Márcio Bastos

1 jul, 2022

Séries

Série instiga nosso instinto detetivesco dando palco para Elisabeth Moss, Wagner Moura e Jamie Bell brilharem intensamente

Sendo bem direto: Iluminadas (Shining Girls no original) é uma baita série. Para você que chegou aqui sem muitas expectativas, acredite: essa é uma das joias televisivas de 2022.

Adaptada do best-seller homônimo da escritora sul-africana Lauren Beukes, Iluminadas reúne em seus ingredientes tudo o que faz um prato de respeito. Temos, antes de qualquer coisa, a reunião inusitada da excepcional Elisabeth Moss (The Handmaid’s Tale) com o brazuka Wagner Moura, que vai se chegando cada vez mais no mercado hollywoodiano. O que posso dizer sobre os dois é que ambos estão mais uma vez incríveis. O empenho dos atores em entregar um entretenimento de alto nível é de encher os olhos.

A série, que traz Leonardo DiCaprio como produtor executivo e Silka Luisa (Strange Angel) como showrunner, conta a história de Kirby Mazrachi (Moss), uma aspirante a jornalista de Chicago que, depois de sobreviver a uma tentativa de assassinato, investiga o paradeiro de um serial killer viajante do tempo (eu ouvi viagem no tempo?!) que escolhe como vítimas mulheres com potencial de alcançarem grandes feitos. Moura interpreta Dan Velazquez, um jornalista investigativo decadente que se junta a Kirby no encalço ao sociopata.

Com o tal serial killer escolhendo apenas mulheres como vítimas, a produção, que brinca com elementos do sci-fi, aproveita para lançar em seu texto um olhar voltado para o empoderamento feminino. Kirby – também uma vítima – e Dan querem dar voz a todas que foram mortas. Com isso, a série acena para a importância das mulheres que sofrem violência terem possibilidades de denunciar seus agressores.

Para equilibrar as pontas entre o “bem” e o “mal”, no papel do antagonista da série temos Jamie Bell (Rocketman), talvez em seu melhor momento da carreira. Bell encarna o ameaçador e onipresente Harper, um personagem cercado de mistério que, ainda assim, ataca sem cerimônia à noite ou sob a luz do dia, antevendo o movimento de todos no tabuleiro.

Podendo parecer confusa em alguns momentos por brincar com elementos temporais (vide Dark), a série do Apple TV+ foge do lugar comum com extremo louvor, tendo nas mãos de Michelle MacLaren (Game of Thrones), Daina Reid (The Handmaid’s Tale) e da própria Elisabeth Moss o comando dos episódios. As diretoras sustentam bem o tom sombrio, arquitetando a trama de forma fluida e engajante.

Colega, se você só surfa pelo mainstream assistindo apenas séries como Stranger Things, The Boys e Ms. Marvel, sinto lhe dizer, mas existe um mundo fora da caixinha. Se o seu caso é diferente e você curte dar aquela garimpada e ser surpreendido por uma narrativa inteligente e cheia de tensão, perfeita para criar teorias e montar quebra-cabeças a cada novo episódio, adiciona Iluminadas na sua lista que não vai se arrepender.

Assista abaixo uma conversa com Elisabeth Moss e Wagner Moura sobre a série que mostra o quanto a química entre os dois fluiu também nos bastidores:

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