Vida Privada (A Private Life, 2025) Crítica do Filme com Jodie Foster Vida Privada (A Private Life, 2025) Crítica do Filme com Jodie Foster

Vida Privada (A Private Life, 2025) Crítica do Filme com Jodie Foster

Em Vida Privada (A Private Life, no original Vie privée), Rebecca Zlotowski parte de uma premissa que parece apontar para um suspense policial, mas logo revela intenções diferentes. O filme (disponível na HBO Max) acompanha Lilian, psiquiatra interpretada por Jodie Foster, que entra em crise depois da morte de uma paciente, Paula (Virginie Efira). Convencida de que a mulher não cometeu suicídio, ela passa a investigar as circunstâncias da morte por conta própria.

O problema é que Lilian não está exatamente em condições de conduzir uma investigação. Ao mesmo tempo em que questiona se ignorou sinais importantes durante o tratamento de Paula, a psiquiatra enfrenta dificuldades na relação com o filho, Julien (Vincent Lacoste), e começa a apresentar um comportamento emocional que foge completamente de seu habitual controle. A investigação, então, funciona como uma extensão de sua própria crise.

É justamente nessa contradição que Vida Privada encontra seu principal interesse. Lilian acredita estar utilizando sua experiência profissional para chegar à verdade, mas suas decisões são cada vez mais influenciadas por culpa, insegurança e necessidade de encontrar uma explicação. A personagem se torna uma espécie de narradora não confiável de sua própria história, enquanto o público precisa decidir até que ponto suas teorias fazem sentido.

O roteiro também não se limita ao mistério. A produção mistura drama familiar, humor negro, romance e elementos ligados à hipnose, criando uma narrativa deliberadamente difícil de encaixar em um único gênero. Algumas dessas mudanças de tom funcionam melhor do que outras, mas ajudam a afastar o filme da estrutura tradicional de um thriller.

Jodie Foster é o principal ponto de equilíbrio da produção. Atuando majoritariamente em francês, a atriz constrói uma Lilian contida, rígida e pouco disposta a demonstrar vulnerabilidade. Aos poucos, porém, essa postura começa a ruir. A interpretação permite perceber que a investigação sobre Paula é também uma tentativa de Lilian recuperar algum controle sobre a própria vida.

Como mistério, Vida Privada pode decepcionar quem espera uma grande revelação ou uma resolução especialmente impactante. A descoberta do que aconteceu com Paula não é o verdadeiro objetivo da narrativa. O caso serve principalmente para colocar a protagonista diante de suas próprias contradições.

Crítica do filme: vale a pena assistir Vida Privada (A Private Life, 2025) na HBO Max?

Rebecca Zlotowski aposta mais na atmosfera e na interioridade da personagem do que no suspense convencional. Referências à espiritualidade, ao judaísmo e à própria prática psiquiátrica ampliam o universo do filme, embora alguns desses elementos pareçam pouco desenvolvidos.

No fim, Vida Privada funciona melhor como um estudo de personagem do que como um thriller. A trama utiliza o mistério para discutir culpa, confiança, relações familiares e a dificuldade de uma profissional acostumada a analisar os outros lidar com aquilo que não consegue compreender em si mesma. O resultado é irregular, mas a atuação de Jodie Foster e a abordagem pouco convencional de Zlotowski fazem do filme uma experiência interessante.