Crítica | Maniac (Netflix)

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Nova minissérie da plataforma traz reflexão sobre a solidão

Dentre a infinidade de projetos bancados pela Netflix, Maniac chega trazendo uma leitura sobre a solidão nos dias atuais, onde temos total acesso a informações e diagnósticos. No entanto, a produção destoa de filmes e séries mais voltados ao entretenimento puro (como Bright e A Barraca do Beijo) e se aproxima de trabalhos com viés independente, como OKJA, do diretor Bong Joon-ho.

Situada em um mundo e em uma época bem semelhantes aos atuais, Maniac conta as histórias de Annie Landsberg (Emma Stone) e Owen Milgrim (Jonah Hill), dois estranhos que chegam à última etapa de um experimento farmacêutico misterioso, cada um por seus próprios motivos. Annie está infeliz, sem rumo na vida e não consegue superar a relação difícil que mantém com a mãe e a irmã; Owen, o quinto filho em uma família de empresários de Nova York, lutou por toda a vida com um diagnóstico inconclusivo de esquizofrenia.

A ambientação acontece numa espécie de distopia retrô, um visual bastante particular imprimido por Cary Fukunaga, criador da minissérie. Nele, temos monitores antigos com animações dos jogos da era 8 bit, coisa antiga, ao mesmo tempo que há robôs nas ruas cuidando da higiene. Sendo um pouco precipitado aqui, é possível que esses extremos represente o desleixo da humanidade, que consegue grandes proezas tecnológicas mas não consegue, seja por ações equivocadas ou falta delas, cuidar de questões tidas como básicas, como a felicidade.

Jonah Hill e Emma Stone estão muito bem, se destacando individualmente em seus papéis com personagens complexos e interessantes. Sua “esquizofrenia inconclusiva” é muito bem abordada no âmbito familiar, onde, de forma sútil ou não, são reproduzidas diversas situações de abuso. Também se destacam Julia Garner pela agradável participação como Ellie, irmã de Annie. E também com muito destaque e importância o dr. James K. Mantleray (Justin Theroux) e sua mãe Greta Mantleray (Sally Field).

Estruturalmente, os episódios passam bastante rápido. Há uma gordura do meio para o fim, onde as histórias metafóricas não se fazem tão interessantes no início (mesmo com uma referência nerd direta com filmes de fantasia), mas conforme construímos um paralelo dessas histórias com o contexto de cada personagem, as coisas se tornam fascinantes.

A indústria farmacêutica chega a ser abordada, mas não vai muito além de uma ferramenta para o bom andamento da proposta. A crítica aos males desse mercado fica mais na caricatura, nada muito panfletário.

Maniac aborda sobretudo a solidão dos dias atuais, e as maneiras como lidamos com ela. É uma reflexão importante para qualquer pessoa que se preste ao raciocínio existencial.

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