O episódio 2 da 2ª temporada de The Pitt, intitulado “8:00 A.M.”, dá continuidade direta aos conflitos apresentados na estreia do novo ano e aprofunda o principal embate da série neste momento: a disputa de liderança entre Robby e Baran Al-Hashimi. Ambientado na segunda hora do mesmo plantão de 12 horas, o capítulo mantém o ritmo intenso, alternando casos médicos complexos com tensões pessoais que ameaçam comprometer o funcionamento do pronto-socorro às vésperas do 4 de julho. Confira a nossa análise crítica e o resumo do que rolou no episódio 2:
Recapitulação do episódio 2 da 2ª temporada de The Pitt
Quem é o misterioso bebê?
Logo no início do episódio 2×02, a série deixa claro que o mistério do bebê abandonado no banheiro ainda está longe de uma resposta definitiva. Após o silêncio inquietante de Baran no episódio anterior, o que se vê agora é uma postura mais cautelosa. Ela pede que Samira e Jesse a mantenham informada sobre os exames, mas evita comentar o que realmente a abalou. Essa escolha narrativa prolonga o suspense e transforma o bebê em uma sombra constante sobre todas as decisões clínicas do episódio.
Em paralelo, o caso de Kylie continua sendo uma fonte de atrito entre Robby e Baran. Santos tenta avançar com cuidado, mas se vê no meio de abordagens opostas: Robby incentiva que ela confie em sua percepção clínica, enquanto Baran insiste em um processo mais estruturado, baseado em dados e avaliações formais. A discussão evidencia não apenas um choque de métodos, mas duas visões distintas sobre responsabilidade médica. Santos, por sua vez, deixa claro que não quer tratar a menina a partir de suposições, reforçando a complexidade ética do caso.
O primeiro grande atendimento da hora envolve Allen Billings, um trabalhador atingido por um palete de telhas, com uma luxação exposta grave no braço. O caso funciona como um microcosmo do conflito central da temporada. Baran prefere transferir o paciente para a cirurgia ortopédica, seguindo o protocolo. Robby, pressionado pelo tempo e pela gravidade da lesão, opta por resolver o problema ali mesmo, no centro de trauma. A sequência é crua, tensa e desconfortável, reforçando a proposta realista da série. O sucesso do procedimento não encerra a discussão, apenas adia um debate maior sobre autoridade e tomada de decisão.
Esgotamento emocional
Enquanto isso, Mel começa a demonstrar sinais mais evidentes de esgotamento emocional. O depoimento judicial que ela precisa prestar paira como uma ameaça constante, e a comparação involuntária entre sua trajetória e a ficha “impecável” de Baran só agrava sua insegurança. O episódio acerta ao tratar esse medo sem exageros, mostrando como processos legais afetam médicos mesmo quando não há culpa comprovada.
Entre os estudantes, Joy continua se destacando negativamente por sua apatia. Durante um procedimento delicado em Louie, ela se mantém distante, enquanto Ogilvie demonstra interesse excessivo e crescente autoconfiança. A dinâmica entre os dois sugere que a série está preparando um confronto mais explícito entre talento técnico e maturidade emocional, algo que Robby observa, mas ainda não enfrenta diretamente.
O episódio também reserva espaço para momentos que misturam humor desconfortável e crítica social. O caso da irmã Matthews, diagnosticada com gonorreia ocular, é tratado com seriedade médica, mas permite diálogos que aliviam a tensão sem banalizar o problema. Já a situação de Digby, cujo gesso revela uma infestação de larvas, reforça o retrato da negligência estrutural enfrentada por pacientes em situação de vulnerabilidade extrema.
No núcleo pediátrico, novas informações sobre o bebê abandonado começam a surgir. Embora os exames iniciais não indiquem algo imediatamente fatal, a necessidade de testes toxicológicos e de HIV reacende teorias levantadas desde o episódio anterior. A reação de Baran continua contida, mas agora menos enigmática e mais focada em controle. Ainda assim, sua tensão é perceptível, especialmente quando Robby passa a chamá-la por apelidos que ignoram sua preferência pessoal, um detalhe que escancara microagressões e revela um lado menos empático do protagonista.
A relação de Robby com Hastings, a assistente social, ganha contornos mais problemáticos quando decisões médicas começam a ser influenciadas por questões administrativas e de seguro. A transferência de Allen para outro hospital, aceita com facilidade por Robby, contrasta com sua postura inflexível na primeira temporada. McKay e Dana percebem a mudança, e a série sugere que o envolvimento pessoal de Robby pode estar comprometendo seu julgamento profissional.
Outro ponto de destaque é o retorno de Langdon ao centro da narrativa. Seu atendimento a Mel, após a fuga de Sanders — posteriormente revelado como suspeito de um crime — mostra um Langdon mais consciente de seus erros e disposto a reconstruir sua confiança com os colegas. A conversa entre os dois adiciona uma camada emocional importante ao episódio e prepara o terreno para conflitos futuros, especialmente quando Mel descobre que também precisará testemunhar em outro processo.
O final do episódio 2×02 da série médica da HBO Max
No desfecho do episódio, o embate entre Robby e Baran atinge um novo patamar. A conversa entre eles na área das ambulâncias deixa claro que nenhum dos dois está disposto a ceder. Baran defende a implementação de seu sistema de registros assistidos por inteligência artificial como forma de otimizar o fluxo do pronto-socorro. Robby, por outro lado, demonstra resistência não apenas à tecnologia, mas à ideia de dividir o controle enquanto ainda está presente.
A discussão é interrompida por uma nova emergência: um universitário em surto, gritando um código de sequestro ao ser trazido de ambulância. A interrupção funciona como um lembrete brutal de que, no Pitt, conflitos pessoais nunca têm tempo para se resolver completamente — sempre há um novo caso exigindo atenção imediata.
Crítica do episódio 2 da 2ª temporada de The Pitt
O episódio 2 da 2ª temporada de The Pitt não oferece conciliação nem respostas fáceis. Pelo contrário, ele reforça que o maior risco para o pronto-socorro não está apenas nos casos extremos que chegam à porta, mas na incapacidade de seus líderes de encontrar um equilíbrio. Com o feriado se aproximando e o caos iminente, fica a pergunta central: se Robby e Baran não conseguirem chegar a um acordo, quem pagará o preço será apenas a equipe — ou os pacientes também?