tende a causar traumas e consequências negativas. Ainda mais se tratando de uma fase tão complexa como a da adolescência. Jackson (Kedar Williams-Stirling) é o melhor aluno-atleta da escola, onde seu desempenho na natação carrega todo o orgulho de suas mães e ao mesmo tempo a valorização do próprio colégio. A verdade é que ele nunca quis tanta responsabilidade, e durante essa primeira temporada de Sex Education o que vemos nele é um garoto com grande desempenho mas que ao mesmo tempo sofre com problemas de saúde por conta de tanta demanda.