The Beauty: Lindos de Morrer Crítica da Série Disney+ The Beauty: Lindos de Morrer Crítica da Série Disney+

The Beauty: Lindos de Morrer | Crítica da Série | Disney+

A nova aposta de Ryan Murphy no terror e na ficção científica, The Beauty: Lindos de Morrer, já está disponível no Disney+ e surge como uma das produções mais contidas e focadas do criador nos últimos anos. Baseada na graphic novel de Jeremy Haun e Jason A. Hurley, a série parte de uma ideia simples e perturbadora: um soro capaz de tornar qualquer pessoa mais atraente, mas que carrega um vírus letal transmitido pela troca de fluidos corporais. Leia a nossa crítica da série.

A trama da série de Ryan Murphy

Desde os primeiros minutos, The Beauty deixa claro o tom que pretende seguir. A trama se inicia com uma sequência chocante durante um desfile de moda, quando uma modelo entra em um surto violento, ataca pessoas na plateia e demonstra resistência física fora do comum. O episódio estabelece rapidamente o elemento de horror corporal e prepara o terreno para uma investigação que mistura violência, obsessão estética e paranoia sanitária.

Os agentes do FBI Cooper Madsen (Evan Peters) e Jordan Bennett (Rebecca Hall) são chamados para investigar o caso, que os leva de Paris a outras cidades europeias e, posteriormente, aos Estados Unidos. Além do mistério central, a série explora a relação sexual casual entre os dois protagonistas, que funciona menos como provocação gratuita e mais como parte do desenvolvimento de personagens — algo que ganha peso conforme o vírus se mostra intimamente ligado ao contato físico.

Em paralelo, a narrativa apresenta Jeremy (Jaquel Spivey), um homem solitário e frustrado que encontra em fóruns online a promessa de uma transformação radical. Ao procurar um médico clandestino, ele se submete a procedimentos que culminam em uma metamorfose extrema, assumindo uma nova aparência (vivida por Jeremy Pope). Essa linha narrativa reforça o discurso da série sobre padrões de beleza, exclusão social e o preço da aceitação.

Conforme Cooper e Jordan avançam na investigação, descobre-se que todas as vítimas passaram por algum tipo de “melhoria estética” e carregavam o mesmo vírus desconhecido. A trama sugere que a origem da infecção está ligada a uma figura poderosa conhecida como “A Corporação” (Ashton Kutcher), um empresário enigmático que opera nas sombras e conta com um executor implacável, interpretado por Anthony Ramos. A mitologia da série ainda é apresentada de forma gradual, mantendo parte das respostas em aberto nos primeiros episódios.

Um dos maiores acertos de The Beauty está no formato. Com episódios que variam entre 24 e 50 minutos, a série evita alongamentos desnecessários e mantém o foco na história. Diferentemente de outras produções recentes de Murphy, aqui há menos excesso estilístico e mais interesse em construir tensão a partir da premissa de ficção científica. O resultado é uma narrativa mais direta, que não perde tempo com subtramas descartáveis.

No elenco, Rebecca Hall se destaca como Jordan Bennett, uma personagem que demonstra controle sobre seus desejos e decisões, mas que revela novas camadas ao longo da temporada. Evan Peters entrega uma atuação mais contida, enquanto Ashton Kutcher surge em um papel que foge de seus registros mais conhecidos, ainda cercado de mistério.

The Beauty: Lindos de Morrer Crítica da Série Disney+

Crítica: vale à pena assistir The Beauty: Lindos de Morrer no Disney+?

No conjunto, The Beauty: Lindos de Morrer se apresenta como uma série brutal, concisa e consciente de seus próprios limites. Ao abordar a obsessão pela aparência sob a ótica do horror e da ficção científica, Ryan Murphy entrega uma produção que sabe exatamente qual história quer contar — e não esconde do espectador o quão desconfortável ela pretende ser. Para quem busca uma série provocadora e direta, a recomendação é clara: vale a pena assistir.