Raphael (Ph) Carmo

5 ago, 2016

Séries

Por muito tempo existiu um medo entre os fãs da hq Preacher de haver uma adaptação para o cinema ou séries, pois o quadrinho possui um humor bem peculiar cheio de escatologia, blasfêmia e muitos palavrões. Eu como um grande dos quadrinhos de Garth Ennis, fiquei empolgado mas com um pé atrás quando anunciaram a série encabeçada por Seth Rogen. Por muitas vezes eu tive que conter meu lado de fã enquanto assistia pois as mudanças foram imensas, mas ao final da temporada você entende qual foi o objetivo aqui. Confira o Review sem Spoilers!

Preacher conta a história do pastor Jesse Custer, que vive numa cidadezinha do Texas chamada Annville. Jesse é um beberrão e péssimo pastor mas sua vida muda quando é possuído por uma entidade que lhe dá o poder de fazer com que as pessoas façam o que ele mandar. A situação se complica quando aparecem outros personagens na cidadezinha: Dois anjos atrás de retirar essa entidade de Jesse, sua ex-namorada e parceira de crime Tulipa e o vampiro Irlandês Cassidy. Além disso, a cidade é comandada por um grande empresário do ramo de carnes, o estranho Odin Quincannon.

Elenco da série na frente da igreja

A grande diferença que os fãs da hq vão perceber é que a primeira temporada se passa toda dentro da cidade de Annville, muitas coisas foram mudadas e muitos personagens adicionados. Acho que o maior problema para mim é que a série toda pareceu um piloto do primeiro episódio, tanto que ela termina exatamente como começa a história dos quadrinhos. Não quero ser o chato aqui, mas é difícil me desprender de uma das minhas hqs favoritas, que já li duas vezes. Mas fora tudo isso, se o fã conseguir relaxar, ele vai conseguir se divertir bastante.

Cassidy usando um aerosol para fazer um lança chamas

A série possui dois grandes pontos fortes: sua direção e atores. Os produtores conseguiram trazer a bizarrice das hqs com cenas e diálogos que não existem na obra original mas que possuem um clima bem parecido, por vários momentos eu imaginava: isso bem que poderia ter sido escrito pelo Ennis. A fotografia da série também é fenomenal, com lindas cenas usando aquela cor amarela. O cast da série foi um grande acerto, os três personagens principais fazem personificações perfeitas ou até melhores que os originais, com destaque para o Cassidy, um dos personagens mais interessantes da hq, que foi lindamente interpretado por Joe Gilgun. Dominic Cooper faz um ótimo Jesse e consegue trazer muito do personagem em diversos momentos, mas como o nosso protagonista ainda está em construção, os leitores vão achar estranho algumas ações e crenças. Ruth Negga está linda e poderosa como Tulipa, é uma pena que o roteiro subaproveite demais a personagem, fazendo até que tenhamos raiva dela em alguns momentos por não ter muito o que fazer por ali e parecer um disco arranhado. Outro personagem que ficou bem caracterizado foi o Cara-de-Cu, apesar de sua cara não estar tão horrenda, a personalidade dele ficou bem traduzida.

Tulipa se encostando num carro e um cara morto com um milho na boca no chão

É aí que chegamos no maior ponto fraco da série: o texto em diversos momentos é sem graça ou desconexo, com frases que não fazem muito sentido e decisões que não levam muito a lugar nenhum. Apesar da direção estar muito boa e os personagens afiados, o texto deixa a desejar. Outro problema é que os produtores quiseram colocar vários elementos da hq nessa primeira temporada e apostaram muito no mistério. No final da temporada quando as respostas começam a chegar e você entende o que está acontecendo, faz sentido. Mas eu imagino que muitas pessoas possam ter desistido da temporada por deixar tudo muito sombrio e escondido. Eu tive uma boa experiência de assistir com minha irmã que é fã das hqs, em vários momentos ela dizia que não estava entendendo direito mas o mistério conseguiu prender a atenção dela, tanto que ela sempre se empolgava em ver o próximo episódio. É provável que a estratégia deles tenham funcionado, tanto que a série já foi renovada para a próxima temporada.

um jovem com a boca parecendo um...cu

Essa primeira temporada termina muito bem, com bastante bizarrice e um ótimo gancho para a próxima, onde aparentemente veremos mais da hq e mais personagens icônicos. É entranho porém uma decisão que ocorre ali no final que meio que ignora tudo que foi mostrado nessa temporada, achei uma decisão estranha introduzir vários personagens e tramas que não serão usadas mais no futuro, fico me perguntando o porquê de fazerem isso. Enfim, Preacher é uma série que vai divertir tanto os virgens no assunto como os fãs de carteirinha, mas somente se eles se desapegarem da obra original e aproveitarem uma série bem produzida e com um humor incomum na tv.

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