O episódio 7 da 2ª temporada de The Pitt, já disponível na HBO Max, confirma por que a série se consolidou como um dos dramas hospitalares mais consistentes da atualidade. Intitulado “13h”, o capítulo se passa em pleno feriado de 4 de julho e transforma o pronto-socorro do PTMC no verdadeiro epicentro de Pittsburgh, reunindo caos clínico, conflitos pessoais e decisões institucionais que ampliam a tensão da temporada. Confira a nossa crítica e resumo do que rolou no episódio.
Recapitulação do episódio 7 da 2ª Temporada da série The Pitt
Desde os primeiros minutos, o episódio deixa claro que este não será um turno comum. Acidentes com barcos de recreio, vítimas de exaustão pelo calor e pacientes transferidos às pressas do Westbridge superlotam o pronto-socorro. Macas ocupam corredores, o barulho é constante e a sensação de colapso iminente acompanha cada atendimento. É nesse cenário que a relação entre Robby e Langdon volta ao centro da narrativa, ainda marcada por ressentimento e silêncio.
No heliponto, enquanto uma vítima de acidente náutico é descarregada, Langdon tenta finalmente verbalizar seu arrependimento. Ele pede desculpas a Robby por ter traído sua confiança e colocado pacientes em risco. A resposta de Robby, educada e distante, é talvez ainda mais dura do que uma rejeição direta. Ele reconhece o esforço do antigo pupilo, mas deixa claro que não sabe se quer Langdon trabalhando novamente sob sua liderança. A frieza do momento abala o residente, que passa o resto do episódio visivelmente deslocado, lutando para se reconectar com a rotina médica.
Robby e o perdão
Esse distanciamento ajuda a entender melhor o próprio Robby. Em outra cena, ele dedica tempo para tranquilizar Mel, reforçando que ela não errou e que seu depoimento por negligência médica não define sua carreira. Ao chamá-la de uma das melhores residentes que já treinou, Robby revela um padrão: ele protege os outros com facilidade, mas parece incapaz de perdoar a si mesmo — ou a Langdon — por falhas que considera imperdoáveis.
O episódio também marca o retorno marcante do Dr. Jack Abbot, interpretado por Shawn Hatosy. Médico do plantão noturno e paramédico da SWAT de Pittsburgh, Abbot chega direto de uma operação em que um policial foi baleado. Vestido com uniforme camuflado, ele se junta a Robby em um procedimento delicado envolvendo uma transecção traqueal. A sintonia profissional entre os dois é imediata e chama a atenção da Dra. Al-Hashimi, que observa o recém-chegado com curiosidade evidente.
Após o paciente ser estabilizado, Abbot e Al-Hashimi trocam histórias de campo e experiências internacionais, revelando afinidades que vão além do trabalho. A interação sugere que o personagem não retorna apenas como alívio pontual, mas como uma presença capaz de alterar dinâmicas emocionais e profissionais dentro do Pitt.

Trinity Santos ganha destaque em várias frentes. Apesar das dificuldades no atendimento a uma paciente surda, devido à falta de suporte adequado em LIBRAS, ela demonstra sensibilidade e criatividade ao acalmar o bebê abandonado com uma canção de ninar em tagalo. O episódio também reforça sua relação protetora com Whitaker, a quem trata com ironia, mas também com afeto genuíno. Em um dos momentos mais silenciosos e inquietantes do capítulo, Santos é mostrada sozinha em um banheiro, revelando cicatrizes nas pernas, levantando suspeitas sobre possíveis episódios de automutilação — um subtexto delicado que a série aborda sem explicações fáceis.
Um caso delicado
Outro arco central envolve a chegada de Ilana Miller, vítima de agressão sexual. A condução do exame forense é feita com cuidado narrativo, acompanhando o trabalho de Dana Evans, enfermeira-chefe especializada em atendimento a vítimas desse tipo de violência. Cada passo é explicado, cada decisão é colocada nas mãos da paciente. Quando Ilana não consegue continuar, o impacto emocional recai também sobre Dana e Emma, reforçando o peso invisível que esses profissionais carregam.
Como se o pronto-socorro já não estivesse no limite, uma nova crise institucional se impõe. Com pacientes do Westbridge se acumulando, o CEO do hospital, Trent Norris, surge para anunciar um ataque cibernético em hospitais da região. A decisão, tomada sem consultar Robby, é desligar preventivamente todos os sistemas digitais do Pitt. O hospital mergulha no “modo analógico”, obrigando médicos e enfermeiros a trabalharem sem prontuários eletrônicos, monitores integrados ou sistemas de apoio.
A mudança transforma o caos em algo ainda mais palpável. Papéis substituem telas, a comunicação se torna mais lenta e os erros passam a rondar cada procedimento. Robby assume a liderança, pedindo foco e adaptação imediata, enquanto a tensão entre ele e Al-Hashimi se intensifica nos olhares trocados.

Crítica do episódio 2×07 de The Pitt na HBO Max
O episódio ainda encontra espaço para histórias paralelas que aprofundam o universo da série: Roxie Hamler decide permanecer no hospital, cercada pelos filhos pequenos; os episódios de “congelamento” de Al-Hashimi retornam com sinais mais preocupantes; e os pais de Victoria Javadi surgem como forças opostas disputando o futuro profissional da filha.
Encerrando o capítulo, o retorno triunfal de Abbot culmina em uma sequência quase irônica: após entrar armado com a SWAT, ele aparece sem camisa tratando um ferimento acidental, em uma cena que mistura tensão clínica e leveza humana. “13h” sintetiza tudo o que The Pitt faz de melhor: múltiplos conflitos, decisões difíceis e personagens colocados à prova em tempo real, preparando o terreno para um segundo ato de temporada ainda mais instável.