The Idol - crítica da série HBO Max The Idol - crítica da série HBO Max

The Idol (2023) | Crítica da Série | HBO Max

Lançada em 2023 pela HBO, The Idol voltou ao centro das atenções após o retorno de Euphoria ao debate com sua terceira temporada. A ligação entre as duas produções passa diretamente por Sam Levinson, responsável por ambas, o que reacendeu o interesse do público por uma série que, em seu lançamento original, enfrentou forte rejeição. Leia a nossa crítica.

A trama acompanha Jocelyn, interpretada por Lily-Rose Depp, uma estrela pop em crise criativa e emocional após a morte da mãe. Em meio à tentativa de reconstruir sua carreira, ela se envolve com Tedros, personagem vivido por The Weeknd, um empresário de boate que rapidamente assume controle sobre sua vida pessoal e profissional. A relação entre os dois evolui para uma dinâmica de dependência e manipulação, enquanto a equipe da artista tenta manter sua relevância no mercado musical.

Do ponto de vista temático, The Idol se posiciona como uma crítica à indústria do entretenimento e à forma como celebridades são consumidas. A série explora a pressão por produtividade, a objetificação e o esvaziamento da individualidade em figuras públicas. Ao retratar Jocelyn como alguém cercada por interesses financeiros e sexuais, a narrativa levanta questionamentos sobre autonomia e exploração. Nesse sentido, a produção dialoga com casos reais frequentemente associados à cultura pop, ainda que sem reproduzir eventos específicos.

A recepção negativa inicial esteve fortemente ligada à abordagem estética e ao conteúdo explícito. No entanto, uma revisão mais distanciada permite observar que parte dessa escolha está alinhada com a proposta narrativa. A exposição do corpo e da intimidade funciona como extensão da crítica central: a transformação de artistas em produtos. Ainda assim, o debate sobre limites entre representação e exploração permanece como um dos pontos mais controversos da obra.

No campo das atuações, há variações. Lily-Rose Depp sustenta a construção de uma protagonista fragilizada, mas estrategicamente consciente de seu papel dentro daquele sistema. Já The Weeknd, em um de seus primeiros trabalhos relevantes como ator, entrega um Tedros calculado, cuja presença é marcada por um comportamento performático constante. O personagem opera como uma figura manipuladora que se adapta ao ambiente para obter controle, o que se reflete inclusive em momentos mais íntimos da narrativa.

A série também investe em personagens secundários que reforçam o tom satírico da história. Figuras como o empresário Chaim e o executivo Andrew Finkelstein representam a lógica de mercado que rege a carreira de Jocelyn, muitas vezes com abordagens que transitam entre o cômico e o cínico. Essa camada contribui para a leitura de The Idol como uma obra que flerta com a autossátira, ampliando seu comentário sobre os bastidores da indústria.

Um dos aspectos mais relevantes da narrativa é o jogo de poder entre Jocelyn e Tedros. Embora a princípio a dinâmica sugira domínio masculino sobre a artista, os episódios finais introduzem ambiguidades. A possibilidade de que Jocelyn também esteja manipulando os acontecimentos reposiciona a protagonista dentro da história, indicando uma inversão de papéis que altera a leitura inicial do público.

The Idol

Crítica: vale à pena assistir The Idol na HBO Max ou é melhor passar longe?

Tecnicamente, a série apresenta uma identidade visual alinhada ao universo musical contemporâneo, com trilha sonora integrada à narrativa. Faixas como “The Lure” ajudam a estabelecer o tom e funcionam como extensão emocional das cenas. A direção aposta em sequências longas e desconfortáveis, reforçando a proposta de imersão em um ambiente instável.

Em retrospecto, The Idol não alcança a mesma recepção ou consistência de Euphoria, mas oferece elementos que justificam uma reavaliação. A série apresenta falhas estruturais e irregularidade no desenvolvimento, mas também constrói um retrato específico sobre poder, imagem e controle na indústria do entretenimento. A nova onda de interesse sugere que, longe do impacto inicial, a produção pode ser analisada sob outra perspectiva — menos reativa e mais atenta às intenções por trás de suas escolhas narrativas.