La Casa de Papel – Parte 3 (Netflix) | Crítica

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Professor, Tokio, Rio e cia estão de volta para a Parte 3 de La Casa de Papel, série da Netflix que se tornou fenômeno mundial. Criada por Álex Pina, o programa se tornou de fato original da rede de streaming a partir desses novos episódios (os anteriores tiveram os direitos comprados junto à emissora espanhola Antena 3).

A trama mostra os membros da equipe desfrutando do dinheiro conquistado no golpe bem-sucedido contra a Casa da Moeda da Espanha. Eles se dividiram em duplas e ocultaram a localização entre cada grupo. Como nem tudo são flores, era de se imaginar que em algum momento um deles fosse pisar na bola e dar brechas para ser pego – foi o que aconteceu com Rio. Agora, um novo e ainda mais mirabolante plano precisa ser posto em prática para que eles consigam resgatar um dos seus.

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Como lembramos na breve análise feita do primeiro episódio, a Netflix optou pela estratégia de não mexer no time que está em vantagem, mantendo assim a essência do que consagrou La Casa de Papel no imaginário popular: episódios com muita ação, relacionamento interno (que irão interferir no plano em algum momento) e saídas mirabolantes de situações complicadas que serão explicadas em algum momento pela narração em off.

Isso não significa algo necessariamente ruim. Essa fórmula é perfeita para mantermos a maratona em dia frente aos lançamentos da Netflix, com apenas oito episódios que possuem em média 50 minutos. O uso dos personagens, dotados de carisma, é aplicado no teste de como as relações humanas podem acontecer frente às situações apresentadas na série.

Rio é uma pessoa mais pacata, enquanto Tóquio é uma figura inquieta. Denver é um bandido nato, enquanto não aceita muito bem que Mónica (agora Estocolmo) seja promovida como membra da equipe devido à sua inexperiência. Essas relações preenchem toda a série, algumas com maior grau de importância e outras menos.

Nesse sentido que é apresentado um novo personagem na série, que é Palermo (Rodrigo De La Serna). Seu envolvimento na trama é bem justificado, apesar dele acabar preenchendo uma lacuna deixada por Berlim (Pedro Alonso).

Vale ressaltar que ficou bem orgânico a forma como reintroduziram Berlim na série, usando como gancho um plano de roubo antigo, preterido pelo da Casa da Moeda por não ter passado no nível de eficiência do Professor (Álvaro Morte).

Isso acaba tirando um pouco o espectador do senso comum, de que o Professor sempre possui uma saída pra toda situação. Muito pelo contrário, dessa vez ele irá precisar lidar com imprevistos e lançar mão do improviso com maior frequência enquanto mantém seu relacionamento com Raquel (que agora é Lisboa, interpretada por Itziar Ituño), agora membra oficial da equipe.

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Acredito que a única forma de apresentar algo surpreendente em sua plenitude seria o roteiro caminhar para uma situação de encarceramento do Professor, ou algo que o deixasse fora de combate por algum tempo – forçando os membros da equipe a se organizarem sem o personagem mais cerebral de todos. Talvez algo do tipo esteja reservado para a Parte 4 de La Casa de Papel?

A narrativa continua muito ligeira e também contribui par a maratona de episódios. Uma recurso ainda mais usado dessa vez é usar o principal ícone da série – a máscara de Salvador Dalí – como um símbolo de luta e resistência à tirania estatal. Isso fica mais trabalhado pelo roteiro na questão de Rio, que está encarcerado e sofrendo tortura sem o conhecimento do público. Nesse ponto, a trama faz bastante referência a Alan Moore com V de Vingança e a máscara de Guy Fawkes. Isso é reforçado com o uso de manifestantes e a instauração do caos pelas ruas de Madrid.

Outro motivo pros fãs seguirem apreciando a série é o reforço das características que tornam os personagens carismáticos. Cada fala de Nairóbi (Alba Flores) é impagável, assim como as risadas débeis de Denver (Jaime Lorente) e a fofura do bruto Helsinque (Darko Peric). Até o intragável Arturo (Enrique Arce), que agora é uma espécie de coach ou influencer, dá as caras novamente rendendo piadas. Ele possui uma proximidade afetiva com Estocolmo e os outros, mas seu retorno se justifica apenas por isso, soando até forçado em alguns momentos.

Entre erros e acertos, La Casa de Papel – Parte 3 mostra algumas novidades apostando no certo. Por hora, é o suficiente, mas talvez seja preciso mais para a série encerrar de modo convincente o seu novo arco.