Diego Barbarossa

30 out, 2020

Séries

Original Netflix com o estúdio Powerhouse Animation, o Sangue de Zeus aborda a mitologia grega em animação

Produções baseadas na mitologia da Grécia não são nenhuma novidade – ainda mais quando apresentam um filho bastardo de deuses deste panteão como pauta principal. Mas é com essa ideia que Charley e Vlas Palapanides trazem a história de Heron e sua tragédia grega em O Sangue de Zeus, nova produção original da Netflix.

Se a temática com os famosos deuses gregos não for o bastante para despertar uma curiosidade sua, talvez, saber que a animação é produzida pelo Powerhouse Animation Studios, o mesmo por trás de Castlevania, também da Netflix, já potencialize o seu interesse.

Com uma primeira temporada de oito episódios, O Sangue de Zeus introduz a história de Heron e sua mãe, Electra, junto de um estranho velho que os ajuda sempre que pode. Sem uma figura paterna, é o velho, de nome Elias, que fala sobre a luta dos deuses contra os gigantes, que representam os Titã, e sempre tenta aconselhar Heron. Logo, dois personagens importantes surgem, Alexia e Seraphim, e a história avança demonstrando a ligação que todos estes personagens já possuíam.

De cara, já percebo muito do que o Powerhouse nos mostrou em Castlevania, só que com um orçamento menor, suponho. A animação é boa, mas não se sustenta ao longo dos episódios, onde dá para perceber um traço mais simplificado em ambientes mais genéricos ou o destaque de alguns personagens, principalmente, em suas cores, com o restante do ambiente.

O design dos personagens também foi uma escolha interessante, destacando os deuses mais frequentes como Hera, Apollo, Ares, Hermes e Zeus – além do visual adotado pela equipe para personificar os “demônios”, que em geral se tornou genérico, mas que traz uma boa sacada. Outro ponto interessante foi a forma que usaram para diferenciar cada Titã - cada um com um visual monstruoso, não somente no tamanho colossal, mas na aparência.

A trilha sonora, composta em toda temporada por Paul Edward-Francis, traz o tom épico necessário em diversas cenas, principalmente das lutas. Como é uma animação indicada para maiores de 18 anos, o estúdio colocou mais decapitações, mutilações e sangue jorrando, mas não creio que apenas isso torne a animação indicada somente para maiores de idade.

O roteiro, que é um dos pontos-chave aqui, é que deve proporcionar o peso da indicação de idade. Os irmãos Palapanides, que trabalharam com a Netflix em Death Note e já tinham escrito outra adaptação utilizando a mitologia grega, com Imortais (2011), buscam trazer um peso aos personagens humanos e deuses ao longo da temporada, mas creio que isso se perde um pouco no final – como no mistério por trás do passado de dois personagens que surgem quando Heron é preso. Esses pequenos dramas poderiam ter dado um peso a mais nessas subtramas.

Em geral, O Sangue de Zeus ainda possui potencial para desenvolver Heron e sua herança divina. O combate final apresenta muitas possibilidades futuras que a série pode abordar. A Powerhouse Animation ainda deve produzir bastante animações com a Netflix – que já está apostando em estúdios japoneses para trazer mais conteúdos de animação.

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