The Boys: 5ª temporada | Crítica e resumo do episódio 2 The Boys: 5ª temporada | Crítica e resumo do episódio 2

The Boys: 5ª temporada | Crítica e resumo do episódio 2

Depois de um ótimo começo de temporada, o segundo episódio da temporada final de “The Boys” continua acertando. A série mostra que dá pra equilibrar ação, dilemas morais e o retorno triunfante (e explosivo) de um dos personagens mais amados da série. “Teenage Kix” é o episódio que traz tensões do grupo e apresenta o vírus supe assassino como a espada de Dâmocles que paira sobre o fim da temporada.

O vírus perfeito e o dilema do grupo

O episódio começa com uma revelação crucial: o vírus que Butcher/Bruto (Karl Urban) planejava usar contra Homelander está pronto e aperfeiçoado. O Dr. Sameer Shah (Omid Abtahi) concluiu seu trabalho, e agora o único obstáculo é testá-lo em um supe real.

O que deveria ser uma questão técnica, no entanto, rapidamente se torna um conflito ético irreconciliável. Butcher defende o uso do vírus para matar todos os supers – incluindo os 10 mil inocentes – como um mal necessário para salvar todos os humanos. Starlight (Erin Moriarty), para desespero de Hughie (Jack Quaid), concorda com ele. Kimiko (Karen Fukuhara) toma o partido de Hughie. Francês (Tomer Capone) e Leitinho (Laz Alonso) veem a necessidade, mas com ressalvas.

A cena em que Hughie confronta Annie é um dos bons da temporada até agora. Ele não está lutando contra um vilão; está lutando contra a pessoa que ama, que está disposta a sacrificar inocentes por um bem maior. É o problema em escala global, e a resposta de Starlight é fria, lógica e profundamente perturbadora vinda de uma personagem que um dia acreditou na redenção.

Teenage Kix: A Hype House dos Supers influenciadores

O alvo do teste é Rock Solid (Andrew Iles), membro de uma casa de influenciadores supers chamada Teenage Kix, uma paródia das Hype Houses do mundo real. O plano inicial é sequestrá-lo, mas ele cresceu descontroladamente e agora é uma montanha imóvel no porão. A explicação para seu tamanho é tão grotesca quanto se espera de “The Boys”: anos de masturbação assistindo a pornografia de vulcões, com direito a “lava” sendo expelida. É tudo tão nojento, absurdo e perfeitamente alinhado com o humor da série.

No meio da confusão, Leitinho encontra Condessa dos Corvos (Maitreyi Ramakrishnan), uma jovem supe que claramente não quer estar ali. Ela é forçada pela Vought a criar conteúdo para TikTok e fazer propaganda de batom. Leitinho, lembrando de sua própria filha, decide libertá-la em vez de deixar que os outros a matem com o vírus. É um dos momentos que mostra que o personagem ainda está consciente do está por vir.

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Soldier Boy volta furioso

Enquanto os planos mudam a cada minuto, Homelander (Antony Starr) liberta seu pai, Soldier Boy (Jensen Ackles), do congelamento criogênico da CIA. A cena em que os dois se reencontram é estranhamente comovente: Homelander quer um pai, um parceiro, alguém que preencha o vazio deixado por todos. enquanto Soldier Boy quer apenas ser solto e viver em seus próprios termos.

Homelander quer ele para caçar Butcher, omitindo convenientemente a existência do vírus. Soldier Boy aceita, em troca de um lugar nos Sete, um perdão presidencial e a chance de recuperar sua imagem pública. A perseguição que se segue é um dos destaques cômicos do episódio. Soldier Boy localiza Butcher e o confronto é lento: dois super-homens correndo em câmera lenta, como se estivessem arrastando âncoras.

O teste do vírus

No porão da Teenage Kix, Francês consegue enganar Soldier Boy. Ele troca o tubo do vírus por um vazio, veste uma máscara de gás e libera a arma biológica. Rock Solid e Jetstreak (Dylan Colton) morrem na hora. Soldier Boy desmaia, com bolhas se formando em seu rosto.

“Os Garotos” fogem, celebrando a aparente morte de dois de seus maiores inimigos. Homelander chega ao local, encontra o corpo do pai e, em um raro momento de vulnerabilidade, desabafa: “Por que todo mundo me abandona?”. Ele sai, e então Soldier Boy senta-se dentro do saco para cadáveres.

A cena final é um cliffhanger magistral. Não é surpreendente, afinal, não vimos o corpo realmente morrer, mas serve de lembrete de que o vírus pode não ser a bala de prata que Butcher esperava. Se Soldier Boy sobreviveu, o que impede Homelander de sobreviver também?

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Outros momentos de destaque

O episódio também dedica tempo a Ashley Barrett (Colby Minifie) , cuja segunda face (literal) na nuca continua a falar com ela. A “consciência tumoral” de Ashley parece ter opiniões fortes sobre suas ações, e a dinâmica entre as duas é perturbadora e engraçada ao mesmo tempo. A pergunta que fica: os outros ao redor ouvem a segunda face falando, ou é apenas alucinação?

Outro momento notável é a fidelidade de Butcher ao seu bulldog Terror. Em um mundo onde ele perdeu toda a humanidade, ainda há espaço para um carinho genuíno por seu cachorro. É um detalhe pequeno, mas que sugere que nem tudo está perdido.

Veredito do segundo episódio da 5ª temporada de The Boys: tensão máxima e questões morais sem resposta fácil

“Teenage Kix” é um episódio de transição e construção. Ele não tem o impacto emocional da morte de A-Train, mas aprofunda os dilemas centrais da temporada de forma inteligente. A discussão sobre matar supers inocentes é o coração filosófico da série neste momento, e a divisão entre os personagens reflete um debate real sobre meios e fins.

A introdução de Condessa dos Corvos é um acerto: ela humaniza o “outro lado” da guerra, mostrando que nem todo supe é um monstro – muitos são apenas jovens presos em contratos abusivos. E a sobrevivência de Soldier Boy, embora previsível, adiciona uma camada de complexidade: o vírus não é infalível, e a guerra contra Homelander exigirá mais do que uma arma biológica.

O episódio sofre um pouco com a sensação de “marcha no lugar” – saímos dele essencialmente no mesmo ponto em que entramos, com os Boys vivos, o vírus intacto e Homelander ainda no poder. Mas o ritmo é bom, o humor ácido está afiado e as atuações continuam boas.

Com Soldier Boy agora ciente da traição de Homelander e possivelmente inclinado a se aliar a Butcher, o palco está montado para um confronto final imprevisível. Resta saber quem sobrará no fim.