The Rookie - Crítica e resumo do episódio 18 (final) da 7ª temporada The Rookie - Crítica e resumo do episódio 18 (final) da 7ª temporada

The Rookie – 7ª Temporada | Crítica da Série

A 7ª temporada de The Rookie chega ao catálogo da Netflix agora em janeiro com a promessa de um encerramento marcante, mas o episódio final, intitulado “The Good, the Bad, and the Oscar”, acaba entregando uma conclusão que se assemelha mais a um capítulo comum da série do que a um verdadeiro final de temporada. Mesmo após sinais de recuperação ao longo do meio do ano, a produção da ABC encerra seu sétimo ciclo de forma morna, com decisões narrativas que diluem o impacto dramático e deixam mais frustração do que expectativa para a 8ª temporada.

Nos episódios intermediários, The Rookie demonstrou fôlego ao articular tramas paralelas e conflitos que dialogavam entre si. Esse equilíbrio, no entanto, se perde no desfecho. O episódio 18 retoma o arco de Oscar Hutchinson, fugitivo desde o final da 6ª temporada, revelando que John Nolan vinha acompanhando seus passos fora de cena. A revelação soa abrupta, já que o personagem simplesmente desapareceu da narrativa ao longo da 7ª temporada, sem qualquer menção consistente que preparasse o terreno para esse retorno.

A investigação leva Nolan a atuar temporariamente como detetive ao lado de Harper, com autorização do tenente Grey. A dupla consegue localizar Oscar, mas o antagonista escapa mais uma vez, adiando novamente um desfecho que já parece excessivamente postergado. Como complemento, o episódio traz o retorno de Monica, agora protegida por um acordo de imunidade. Ainda assim, a reaparição da personagem carece de impacto, funcionando mais como um gancho protocolar do que como um verdadeiro ponto de virada.

Um dos principais problemas do final da 7ª temporada de The Rookie é a ausência de tensão. Em nenhum momento o episódio transmite a sensação de encerramento ou de consequência real para os personagens. Curiosamente, o episódio 8 da temporada conseguiu cumprir melhor esse papel ao interligar tramas como o incêndio florestal, a caçada a Liam Glasser e os Sixth Street Devils, culminando em um gancho mais eficiente do que o apresentado no episódio final.

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Em vez de se concentrar nos vilões e nos conflitos centrais, o capítulo desperdiça tempo com casos episódicos que não contribuem para o arco maior da temporada. A história envolvendo uma mulher que engana o marido pela internet e a trama da Frente Oriental, que coloca Miles em risco, são resolvidas rapidamente e não deixam consequências narrativas. São conflitos que poderiam estar em qualquer outro episódio regular da série, sem prejuízo algum para a continuidade.

Essa dispersão enfraquece ainda mais o retorno de Oscar e Monica. No caso de Oscar, a narrativa depende excessivamente de conveniência: após meses fora do radar, ele retorna sem uma construção gradual, apenas para escapar novamente. O resultado é a sensação de estagnação, como se o arco do personagem estivesse sendo mantido em suspenso artificialmente para uso futuro, possivelmente apenas no final da 8ª temporada.

Já Monica sofre com a falta de desenvolvimento ao longo da 7ª temporada. Tirando uma breve aparição no episódio 11, a personagem foi praticamente ignorada. Sua volta no episódio final, portanto, não carrega peso emocional nem oferece pistas claras sobre seu papel daqui para frente. Sem contexto ou preparação, o público tem dificuldade em se importar com o que sua presença realmente significa para os personagens ou para os rumos da série.

Outro ponto central do episódio era o aguardado reencontro entre Tim Bradford e Lucy Chen, conhecido pelos fãs como Chenford. A promessa de uma conversa definitiva entre os dois se mostra frustrante. Embora Tim finalmente tente abordar seus sentimentos, a cena termina de forma inconclusiva quando Lucy adormece antes de ouvir a conversa. O episódio se encerra sem confirmar se houve ou não uma reconciliação, adiando novamente uma resolução que já vinha sendo construída há meses.

The Rookie - Crítica e resumo do episódio 18 (final) da 7ª temporada

A condução desse arco evidencia uma falha recorrente da temporada: a série opta por sugerir mudanças nos personagens sem mostrá-las de forma concreta. A evolução de Tim, apontada como necessária para que ele se tornasse o parceiro que Lucy merece, é mais declarada do que dramatizada. Com isso, uma possível reconciliação perde força, pois não se apoia em ações claras ou transformações visíveis ao longo da narrativa.

Pensando no futuro, a 8ª temporada de The Rookie tem a oportunidade de corrigir os equívocos do sétimo ano. Para isso, será essencial investir em vilões mais bem desenvolvidos, especialmente Monica, que precisa assumir um papel central e consistente caso realmente seja a grande antagonista da próxima fase. Além disso, a série precisa voltar a apostar em tramas com consequências reais, evitando episódios facilmente esquecíveis.

No caso de Chenford, talvez o caminho mais eficiente seja deixar os conflitos mal resolvidos da 7ª temporada para trás e reconstruir a relação com um arco mais sólido e coerente. O final da 7ª temporada não compromete o potencial da série, mas evidencia a necessidade de escolhas narrativas mais ousadas e focadas para que The Rookie recupere o impacto que já demonstrou ser capaz de alcançar.