A 2ª temporada de The Pitt estreia na HBO Max retomando exatamente o que tornou a série um dos dramas mais comentados do streaming: tensão constante, decisões médicas sob pressão e conflitos humanos que se acumulam ao longo de um turno exaustivo. O episódio 1, intitulado “7:00 A.M.”, marca o início de um plantão ambientado no caótico feriado de 4 de julho e deixa claro, desde os primeiros minutos, que os traumas do passado ainda não foram superados.
Quando The Pitt chegou à HBO Max, a comparação com Plantão Médico (ER) parecia inevitável, especialmente por conta de Noah Wyle no papel principal. No entanto, a série rapidamente construiu identidade própria ao apostar em uma narrativa em tempo real, acompanhando 15 horas consecutivas dentro de um hospital fictício de Pittsburgh. A proposta funcionou, sustentada não apenas por Wyle como o Dr. Michael “Robby” Robinavitch, mas também por um elenco de apoio que ganhou espaço ao longo da 1ª temporada. O reconhecimento veio na forma de prêmios, incluindo Emmys de série e atuação, o que elevou as expectativas para o retorno.
Recapitulação do episódio 1 da 2ª Temporada de The Pitt
“7:00 A.M.” começa de forma silenciosa, com o sol nascendo sobre a cidade e Robby seguindo de moto para o Centro Médico de Trauma de Pittsburgh. Apesar da sala de espera já cheia, ele encara o plantão como uma contagem regressiva: ao final desse turno, entrará em uma licença sabática de três meses. Um detalhe aparentemente simples — uma placa que relembra o tiroteio do Pittfest — indica que os acontecimentos da temporada anterior ainda ecoam no ambiente, mesmo quando ninguém fala diretamente sobre eles.
Os primeiros atendimentos ajudam a estabelecer o ritmo: uma paciente religiosa chamada Margaret e, em seguida, o Sr. Burgess, que chega reclamando de cãibras nas pernas. São casos comuns, mas que funcionam como aquecimento antes do aumento gradual da complexidade médica e emocional do episódio.
Um dos eixos centrais da estreia é o retorno do Dr. Frank Langdon (Patrick Ball). Ele aparece sentado na sala de espera do pronto-socorro, visivelmente nervoso, antes de atravessar as portas que o levam de volta ao trabalho. O peso do passado é evidente: foi ali que Robby o afastou no final da temporada anterior. Agora, Langdon retorna em uma posição mais discreta, designado à triagem, ciente de que precisa aceitar a situação sem reclamações se quiser seguir em frente.

Outra volta importante é a de Dana Evans (Katherine LaNasa), que havia se afastado após ser agredida por um paciente. Ela retorna mais cautelosa, consciente de que precisará observar Langdon de perto, ao mesmo tempo em que assume a responsabilidade de treinar a nova enfermeira Emma Nolan (Laëtitia Hollard). A dinâmica entre veteranos e recém-chegados volta a ser um dos motores dramáticos da série.
No setor de trauma, surgem atritos entre Robby e Al-Hashimi, que questiona a postura de comando do médico sênior. As divergências não chegam a explodir, mas revelam tensões que prometem se aprofundar ao longo da temporada. Em outra ala, Cassie Kay, Trinity Santos e Melissa King atendem uma jovem ferida, enquanto Mel demonstra dificuldade de concentração — um sinal de que algo fora do hospital está afetando seu desempenho.
O episódio também se apoia em subtramas que ajudam a expandir o universo da série. Samira Mohan lida com conflitos familiares ao telefone, pressionada pela mãe em um momento delicado da carreira. Javadi, por sua vez, enfrenta uma situação ainda mais desconfortável quando sua mãe, a Dra. Eileen Shamsi, surge no hospital cobrando explicações sobre seu desempenho profissional — tudo isso no dia de seu aniversário de 21 anos, um detalhe que ela tenta manter em segredo.
Entre casos médicos, conflitos pessoais e comentários aparentemente banais, a série constrói camadas. Al-Hashimi, por exemplo, sugere abandonar o apelido depreciativo dado ao pronto-socorro, conhecido como “O Poço”, levantando uma discussão sobre como a linguagem molda a percepção do trabalho. Robby, mais pragmático, descarta a ideia, reforçando sua postura focada na sobrevivência emocional dentro do caos.
O surgimento do bebê
O episódio ganha um novo peso dramático quando um bebê abandonado é encontrado no banheiro do hospital. A situação mobiliza diferentes setores e cria um ponto de convergência entre personagens que até então estavam em histórias paralelas. Ao mesmo tempo, Langdon trata Louie, um paciente recorrente, e aproveita o atendimento para confessar seu histórico de dependência química e o roubo de medicamentos no passado, adicionando uma camada de vulnerabilidade rara ao personagem.
Outras cenas reforçam o tom da série: um paciente com ordem de não ressuscitar, observado por estudantes de medicina; uma mulher idosa lidando com sinais de demência agravados pelo uso excessivo de cannabis; e uma criança que pode estar sofrendo abuso, levantando dilemas éticos difíceis para a equipe médica.

Crítica do episódio de estreia da 2ª temporada de The Pitt na HBO Max
O encerramento de “7:00 A.M.” aposta no suspense. Enquanto Al-Hashimi examina o bebê abandonado, algo chama sua atenção e a paralisa, deixando a cena em aberto. A série termina o episódio sem oferecer respostas imediatas, reforçando a proposta de acompanhar cada decisão em tempo real e carregar as consequências ao longo do turno.
A estreia da 2ª temporada de The Pitt deixa claro que a série não pretende suavizar seu discurso. Ao contrário, “7:00 A.M.” amplia os conflitos pessoais, aprofunda relações profissionais e reafirma o hospital como um espaço onde questões médicas e humanas se confundem o tempo todo. É um retorno que prepara o terreno para um dia longo, exaustivo e emocionalmente instável — exatamente como a série se propôs a retratar desde o início.