O sétimo episódio da quinta temporada de The Boys , intitulado “O Francês, a Mulher e o Homem Chamado Leitinho de Mãe”, chega como o prenúncio do fim. Disponível no Prime Video, o penúltimo capítulo tem a missão ingrata de preparar o terreno para o desfecho da série e, no caminho, sacrifica um de seus personagens mais queridos. Se o episódio nem sempre acerta no ritmo ou na necessidade de suas explicações, acerta em cheio quando o assunto é impacto emocional.
O problema das explicações tardias
Com o final da série se aproximando, o episódio comete o pecado de dedicar tempo precioso a explicações que já deveríamos saber. A mais gritante é o monólogo de Synapse (Jeffrey Dean Morgan) sobre os perigos de seguir Butcher/Bruto (Karl Urban), uma conversa que não revela nada que o público já não tenha deduzido há temporadas. Igualmente deslocada é a cena em que Leitinho (Laz Alonso) conta a Starlight (Erin Moriarty) a origem de seu apelido. A história é fofa (ele cuidou de um passarinho ferido quando criança), mas soa como uma inserção tardia e desnecessária em um episódio que já luta para equilibrar múltiplas tramas.
A exceção positiva é o tratamento dado a Ashley (Colby Minifie). Sua ascensão à presidência dos EUA é contextualizada com eficiência, e seu passado conturbado é abordado de forma econômica, provando que é possível desenvolver personagens sem ocupar metade do episódio.
O Profundo e sua queda poética
Chace Crawford continua entregando uma das atuações mais subestimadas da série como o Profundo. Neste episódio, ele atinge o fundo do poço de forma magistral: Homelander/Capitão Pátria (Antony Starr) extingue os Sete, e o Profundo é demitido com um burocrático “desejando tudo de bom”. Pior, seu amigo tubarão Xander (que pega todos de surpresa com a voz de Samuel L. Jackson) o informa que, se ele pisar no mar novamente, será morto.
O Profundo, que construiu toda sua identidade em torno da água, agora não pode sequer salvar um homem afogado diante de uma plateia. É uma punição cruel e merecida e uma das subtramas mais bem construídas do episódio. Resta saber qual será seu papel no final, se é que ele terá um.

Frenchie
O grande momento do episódio, no entanto, é a morte de Frenchie (Tomer Capone). Após passar a temporada inteira flertando com a ideia de se aposentar e construir uma vida tranquila com Kimiko (Karen Fukuhara), Frenchie é morto por Homelander em uma cena que prioriza a intimidade sobre o espetáculo.
Não há explosões, não há câmera lenta heroica. Frenchie bate duas vezes na parede para desviar a atenção de Homelander de Kimiko, e então é atingido, fora da tela. A escolha de não mostrar o golpe fatal é acertada: o horror está na reação de Kimiko, que desaba em prantos sobre o corpo do amado. A atriz entrega o melhor uso de sua voz desde que começou a falar, e a cena é de partir o coração.
Frenchie morre como viveu: em silêncio, em segundo plano, mas sendo o alicerce emocional de quem amava. Sua ausência na final será um buraco difícil de tapar.
Homelander
Apesar de protagonizar a cena de morte e o momento final do episódio (forçando Soldier Boy (Jensen Ackles) de volta à criogenia), Antony Starr tem surpreendentemente pouco tempo de tela. Em um episódio que deveria preparar o confronto final, o grande vilão da série fica relegado a um vídeo promocional pastelão e a algumas aparições pontuais.
A esperança é que esta contenção seja estratégica, uma forma de economizar o personagem para um último ato avassalador. Se não for, será um erro de cálculo grave.

Novas Alianças e Velhas Esperanças
Enquanto isso, o plano para derrotar Homelander avança: Kimiko se oferece para ser irradiada até replicar o “explosão de peito” de Soldier Boy e desabilitar os poderes do tirano. Frenchie consegue convencer uma Sage/Sábia (Susan Heyward) deprimida (abalada por um “erro lógico” sobre o amor de Soldier Boy) a ajudar a mantê-la viva, usando referências a um reality show de namoro.
A cena em que MM reacende a esperança de Starlight é um dos momentos mais genuínos do episódio. Ele a lembra que “se importar” não é fraqueza, é a coisa mais corajosa que ela pode fazer. É um alívio bem-vindo em meio a tanta escuridão.
Crítica | 5ª temporada de The Boys prepara o terreno para o fim em “O Francês, a Mulher e o Homem Chamado Leitinho de Mãe”
“O Francês, a Mulher e o Homem Chamado Leitinho de Mãe” é um episódio de transição. Ele tropeça em explicações tardias e em um Homelander subutilizado, mas acerta onde importa: na morte dolorosa de Frenchie e na preparação emocional para o final. Resta saber se a série conseguirá converter toda essa expectativa em uma despedida à altura de seus personagens — e de seu público.
The Boys está em exibição no Prime Video.