Charles Luis Castro

25 ago, 2020

Séries

Com altos e baixos, Lucifer está de volta para encarar antigos desafetos e novos desafios

Oficialmente, Lucifer foi cancelada pela Fox ao final da terceira temporada. Contudo, a sensação de que a série possuía um certo potencial inexplorado ainda estava bastante presente entre os fãs. E como já é de conhecimento geral que a voz do povo é a voz de Deus, a Netflix decidiu trazer a atração das profundezas do inferno. O quarto ano, o melhor de todos até o momento, tornou evidente que o projeto ainda tinha o que oferecer. Porém, a primeira metade da quinta temporada aponta que essa jornada não pode se estender por muito mais tempo.

Os novos episódios desenvolvem o cenário deixado em aberto: Lucifer (Tom Ellis) voltou para o inferno, abandonando sua amada Chloe (Lauren German) e o restante da equipe para trás. Dois meses se passaram e agora acompanhamos as consequências desse ato e como ele afetou cada personagem de forma individual. A série mantém seu formato procedural, o que não seria um pecado tão grande se essa não fosse uma temporada numa versão especial. De certa forma por conta da pandemia, a Netflix dividiu a nova leva de capítulos - originalmente pensados como os últimos - em duas partes. E ainda que os oito primeiros possuam começo, meio e "fim", fica claro que esse carro está com o freio de mão puxado.

A principal ideia para modificar o status vigente foi escalar o arcanjo Miguel como grande vilão da temporada. Surpresa essa que havia sido pecaminosamente revelada no trailer de anúncio da temporada, estragando assim qualquer tipo de mistério. E por mais que seja divertido de acompanhar Tom Ellis trocar de sotaque, roupa e trejeitos ao longo dos episódios, o antagonista some tão rápido quanto é apresentado. Retornando na reta final apenas para revelar o óbvio: que estava por trás das maquinações contra Lucifer. Com direito a risada maligna e tudo mais.

Tom Ellis e Lauren German em cena de Lucifer. Divulgação: Netflix.

Por outro lado, se não podem entregar todo o desenvolvimento da história de uma vez, os showrunners Joe Henderson e Ildy Modorvich optam por trabalhar o crescimento dos personagens. Dentre alguns arcos interessantes, quem mais se destaca é Maze (Lesley-Ann Brandt) que ganha a chance de explorar um lado de sua personagem ainda inédito. Mesmo com pouco tempo, a série ainda encontra espaço para entregar alguns episódios divertidos, como o filmado em preto e branco ao estilo noir e de metalinguagem onde investigam um crime num set de filmagens de uma série sobre o Príncipe do Inferno que vira detetive da polícia. Desperdício de narrativa? Provavelmente. Legal de assistir? Com certeza.

Entre um crime e outro, a temporada acaba dando um foco maior na eterna novela mexicana do amor entre Chloe e Lucifer. Esse tipo de abordagem faz bastante sucesso entre os fãs, basta procurar os comentários nas redes sociais quando o trailer de anúncio foi revelado. Mas não significa que seja eficiente, na verdade passa longe disso. Se o objetivo é inflar a trama, outras opções poderiam ter sido consideradas. Porém, esperar algo diferente disso é basicamente chover no molhado.

O desempenho abaixo do esperado não faz desse começo de quinta temporada algo descartável. Existem elementos positivos, que conversam especialmente com os fãs de longa data (quem não gostava de Lucifer antes não vai começar a gostar agora). Com um cliffhanger bastante interessante para a segunda parte e a sexta temporada já confirmada, fica a esperança que a série saiba o momento certo de sair de campo. Diferente de outra atração ali que também lida com anjos e demônios...

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