Edipo Pereira

25 nov, 2021

Séries

Maya e os 3 Guerreiros (Maya and the Three, 2021) é uma das mais novas animações promovidas para os assinantes da Netflix, e o resultado é positivo: dotada de emoção e espírito aventureiro, a produção em formato de minissérie consegue seguir a cartilha do que há de melhor atualmente no ramo, realizando isso de um modo que, mesmo soando mais do mesmo em alguns momentos, conseguiu prender o espectador que vos fala.

Na história, em um mundo fantástico e repleto de magia governado por quatro reinos, Maya, uma corajosa princesa guerreira, está prestes a completar 15 anos e ser coroada. Mas os planos dela mudam completamente quando os deuses do submundo aparecem para anunciar que sua vida foi oferecida ao Deus da Guerra como um acerto de contas pelo passado secreto da família. A recusa da princesa trará graves consequências para o mundo todo, inclusive para as pessoas que ela mais ama. Para escapar desse destino terrível e salvar o mundo, Maya embarca em uma emocionante aventura para cumprir uma antiga profecia sobre a vinda de três guerreiros salvadores. Será que juntos eles vão conseguir derrotar os deuses e salvar a humanidade?

Você já assistiu Maya e os 3 Guerreiros antes

O desafio inicial de Maya e os 3 Guerreiros é não ser confundida com outra elogiada animação lançada há algum tempo, que é Raya e o Último Dragão. Além de Maya com Raya, o espectador mais atento irá relacionar mais temas parecidos dentro da trama como o valor da família, o poder da amizade, as profecias a serem reveladas e, claro, as garotas que podem e devem ser protagonistas de boas histórias.

Isso acaba levando a produção para o campo "mais do mesmo" em alguns momentos, como na discussão inicial da protagonista com sua mãe, advogando para que a garota se comporte como a princesa que ela está destinada a ser - ao invés de ficar se aventurando por aí. Se jogam na garota uma peruca e um arco poderíamos chamá-la de Merida, do desenho Valente (mais um que não esbanjou muita originalidade na sua época, apesar de divertido).

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Lembra das aulas de História?

Já deu pra entender que o grande lance aqui é esquecer que você já assistiu essa história em outra oportunidade, né? Se você conseguir relevar como eu relevei, vai encontrar uma aventura empolgante e muito bem conceituada nos mitos e deuses de culturas pré-colombianas, como os Incas, os Maias e os Astecas. Uma ótima pedida para relembrar as aulas de História, não?

Mesmo que não, é perceptível o bom embasamento do criador Jorge R. Gutiérrez e sua equipe para a concepção desse universo e seus personagens na produção da Netflix. Gutiérrez, que não é nenhum novato no mundo da animação (ele dirigiu Festa no Céu, de 2014) , consegue usar todo o tempo disponível para contar sua história sem deixar buracos ou preocupações com continuações.

E o modo como ele escolhe fazer isso dá muito certo. Maya é visualmente incrível em todos os sentidos, dotada de cores, iluminação e tonalidades que saltam na tela e embalam (muito) bem as cenas de ação. As referências usadas nos cenários ajudam a dar vida às cenas, e os personagens baseados em deuses e outros mitos desses povos que habitaram o continente americano são pra lá de carismáticos.

Os personagens e a narrativa

A dinâmica entre a protagonista e Zatz, que se apresenta a nós como um vilão, agrada a quem estiver interessado num amor improvável. Mas o coração da minissérie está nas amizades (algumas também improváveis) feitas pelo caminho, como quando Maya encontra seus três guerreiros, que são Rico, Picchu e Chimi. Mesmo na condição de coadjuvantes, esses personagens ganham muito destaque na trama e conferem saudável equilíbrio à narrativa da produção Netflix. Essa dose de profundidade é aplicada, inclusive, em personagens que geralmente ficam relegados a funções previsíveis como alívio cômico.

E assim Maya vai encontrando amigos e inimigos ao longo de sua jornada. Nela, a garota aprende lições importantes como a subjetividade da fé, uma vez que ela parte para sua aventura dotada de certezas que obviamente deverão ser testadas. Outro tema interessante que demanda cuidado é a morte por batalha, algo representado principalmente na figura de Picchi. A trama consegue apresentar o assunto de um modo muito sutil, que respeita a larga amplitude de idade de quem está assistindo, mas sem desrespeitar a inteligência de cada um.

Maya e os 3 Guerreiros é um ótimo programa para conferir com a família. Tá esperando o quê?

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