Kingdom – 2ª Temporada (Netflix) | Crítica

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Em seu segundo ano, Kingdom evolui e mostra que zumbis ainda são extremamente ameaçadores

Chegando com pouco alarde ao catálogo da Netflix, a primeira temporada de Kingdom trouxe um respiro narrativo para o desgastado gênero dos mortos-vivos – algo que Invasão Zumbi também havia feito alguns anos antes. A mescla de uma trama palaciana com uma infestação de desmortos era no mínimo interessante. Ainda que essa mistura não tenha sido executada da melhor maneira em seu primeiro ano. A boa notícia é que na segunda temporada todos os pontos estão muito bem amarrados e Kingdom consegue mostrar todo o seu poder.

O segmento sócio-político, antes o mais fraco da trama, agora conversa muito bem com o núcleo dos zumbis. E melhor, aproveita a multidão de comedores de carne para abordar nuances muito mais interessantes e menos maniqueístas. Dessa forma, nos poucos momentos em que os monstros não estão atacando, o espectador não terá motivos para sentir-se entediado. Ponto positivo para o desenvolvimento dos personagens, que acontece de forma gradual no decorrer dos poucos episódios.

Os diretores Kim Seong-hun e Park In-Je continuam explorando de maneira espetacular os aspectos técnicos de Kindgom. A segura reconstrução de época, a beleza dos figurinos, a fotografia inspirada e um domínio do espaço das locações externas que resultam em cenas poéticas e épicas na mesma medida. Até mesmo as hordas de zumbis passaram por uma clara evolução de suas coreografias, ampliando assim a ameaça que representam. Existe uma complexidade cinematográfica muito maior nessa segunda temporada. Mesmo que o CGI falhe em alguns pontos, ainda assim é perfeitamente possível se divertir com o que está em tela.

Divulgação: Netflix.

Porém, algumas questões acabam por afetar a qualidade dessa segunda temporada. A primeira é forma como a personagem Seo-bi (Bae Doona, de Sense8) é explorada. Da mesma maneira que na primeira temporada, Seo-bi funciona como uma comentarista dos detalhes técnicos por trás da planta que ressuscita os mortos. Mais um pouco e ela acabaria substituída por uma narração em off. Até mesmo quando é inserida nos momentos de ação, sua presença é quase nula. Um desperdício de talento.

Outra ponto que incomoda é o epílogo claramente pensado para emplacar a terceira temporada. Até antes desse momento, Kingdom entregava um encerramento bastante redondo, pouco visto em outras produções originais da Netflix. Infelizmente, a necessidade de explorar um produto até seu completo desgaste falou mais alto.

Independente dos problemas, Kingdom fincou sua bandeira no território das grandes produções sobre mortos-vivos. Consegue trabalhar bem boa parte de seus personagens, misturar humor, ação, drama e momentos épicos. E mesmo que relutante, aguardo ansioso a nova página dessa história