Twisters (2024) - Crítica do Filme com Glen Powell Twisters (2024) - Crítica do Filme com Glen Powell

Twisters (2024) | Crítica do Filme com Glen Powell

A chegada de Twisters (2024) ao catálogo da Netflix Brasil reacende a memória de um dos grandes filmes de desastre dos anos 1990. Dirigido por Lee Isaac Chung, o longa funciona como uma continuação espiritual de Twister (1996), atualizado para um novo público e sustentado, sobretudo, pelo carisma de Glen Powell, que assume o papel de principal força magnética da produção. Mesmo com desequilíbrios evidentes, o filme se consolida como um espetáculo eficiente dentro da lógica do blockbuster contemporâneo. Leia a nossa crítica do filme.

A narrativa começa acompanhando Kate Carter (Daisy Edgar-Jones), uma cientista de Oklahoma obcecada pela dinâmica dos tornados e determinada a encontrar formas de reduzir seu potencial destrutivo. A sequência inicial, ambientada durante uma perseguição mal-sucedida a uma supercélula, estabelece o trauma que define a personagem: a morte de colegas próximos e a interrupção abrupta de uma carreira promissora em campo. Entre os sobreviventes está Javi (Anthony Ramos), figura que reaparece anos depois como elo entre passado e presente.

Cinco anos após a tragédia, Kate vive em Nova York, afastada das tempestades e marcada física e emocionalmente pelo ocorrido. Javi, por sua vez, retorna à região como parte de um projeto empresarial de interesses questionáveis. É nesse contexto que surge Tyler Owens (Glen Powell), um caçador de tornados carismático, cercado por uma equipe que transformou a perseguição a fenômenos extremos em entretenimento digital. O encontro entre Kate e Tyler segue a cartilha clássica do gênero: atrito inicial, choque de visões e uma aproximação gradual baseada em competências complementares.

Se existe um ponto de fragilidade em Twisters, ele está na condução da protagonista. Edgar-Jones adota uma interpretação contida, que contrasta com a energia exigida por um filme dessa escala. A comparação com Helen Hunt, protagonista do longa original, é inevitável. Falta a Kate uma presença mais assertiva, capaz de equilibrar a força expansiva de Powell em cena. Ainda assim, o ator sustenta boa parte do ritmo narrativo, funcionando como motor emocional e narrativo do filme.

Do ponto de vista técnico, Twisters entrega o que promete. As sequências de desastre são bem construídas, com destaque para uma cena ambientada em um cinema, onde moradores se refugiam enquanto o tornado literalmente atravessa a tela. O momento assume um caráter metalinguístico ao lembrar que certos filmes são pensados para a experiência coletiva da sala escura, mesmo quando acabam migrando para o streaming.

Twisters

Lee Isaac Chung também imprime sua sensibilidade autoral ao retratar o interior dos Estados Unidos, explorando paisagens amplas e comunidades frequentemente ignoradas por produções desse porte. Assim como em Minari, o diretor demonstra interesse pelo impacto das forças externas — aqui, naturais — sobre pessoas comuns. Embora o roteiro evite mencionar diretamente as mudanças climáticas, a escalada da destruição funciona como comentário implícito sobre um mundo em desequilíbrio.

Crítica do filme: vale à pena assistir Twisters?

O desfecho romântico, no entanto, soa incompleto. A opção por conter o clímax emocional enfraquece uma trama que já abraçava convenções clássicas do cinema hollywoodiano. Ainda assim, Twisters cumpre seu papel: entrega ação, espetáculo visual e uma dose calculada de nostalgia. Pode não superar o impacto do filme de 1996, mas se estabelece como um entretenimento sólido, agora acessível ao público brasileiro pela Netflix.