A reta final da primeira temporada de The Beauty: Lindos de Morrer, disponível no Disney+, se aproxima com os episódios 8 e 9 funcionando quase como um único capítulo estendido. A exibição conjunta faz sentido: os dois episódios compartilham ritmo, temas e consequências diretas, consolidando o que a série pretende discutir antes do desfecho. Ainda que a trama tenha perdido parte do impacto inicial, esses capítulos reposicionam peças importantes do tabuleiro e empurram a narrativa para um caminho mais radical. Confira a crítica e resumo do que rolou nos episódios.
Recapitulação dos episódios 8 e 9 de The Beauty
Criada por Ryan Murphy, a série abandona de vez o horror explosivo dos primeiros episódios para se concentrar no funcionamento interno da corporação de Byron e nos efeitos colaterais éticos de “A Beleza”. O resultado é irregular, mas decisivo.
O destino dos infectados da Condé Nast
Os episódios 8 e 9 ampliam a crítica social ao mostrar o destino das pessoas contaminadas dentro do escritório da Condé Nast. A sequência contrasta diretamente com a campanha publicitária de “A Beleza”, marcada por cores vibrantes, sensualidade exagerada e discursos sobre superação estética. Enquanto o anúncio vende transformação e sucesso, os infectados são confinados em um espaço escuro, sujo e improvisado, tratados como descartáveis.

Mesmo transformados fisicamente, esses personagens são reduzidos a corpos à espera da morte. Há um breve momento de humanidade quando dois homens conversam, dividem comida e se reconhecem como “belos”, apesar da situação degradante. Essa tentativa de afeto, no entanto, é brutalmente interrompida quando agentes de Meyer executam todos a sangue-frio. A cena reforça a lógica central da série: a beleza só tem valor enquanto gera lucro ou poder.
Jordan, Cooper, Antonio e Jeremy: alianças em colapso
Enquanto isso, Cooper e Jordan tentam sobreviver usando comunicação em código Morse dentro do caminhão onde estão presos com Antonio e Jeremy. A estratégia não é apenas tática, mas psicológica. Eles plantam a dúvida sobre a lealdade de Antonio, sugerindo que ele permitirá a morte de Jeremy quando for conveniente.
A tensão se resolve de forma irônica quando todos acabam sequestrados novamente, desta vez para serem entregues a Meyer. Qualquer resquício da relação de pai e filho entre Antonio e Jeremy se dissolve ali. O momento deixa claro que Byron nunca enxergou Antonio como algo além de uma ferramenta.
O encontro entre Cooper e Meyer aprofunda o conflito moral da série. Cooper se mostra chocado ao perceber que Meyer, antes crítico ferrenho do soro, agora se vendeu completamente à corporação. Meyer, por sua vez, não tenta se justificar. Ele apenas exige obediência, escancarando o abismo entre quem age por princípios e quem age pelo medo de perder um filho.
O abandono definitivo dos filhos de Byron
Em paralelo, os episódios avançam na desconstrução total de Byron como figura paterna. Ele sequer demonstra interesse pelo aniversário dos filhos e mal consegue diferenciá-los. A rejeição se torna explícita quando os meninos tentam apresentar uma ideia de negócio, revelando que, apesar de desprezá-los, Byron criou filhos à sua imagem.
O choque maior ocorre quando os garotos são internados após uma overdose de fentanil e reaparecem completamente transformados. Byron aplicou o soro sem o consentimento da esposa, convencido de que ela se juntaria a ele após ver o “resultado”. A reação é oposta. Franny percebe que o marido ultrapassou qualquer limite possível.
O impacto é ainda maior quando um dos filhos retorna racialmente diferente, evidenciando que “A Beleza” não apenas embeleza, mas reconfigura identidades de forma imprevisível. Franny não rejeita os filhos, mas decide romper definitivamente com Byron. O amor materno permanece; o casamento, não.
Diana Starling entra em cena em The Beauty
É nesse ponto que Diana Starling surge como a nova força em jogo. Chefe da divisão de robótica da empresa, ela se sente constantemente diminuída em comparação a Ray e vê seus projetos sendo sufocados por cortes orçamentários. Byron ignora completamente os sacrifícios que ela fez em nome da companhia.
A resposta de Diana é simples: assumir o controle. Ela organiza o sequestro de Cooper, Jordan, Antonio e Jeremy, revelando que Franny colaborou com a fuga como parte de seu plano de vingança. Diana acredita que o futuro não está na biotecnologia, mas na fusão entre consciência e máquinas, uma proposta que ecoa conceitos de Black Mirror.
Ela oferece um acordo: salvar os quatro da morte anunciada causada por “A Beleza” em troca da execução de Byron. O plano exige alguém capaz de se transformar de forma irreconhecível, e Cooper é o único candidato viável.

A transformação de Cooper
Cooper aceita o plano, mas decide se infectar propositalmente por meio da variante do vírus. Antes disso, ele e Jordan compartilham um momento íntimo que funciona como despedida emocional. Jordan garante que continuará ao lado dele, independentemente de quem ele se torne.
A sequência da transformação é uma das mais desconfortáveis da série. Diferente das anteriores, o processo é lento, doloroso e parece letal desde o início. Cooper é trancado no banheiro para passar pela metamorfose sozinho, enquanto os demais aguardam do lado de fora.
No final do episódio 9, o grupo escuta ruídos e corre para o quarto. Do casulo não emerge um homem adulto, mas uma criança: um Cooper rejuvenescido. A série sugere que, por já se enquadrar nos padrões estéticos da droga, o soro optou por retroceder sua idade, tornando-o mais jovem e fisicamente “ideal”.
Crítica dos episódios 8 e 9 de The Beauty
Dois episódios de preparação para o fim
Os episódios 8 e 9 de The Beauty: Lindos de Morrer funcionam como capítulos de transição, reorganizando alianças, expondo vilões e preparando o terreno para o encerramento. Embora a série tenha perdido parte da ousadia visual que a destacou no início, esses episódios reafirmam sua crítica ao culto da aparência e ao poder corporativo.
Com Cooper transformado, Byron cercado por inimigos e Diana assumindo o papel de catalisadora do caos, a temporada se aproxima do fim deixando uma pergunta central no ar: em um mundo onde beleza virou moeda, quem ainda consegue permanecer humano?