O episódio 8 da 2ª temporada de The Pitt, lançado na HBO Max na noite de 26 de fevereiro, aprofunda as consequências diretas do ataque cibernético que paralisou o sistema do Westbridge e obrigou o PTMC a operar em modo totalmente analógico. Sem tecnologia, sem prontuários digitais e sem suporte informatizado, o pronto-socorro entra em um estado de tensão contínua que transforma cada decisão médica em um risco calculado. Confira a crítica e resumo do episódio.
Recapitulação do episódio 8 da temporada 2 de The Pitt
Logo no início do episódio, fica claro que o apagão não é apenas técnico, mas estrutural. Robby ainda digere o fato de que a decisão de desligar todo o sistema partiu do CEO Trent Norris sem consulta direta à chefia do pronto-socorro. A discussão com Baran, iniciada no episódio anterior, é temporariamente adiada porque a prioridade passa a ser ensinar a equipe a trabalhar “como antigamente”. Quadro branco, anotações manuais e memória humana substituem telas e alertas automáticos.
Nesse contexto, Joy se destaca ao revelar uma memória fotográfica impressionante. Após Whitaker falhar ao registrar os dados dos monitores antes do desligamento, é Joy quem reconstrói praticamente todo o quadro clínico dos pacientes de cabeça, permitindo que Baran organize as informações no painel manual. O momento reforça um dos temas centrais da temporada: tecnologia ajuda, mas pessoas ainda sustentam o sistema quando tudo falha.
Enquanto Dana permanece focada no delicado atendimento de Ilana, Princess assume a liderança operacional do pronto-socorro. Robby e Abbot passam a circular entre as equipes, oferecendo instruções rápidas e soluções improvisadas para procedimentos que normalmente dependeriam de equipamentos digitais. A ausência da inteligência artificial nos registros médicos, curiosamente, reduz conflitos e retrabalhos, deixando claro que a promessa de eficiência nem sempre se cumpre na prática.
O episódio também avança em arcos emocionais importantes. Santos finalmente consegue atender Harlow de forma adequada com o apoio de uma intérprete de LIBRAS. O diagnóstico é simples, mas revelador: dores de cabeça e tensão muscular causadas por postura inadequada e excesso de tempo diante do computador. A resolução do caso contrasta com o erro cometido anteriormente com Debbie e funciona como um pequeno respiro narrativo — além de um lembrete de que nem toda ameaça no pronto-socorro é imediata ou fatal.
Já Roxie segue como um dos núcleos mais sensíveis do episódio. A chegada de seus pais muda o clima do quarto e expõe o conflito entre o desejo da família de mantê-la em casa e a decisão da própria paciente de permanecer internada. Paul, embora movido por preocupação genuína, acaba pressionando Roxie emocionalmente. Quando McKay sugere ajustar a medicação para aliviar a dor, Robby autoriza o aumento mesmo diante dos riscos, deixando implícito que, para ele, a prioridade é o conforto — ainda que isso levante dilemas éticos difíceis.
Outro arco relevante envolve a bebê Jane Doe. Baran e Samira entram em conflito com o Dr. Desmond Wolke sobre o destino da criança, que apresenta rinovírus, mas não tem para onde ir após a alta. A discussão escancara falhas do sistema de saúde e assistência social, além de abrir espaço para um diálogo mais íntimo entre Baran e Samira sobre vocação profissional. Baran enxerga em Samira um talento natural para o cuidado com idosos, algo que ela nunca havia considerado seriamente até então.

Howard Knox e o caso mais complexo do episódio
O caso médico mais complexo do episódio é o de Howard Knox, um paciente com dor abdominal, febre e obesidade severa. Embora tratado com respeito por Robby, McKay e Whitaker, Knox sofre comentários insensíveis de Ogilvie, que acabam sendo confrontados diretamente. A dificuldade não está apenas no diagnóstico, mas na logística: posicioná-lo para exames, garantir ventilação adequada e encontrar um tomógrafo que suporte seu peso. A possibilidade de transferi-lo para outro hospital — ou até usar equipamentos destinados a animais de grande porte — ilustra o nível de improviso exigido pelo apagão.
Paralelamente, Baran, Mel e Samira atendem Brooke, que apresenta perda súbita de visão em um dos olhos. Sem acesso a exames digitais tradicionais, a equipe recorre a um fundoscópio adaptado a smartphone para avaliar a retina. A suspeita de um “AVC ocular” leva a uma decisão difícil: administrar ou não um trombolítico, com riscos claros. Brooke opta pelo tratamento, e Mel permanece ao seu lado para monitorar possíveis complicações, ganhando tempo emocional para se preparar para seu depoimento iminente.
No núcleo psiquiátrico, Victoria participa de uma conversa fundamental com Nicole Steadman, mãe de uma jovem diagnosticada com esquizofrenia. Nicole ajuda os pais de Jackson a entender que o diagnóstico não significa o fim da vida como a conheciam, mas o início de uma nova adaptação. A série trata o tema com cuidado, reforçando que acompanhamento, medicação e tempo são mais importantes do que respostas imediatas.
Langdon e Santos seguem em rota de colisão. O atendimento de Jackie, que mordeu a própria língua em um acidente banal, expõe a tensão não resolvida entre os dois. Langdon se afasta para evitar conflito, mas retorna para concluir o procedimento, mostrando esforço em manter o profissionalismo mesmo diante da rejeição. McKay, por sua vez, oferece conselhos diretos a Langdon sobre recuperação e responsabilidade, reforçando um elo silencioso entre os dois.

Crítica do episódio 8 da 2ª Temporada de The Pitt
O episódio encontra seu centro emocional no retorno definitivo de Dana ao comando operacional. Após concluir o atendimento de Ilana, incluindo a coleta de evidências e a administração de medicamentos preventivos, Dana percebe que ainda está plenamente conectada ao trabalho. Ao guardar o kit forense, ela encontra outro esquecido há semanas, o que a leva a confrontar a polícia e exigir providências imediatas. O gesto simboliza sua retomada de controle — não apenas do setor, mas de sua própria identidade profissional.
O encerramento do episódio evita grandes reviravoltas. Robby e Dana observam o centro de operações ainda caótico e reconhecem que aquilo é apenas o começo. Restam horas de plantão, sem suporte técnico, com equipes no limite físico e emocional. O episódio 8 de The Pitt funciona como a calmaria antes da tempestade, preparando o terreno para um segundo ato de temporada mais intenso, onde a resistência humana será testada até o limite.