Charles Luis Castro

27 dez, 2021

Séries

Nova temporada amplia pontos positivos e expande a mitologia da série

A Netflix enxerga no universo de The Witcher uma possibilidade de preencher o vácuo deixado por Game of Thrones. Algo que todos os serviços de streaming parecem empenhados em conseguir também. Primeiro veio a animação focada no mestre de Geralt, e no próximo ano está marcada a estreia de uma série derivada, tudo no intuito de expandir a mitologia da saga do bruxo. No entanto, para o projeto funcionar, a produção principal precisa se manter firme. Felizmente, a nova temporada conserta boa parte dos deslizes do ano anterior e mostra potencial para crescimento.

O principal trunfo da segunda temporada de The Witcher está no roteiro mais conciso, que deixa de lado as múltiplas linhas temporais do primeiro ano. Isso facilita a compreensão do espectador que não tem contato com a história original escrita por Andrzej Sapkowski, assim como os jogos. A nova leva de episódios começa momentos após o reencontro entre Geralt (Henry Cavill) e Ciri (Freya Allan), desenvolvendo boa parte da trama em torno dessa relação praticamente paternal do bruxo com a criança prometida. Esse direcionamento também é crucial para que questões políticas sejam abordadas de maneira mais fluida, sem travar o desenvolvimento dos vários núcleos.

É possível afirmar que a primeira metade da temporada foca no desenvolvimento dos personagens e de seus novos momentos na trama. Com a presença de Ciri, Geralt deixa de parecer um robô que mata monstros e resmunga algumas palavras. Isso torna o trabalho de Cavill mais natural, dando ao protagonista uma forma de se conectar com o público. Yennefer (Anya Chalotra) também ganha novas camadas, com uma caminhada de tragédia e busca por redenção. Dos antigos rostos, é quem mais se beneficia do polimento do roteiro. Até mesmo o bardo Jaskier (Joey Batey) ganha uma nova função na narrativa, mas perde sua canção chiclete da temporada.

Porém, as coisas ficam mais complicadas na segunda metade. A alternância entre a jornada de Geralt, Ciri e cia. e as questões políticas da guerra pelo controle do Continente acaba apressando o desenrolar da trama. Existe a necessidade de posicionar determinadas peças no tabuleiro para a terceira temporada, o que demanda a resolução de algumas pontas soltas. Acrescente nessa fórmula a introdução de novos personagens, que precisam de tempo para um desenvolvimento apropriado. Por sorte, alguns deles saem ilesos desse atropelo. Destaque especial para Vesemir (Kim Bodnia) e Dijkstra (Graham McTavish).

Um dos pontos fracos de The Witcher na primeira temporada era o uso dos efeitos especiais. A segunda temporada apresenta uma melhora considerável, ainda que com ressalvas. Apesar de poucas cenas de luta, os monstros ganham contornos mais ameaçadores. No entanto, com o investimento da Netflix no projeto, é impossível não pensar que o resultado final poderia ser muito melhor. Por exemplo, os sinais de bruxo são extremamente parecidos durante o uso, tornando difícil para o espectador comum diferenciar suas funções e seus efeitos. Sem falar de algumas cenas em câmera lenta dignas de produções de baixo orçamento. O que não é o caso aqui.

Em linhas gerais, a segunda temporada de The Witcher apresenta uma evolução importante para a série. Alguns personagens novos funcionam bem ao lado de rostos já conhecidos, desenvolvendo de forma satisfatória determinados aspectos da trama e preparando o terreno para o futuro. Com ajustes no texto e um maior investimento nas questões técnicas, a produção tem tudo para se destacar ainda mais no vasto catálogo da Netflix.

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