Edipo Pereira

17 fev, 2017

Séries

Calmaria na ação, mas não na loucura: Legion continua excelente no segundo episódio

Foi com grande prazer que o CosmoNerd pôde acompanhar a estreia de Legion no Cinemark do Shopping Eldorado a convite da Fox. No evento, vimos (ao mesmo tempo que o espectador em sua casa) o primeiro episódio da série produzida por Noah Hawley (o mesmo de Fargo) para o canal FX. Passado esse debute (já leu nossos Review?), incluindo aí um eletrizante desfecho, é hora de uma esperada calmaria no segundo episódio da série. Mas isso não significa que queremos menos da loucura apresentada na estréia, certo?

Logo de cara descobrimos que Ptonomy (Jeremie Harris) possui o poder de manipular memórias, o que é a base para todo o segundo episódio pois é a partir disso que a Sra. Bird Jean Smart vai revisitar diversas memórias de David Haller (Dan Stevens), afim de ensiná-lo a controlar seus poderes. Tudo isso acontece em Summerland, uma espécie de refúgio e escola mutante.

As memórias vão desde a infância de David, onde é abordado o convívio com seus pais (ainda não nomeados), até o período pré internação com sua amiga Lenny (Aubrey Plaza). Porém, essas visitas ao passado estão com alguns pedaços em falta, o que levanta a questão a respeito dos poderes do protagonista. Aparentemente, ele não é um telepata como se conhece nesse meio. Para o público isso já está evidente, mas é interessante ver como o tratamento recebido em Summerland vai evidenciando tudo isso.

Claro que, na condição de telepata, David acaba aprendendo uns truques legais como controlar as vozes em sua mente. Isso permite os momentos mais descontraídos desse episódio de Legion, seja nos diálogos com Syd Barrett (Rachel Keller) ou mesmo na forma como ele aprende a "abaixar o volume" das vozes.

Michael Uppendahl é o diretor do segundo episódio, mas a mão de Noah Hawley (que além de criar também roteiriza e dirigiu o piloto) continua pesando aqui, e isso fica evidente em algumas cenas como quando David vai para uma máquina de ressonância magnética. Enfim, a liberdade estética aparentemente vai perdurar nessa primeira temporada e a pouca ação pode incomodar quem ainda não entendeu a proposta da série, que tem se mostrado muito detalhista. Aquela ida ao banheiro no meio do episódio pode lhe custar muito caro.

(SPOILER) Difícil saber o que esperar do próximo episódio, uma vez que a irmã de David termina sequestrada pelo capanda da Divisão Três, chamado por enquanto de "O Olho". Ao mesmo tempo, o protagonista é convencido a desistir de ir atrás dela. Mas a cena é sinistra. Agrada também a opção por não seguir grandes clichês. Por exemplo: o normal para qualquer filme ou série seria apresentar de forma didática quem são as pessoas que vivem em Summerland e como o local funciona, mas isso não se encaixaria muito bem aqui pois soaria como um X-Men genérico.

Legion é transmitido às quintas-feiras no FX.

 

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