Upload – 1ª Temporada (Prime Video) | Crítica

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Divertida e engajante, Upload é mais um acerto da mente criativa de Greg Daniels

Num primeiro olhar, Upload não parece ser um produto extremamente original. A nova série da Prime Video é praticamente uma mistura de The Good Place com San Junipero – episódio da terceira temporada de Black Mirror. E a verdade é que nas mãos erradas, dificilmente passaria de uma cópia. A boa notícia é que a mente por trás de sua criação é a de Greg Daniels, conhecido apenas pela versão americana de The Office, Parks & Recreation e a vindoura Space Force. Um currículo poderoso, capaz de atrair olhares minimamente curiosos. Curiosidade que é recompensada com uma história divertida e engajante.

Num futuro não tão distante, acompanhamos a vida do jovem programador Nathan Brown (Robbie Amell), que após sofrer um suspeito acidente de carro, tem sua consciência “upada” no famoso pós-vida em realidade virtual Lake Viiew. Tudo pago pela sua namorada rica Ingrid Kannerman (Allegra Edwards).Essa premissa é desenvolvida logo no início do primeiro episódio, abrindo espaço para que o espectador, junto com o protagonista, explore esse paraíso e para que a investigação por trás do mistério seja desenvolvida. A dinâmica fica ainda mais interessante com a presença de Nora Antony (Andy Allo), o anjo virtual de Nathan e potencial interesse amoroso.

Greg Daniels sabe como poucos utilizar bobagens para construir seu humor e a premissa por trás de seu show. Em Upload, ele torna divertido algo arduamente explorado como a extrapolação da tecnologia no futuro. Muito por conta das situações absurdas que saem de sua cabeça, como um morto que assiste ao próprio velório, crianças presas em avatares infantis para sempre, ligações telefônicas entre vivos e mortos e até mesmo anúncios de produtos no paraíso. Os roteiros dos episódios também contribuem para isso, sendo minimamente pensados para apresentar um novo elemento desse mundo. De maneira totalmente benéfica para a trama.

Robbie Amell em cena de Upload. Distribuição: Prime Video

Além do humor, Upload encontra força nos seus personagens principais. E antes que imaginem, Robbie Amell não se transformou em um grande ator. Mas seu papel é perfeitamente escrito dentro de suas limitações. Tornando-o um protagonista de fácil identificação e um certo timing cômico. Mas a grande estrela do espetáculo é a cantora e compositora Andy Allo. Com sua doçura e a maneira como interage com os demais personagens, em especial com Nathan e seu pai, ela transforma-se rapidamente no coração da série. E sua química com Robbie é bastante palpável. Upload peca, no entanto, nos coadjuvantes. Que cumprem apenas funções básicas, sem muito charme.

Greg Daniels também acerta quando tira um tempo para fazer críticas sociais, em especial as que se referem ao enorme abismo financeiro entre classes sociais. Lake View, por exemplo, tem um espaço dedicado apenas aos mais pobres, conhecidos de forma pejorativa como dois giga. Existem também questões filosóficas sobre a forma como enxergamos a vida e as coisas que nos cercam. Nada muito profundo, longe disso, mas ainda assim satisfatório.

Upload pode acabar afastando aqueles que esperam um humor mais parecido com The Office. Mas é certo afirmar que a série tem suas próprias qualidades e consegue entreter ao longo de seus 10 episódios. Apesar de não acreditar em uma vida muito longa, pode valer a pena acompanhar seus próximos passos.