Edipo Pereira

5 jul, 2021

Séries

Série da Netflix mantém abordagem realista frente a um apocalipse zumbi, mas consegue se aproximar positivamente do maior expoente do gênero que é The Walking Dead

Uma das coisas que mais gostei em Black Summer, série de zumbis lançada pela Netflix em 2019, era o fato dela fugir da ludicidade e da pieguice da maior expoente de todas dentro da temática, que é The Walking Dead. O resultado foi ótimo, dando ênfase a uma abordagem realista e mais condizente com o que imaginamos que seria um apocalipse de mortos-vivos. No entanto, a demora para a chegada de uma 2ª temporada foi muito grande. Será que podemos afirmar que o programa ainda se mostra digno de nossa atenção?

A série se passa seis semanas após o início de um apocalipse zumbi e apresenta Rose (Jaime King), que é separada de sua filha, Anna, e resolve embarcar em uma jornada angustiante até encontrá-la. Viajando na companhia de um pequeno grupo de refugiados na América do Norte, ela deve enfrentar um novo mundo hostil e tomar decisões brutais durante o verão mais mortal do apocalipse zumbi. Já na segunda temporada, com Rose e Anna finalmente juntas, vemos a luta das duas para sobreviver ao extremo frio, aos zumbis e aos humanos vivos.

Não é surpresa alguma dizer que esses três elementos proporcionarão desafios pra lá de complicados, mesmo que não sejam exatamente iguais.

Black Summer continua a mesma na 2ª temporada

Se diversas séries conseguem perder seu encanto após um início de sucesso, podemos garantir que Black Summer mantém sua essência nesta segunda temporada na Netflix trazendo, logo de cara, uma sensacional sequência de perseguição que mescla automóveis e zumbis. A angústia dos personagens é facilmente absorvida pelo espectador minimamente sensível a uma situação onde você precisa esgotar todas as suas energias físicas e mentais para ter alguma chance de sobreviver ao próximo dia.  Um detalhe interessante nesse início é que na curta narrativa apresentada temos um exemplo de como as pessoas podem abandonar facilmente sua solidariedade e empatia com o próximo, nos colocando na torcida pelo sucesso do zumbi sempre faminto por carne humana. Essa troca de perspectiva acaba dando um pouco do tom que a série deseja mostrar sobre o que resta da sociedade.

Desse modo, é seguro dizer que, no que diz respeito ao suspense, perseguições e brutalidade de um fim do mundo, a série continua entregando o que tem de melhor. No entanto, essas virtudes permitem que a qualidade do programa evolua.

Um quê de The Walking Dead na Netflix

O que quero dizer é que agora, passado tantos perrengues e mudanças de lado no jogo da vida (morta ou não), os personagens da trama carregam (ou possuem o potencial de carregar) certo carisma com o público, se aproximando do que tem marcado The Walking Dead, maior título quando tratamos de produções sobre zumbi.

Não que Black Summer possua seu próprio Negan, Michonne, Rick Grimes etc. Mas a verdade é que Rose é uma personagem casca grossa como poucas. Jaime King consegue transmitir toda a ira dessa mãe que fará absolutamente qualquer coisa para proteger a filha, deixando pouco espaço para palavras como empatia ou solidariedade quando formos defini-la.

As consequências dos seus atos na filha Anna são outro atrativo do que o programa está entregando e ainda pode entregar. Zoe Marlett está muito bem no papel e sua personagem está numa curva de desenvolvimento significativa. Ligado às duas de alguma maneira está Spears (Justin Chu Cary), que, após ser deixado para trás em condições sofríveis (mesmo levando em conta um apocalipse zumbi), ganha uma jornada interessante nesta 2ª temporada, inclusive com episódio dedicado exclusivamente a ele. Por fim, Sun continua sua busca por sobrevivência e alguém que a entenda, visto que a coreana não fala inglês e esse fato não a impede de ser uma figura interessantíssima.

Como novidade, temos o militar Ray Nazeri (Bobby Naderi), daqueles com imenso potencial psicopata numa situação como a dessa história.

Pesa contra a excelente produção e montagem a pouco envolvente motivação maior da trama, onde a princípio não entendemos bem os conflitos que estão acontecendo ali. Quando as ações se movem para o clássico desfecho de "vamos pegar um avião para fugir daqui", ao menos temos um norte para nossas expectativas em relação à história. Pessoalmente, senti falta daqueles resumos que a Netflix faz antes do início de cada temporada (não sei se outros espectadores tiveram, mas eu não).

Claro que a série da Netflix jamais irá alcançar a dimensão da produção que adapta os quadrinhos Robert Kirkman. Isso é óbvio. Porém, se tudo continuar bem até o final, Black Summer terá conseguido mostrar que nem só de The Walking Dead vive as produções de zumbi.

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