A quinta e última temporada de The Boys, disponível no Prime Video, estreia com a missão quase impossível de reconquistar a confiança do público após uma quarta temporada irregular e distante. Felizmente, o episódio “Quarentena Centímetros de Pura Dinamite” é exatamente o curso que a série precisava. Mais focada, mais sombria e buscando ser mais emocional, o episódio mostra que o showrunner Eric Kripke aprendeu com os erros e está determinado a entregar um final à altura dos primeiros anos. Assim esperamos.
The Boys um ano depois
A trama retoma um ano após o final da temporada anterior. Homelander/Capitão Pátria (Antony Starr) consolidou seu poder, assumiu o controle da Vought e instalou um presidente fantoche na Casa Branca. Seu regime de terror agora inclui os “Campos da Liberdade”, uma espécie de gulag privado e administrado pela Vought, onde dissidentes são presos arbitrariamente.
É em um desses campos que encontramos Hughie (Jack Quaid), Leitinho (Laz Alonso) e Francês (Tomer Capone), presos há meses e aguardando uma execução que sabem ser inevitável. A atmosfera é de desespero silencioso, e apenas Hughie mantém uma centelha de esperança, um contraste que mostra o amadurecimento de seu personagem.

A jogada de Starlight e a desinformação como arma
Do lado de fora, Starlight (Erin Moriarty) comanda operações de guerrilha contra o regime do Capitão Pátria. Sua grande cartada é invadir uma reunião de acionistas da Vought e transmitir ao vivo as imagens do Voo 37 (aquele momento lá da primeira temporada em que Homelander ameaçou matar os passageiros a tiros de laser).
A estratégia, porém, fracassa. Irmã Sábia (Susan Heyward) orquestra uma campanha de desinformação que atribui as imagens a deepfakes e inteligência artificial – algo muito parecido com que estamos vendo hoje, né? E a referência ao momento político atual é tão afiada quanto desconfortável: vivemos em uma era onde a verdade pode ser descartada como “falsa” com um clique.
Homelander, insatisfeito, exige mais. Ele quer uma armadilha: vazar a data da execução dos prisioneiros para atrair Butcher/Bruto (Karl Urban) e Starlight para um confronto final. E, de brinde, criminalizar qualquer simpatizante de Starlight, incluindo qualquer um que tenha postado memes maldosos sobre ele. O cara é uma piada.
Uma das surpresas do episódio é Ashley Barrett (Colby Minifie), agora vice-presidente. Ela desenvolveu poderes, mas também uma segunda face na parte de trás da cabeça (Professor Quirrell de Harry Potter?). Diferente do original, no entanto, esta segunda face parece ter boas intenções, como se Ashley tivesse desenvolvido uma consciência moral. A metáfora é óbvia, mas funciona: mesmo no coração do império, pode haver espaço para a dúvida.

O plano de Butcher, Kimiko e a redenção de A-Train
Butcher busca Kimiko (Karen Fukuhara) nas Filipinas, onde ela foi deportada. A grande surpresa: Kimiko agora fala. E fala muito. Sua nova habilidade verbal é estranha no início, mas logo se revela uma fonte de humor ácido. Ela é direta, sem filtros e diz exatamente o que pensa, incluindo comentários sobre o cheiro corporal de Starlight.
O grupo recruta mais um membro: o Verme (Ely Henry), um ex-roteirista da Vought substituído por IA (kkkkcrying). Seu poder é grotesco e útil: ele come terra e a expele tudo outro lado, cavando túneis rapidamente. Em uma espécie de piada que quebra a quarta parede, o Verme lamenta como é difícil escrever um final que agrade a todos — uma mensagem direta ao público sobre as expectativas para esta temporada final?
O clímax do episódio é o destino de A-Train (Jessie T. Usher). Recrutado por Starlight para a missão de resgate, ele inicialmente recusa. Mas uma visita ameaçadora do Profundo (Chace Crawford) o faz mudar de ideia.
Na fuga, quando Homelander está prestes a tacar laser na cara do Hughie, A-Train surge em velocidade supersônica, lembrando muito o Mercúrio do Evan Peters, que joga Hughie para fora do caminho e foge. Homelander o persegue.
A cena final de A-Train melhora narrativamente seu personagem. Em alta velocidade, ele vê uma mulher atravessando a estrada. Em vez de atravessá-la — como fez com a namorada de Hughie no episódio piloto — ele desvia. Ele voa pelos ares e cai no chão, exausto e ferido. Quando Homelander o alcança, A-Train não implora. Ele ri na cara do tirano. “Tirando esses poderes, o que você é?”, diz ele. Homelander esmaga sua garganta, mas A-Train morre sorrindo. É o encerramento perfeito para um dos arcos mais bem construídos da série.
Veredito do Episódio 1 da 5ª temporada de The Boys: Um começo promissor para o fim
O primeiro episódio da quinta temporada de “The Boys” acerta em cheio ao equilibrar ação, doses de humor e consequências reais. A morte de A-Train não é um choque gratuito; mas o desfecho de uma jornada de quatro temporadas. Antony Starr continua impecável como Homelander, alternando sempre entre a fúria infantil e a vulnerabilidade patética. E a decisão de trazer de volta o trauma do Voo 37 conecta o final da série às suas origens, criando um círculo narrativo prazeroso de ver.
O único senão fica por conta da previsibilidade de certas escolhas — o resgate na prisão, a desinformação vitoriosa — e da dificuldade em equilibrar o tom cômico com a gravidade da situação. Ainda assim, “Quarentena Centímetros de Pura Dinamite” é um anúncio confiante de que Kripke e sua equipe sabem para onde estão indo. Se o resto da temporada mantiver este nível, “The Boys” pode se despedir com a honra de ter corrigido o curso a tempo.