O Mundo Sombrio de Sabrina – Parte 3 (Netflix) | Crítica

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Apesar dos tropeços da nova temporada, O Mundo Sombrio de Sabrina segue deliciosamente profana

Todos nós sabemos que a adolescência é uma das fases mais complicadas da vida. São muitos altos e baixos e nem tudo costuma fazer sentido. Logo, chega a soar natural que uma série protagonizada por uma adolescente, que também é uma bruxa, passe por essa mesma montanha russa. Chegando em sua terceira parte, O Mundo Sombrio de Sabrina se mantém como um dos bons produtos originais da Netflix. Mas apresenta problemas que nem todos os poderes mágicos do submundo conseguem esconder.

Nas duas partes anteriores, a questão temática é bastante palpável: o amadurecimento da protagonista, lidando com a perda da inocência, e a busca pela emancipação, rejeitando o que é ultrapassado e tentando modernizar o cenário vigente. Aqui, no entanto, o objetivo é claramente expandir ainda mais esse rico universo, mesmo que em detrimento do desenvolvimento de Sabrina (Kiernan Shipka). Boa parte das novidades funcionam, mas falta um encaixe melhor com os elementos já apresentados. Uma clara ausência de sintonia que incomoda ao longo dos episódios.

Com apenas oito capítulos, o showrunner Roberto Aguirre-Sacasa precisa resolver as pontas soltas da temporada anterior enquanto desenvolve a nova parte da história. Porém, ao ignorar as “regras” do streaming, Aguirre aproxima O Mundo Sombrio de Sabrina de sua prima da TV aberta, Riverdale. Isso acaba colocando os holofotes em núcleos pouco inspirados, sacrificando assim outros com um potencial muito mais abrangente. Por consequência, o desenvolvimento de alguns personagens secundários acaba prejudicado.

Essa falta de foco é acentuada devido ao excesso de elementos presentes no novo ano. Sabrina precisa lidar com suas obrigações no Inferno, ao mesmo tempo que tenta viver como uma adolescente normal. Tem que salvar o homem que ama, proteger a família, os amigos, enfrentar pagãos, um rival que tenta tomar seu trono e uma série de apresentações musicais. Tarefas insossas até para bruxas com mais experiência.

Divulgação: Netflix.

Pelo lado positivo, O Mundo Sombrio de Sabrina sabe muito bem como explorar todas as possibilidades de seu vasto universo. O satanismo agora divide espaço com outras formas de bruxaria. E ver o Inferno como uma versão macabra do Mágico de Oz é certamente um dos pontos altos da temporada (vale destacar o trabalho de figurino e maquiagem da temporada). Até a busca por certos MacGuffins contribui para essa expansão de mitologia. Os pagãos, mesmo com um plano extremamente mirabolante, funcionam bem como uma nova ameaça.

A química entre o elenco também segue firme, embora precise lidar com o problema de núcleos citado no início do texto. Até mesmo os novos rostos conseguem se enturmar, ainda que o roteiro não dê muito espaço para os seus desenvolvimentos. Algo que pode ser consertado na próxima temporada.

Apesar dos tropeços, O Mundo Sombrio de Sabrina ainda tem potencial para crescer muito mais, basta analisar o gancho deixado para a próxima parte. Porém, precisa corrigir suas falhas o mais rápido possível. Antes que a magia se perca por completo.

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