Como vender drogas online (rápido) – Netflix | Crítica

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Aqui e acolá, a Netflix lança séries que conseguem surpreender, apresentando boas tramas que discutem questões pertinentes do mundo que a envolve. “Como vender drogas online (rápido)” é uma delas, ambientada numa pequena cidade alemã que tem como protagonista um aspirante a Steve Jobs.

A trama acompanha Moritz (Maximilian Mundt), um garoto que sonha em criar um grande negócio na área de tecnologia junto com seu amigo Lenny (Danilo Kamber). No entanto, Moritz está numa fase difícil pois acaba de levar um fora de Lisa (Lena Klenke), sua namorada que estava fazendo intercâmbio nos EUA. Ao invadir a privacidade da garota, ele descobre que ela tem usado drogas estimulantes como ecstasy, se aproximando demais do traficante e típico garoto mais desejado da escola, Daniel (Damian Hardung).

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A partir disso, Moritz passa a aentrar nesse mundo paralelo das drogas com a lógica intenção de recuperar a namorada, criando mais problemas conforme suas atitudes são executadas.

Com esse enredo, “Como vender drogas online (rápido)” consegue explorar algumas coisas interessantes.

Uma delas é de como nos relacionamos nessa era dos smartphones. Diálogos que antes teríamos com nosso melhor amigo offline acabamos direcionando aos que estão apenas na internet. Isso pode parecer comum mas é uma mudança brusca de comportamento e a relação entre Lenny e Moritz tenta explorar isso. Outro ponto interessante é o modo como se dão as relações amorosas nessa visão da série, onde o protagonista tem muita dificuldade em aceitar o abandono e passa a invadir a privacidade da ex.

Sobra até para o empreendedorismo. Muito inseridos na área da TI, Lenny e Moretz já tentaram diversas formas de fazerem sucesso com a nova grande invenção da humanidade, falhando diversas vezes não pela falta de conhecimento técnico, mas porque simplesmente é muito difícil surgir uma grande ideia por dia que seja aplicada e do nada mude o comportamento das pessoas. Lenny lida bem com essa questão, já Moretz sente o peso do mundo em suas costas, acompanhado de frases digna dos maiores coachs como “desistir não é uma opção”. No universo ficcional da série, é isso o que o leva a criar uma mecanismo massivo de venda de drogas pela internet.

Há também outras questões na trama que servem para novelizar da coisa toda, como um traficante de esteriótipo sociopata que acaba dificultando as coisas para os garotos, algo um pouco forçado mas que tem sua finalidade como entretenimento.

A série apresenta uma narrativa bastante frenética, usando de forma dosada quebra da quarta parede e as narrações em off para explicações mais técnicas, inclusive com um jogo de efeitos na edição para tornar essa comunicação mais dinâmica e lúdica. Em dado momento, há a opção de “pular explicação” no meio de um diálogo, emulando nosso costume de pular a abertura de algumas séries. Porém, essa dinâmica dura apenas algum tempo, e do meio pra frente a série segue uma estrutura mais conservadora para contar sua história.

Essas inserções, além de conversarem com a temática das drogas, são muito destacas por conta da fotografia da série. A paleta de cores respeita bastante as características esperadas de uma gélida cidade interiorana alemã, de aspecto bastante nublado na maior parte do tempo. Isso não impede a câmera de capturar planos ensolarados em momentos estratégicos, reforçando as paisagens naturais que toda cidadezinha pode possuir.

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Também é muito saudável quando a Netflix consegue acertar nessas séries fora dos EUA, como também aconteceu com a também alemã The Dark e a brasileira 3%. Isso reforça a atuação global da plataforma de streaming, e oferece narrativas que, mesmo que não sejam um primor de originalidade, tenha um certo frescor por visitar localidades pouco vistas na cultura pop.

Como vender drogas online (rápido) é aquela série para você acompanhar numa sentada: são apenas 6 episódios com cerca de 25 minutos cada. Vale a pena! É divertido e traz assuntos bacanas, além daquele clássico gancho para mais episódios.