Depois de alguns capítulos mais contemplativos, o episódio 7 de The Beauty: Lindos de Morrer, já disponível no Disney+, representa um avanço importante na narrativa da primeira temporada. O capítulo recupera o ritmo da série, responde perguntas deixadas em aberto e aprofunda temas centrais como culpa, sacrifício e os limites morais impostos pelo amor parental. Ao mesmo tempo, o episódio investe em humanizar personagens que até aqui eram tratados apenas como peças funcionais da trama. Criada por Ryan Murphy, a série começa, enfim, a equilibrar investigação, drama pessoal e horror biológico de forma mais coesa. Confira a crítica e resumo do que rolou:
Recapitulação do episódio 7 da série The Beauty
Cooper e Jordan sob ameaça constante
O episódio retoma os acontecimentos logo após o assassinato de Nate e a invasão do apartamento de Cooper. Cientes de que estão sendo caçados, Cooper e Jordan se refugiam em uma espécie de casa segura, cuja existência surpreende até mesmo Jordan. A série não se preocupa em explicar detalhes logísticos desse esconderijo, optando por deixar claro apenas que Cooper compreende a gravidade da situação e tenta manter algum controle sobre o caos que os cerca.
Ainda assim, chama atenção a relativa calma dos dois diante de ameaças tão concretas. Cooper já sofreu tentativas de assassinato na Europa, sabe que enfrenta inimigos com recursos praticamente ilimitados e, mesmo assim, mantém uma postura excessivamente serena. Essa escolha narrativa enfraquece parte da tensão que deveria dominar a relação entre os protagonistas.
É nesse contexto que Jordan declara seu amor por Cooper. O momento, que deveria carregar grande peso emocional, acaba soando menos impactante do que o esperado. A série nunca investiu de forma consistente na construção da química entre os dois, o que faz com que a cena pareça mais funcional à trama do que orgânica ao desenvolvimento dos personagens.
O encontro com o Assassino
A trama ganha força quando Cooper finalmente cruza o caminho do Assassino. Ao mesmo tempo, Jordan cai nas mãos de Jeremy, protegido do matador. O cerco se fecha de maneira quase inevitável, levando Cooper a repetir a clássica declaração de amor em meio ao perigo iminente.
O detalhe mais intrigante da sequência, no entanto, está na reação de Cooper. Seu sorriso dentro da van levanta dúvidas: ele estaria resignado ou, mais provavelmente, executando algum plano silencioso? Considerando tudo o que já enfrentou, a hipótese de que Cooper tenha se deixado capturar propositalmente não parece absurda. A ambiguidade funciona como gancho eficaz para o próximo episódio.
A origem do Assassino e a falha da Beleza
Um dos maiores acertos do episódio 7 é a exploração do passado do Assassino, vivido por Anthony Ramos. Antes de se tornar essa figura fria e violenta, ele era Anthony, um homem comum, pai de família, cuja vida foi marcada por tragédias e escolhas irreversíveis.

A série revela a origem de seu olho danificado, consequência de um ataque com ácido ocorrido antes da aplicação do soro. Assim como Byron manteve deformidades após a transformação, Anthony carrega uma marca permanente, reforçando a ideia de que “A Beleza” jamais é completa. O soro pode alterar a aparência, mas não apaga traumas, culpas ou erros do passado.
A relação com o filho é o eixo emocional dessa revelação. Anthony vive o conflito de saber que sua presença poderia ser mais prejudicial do que benéfica. Esse dilema explica tanto sua escolha pelo afastamento quanto o vínculo que desenvolve com Jeremy, interpretado por Jeremy Pope. As cenas entre os dois, econômicas em diálogos, são sustentadas por expressões e silêncios que comunicam arrependimento, frustração e desejo de redenção.
O medo como motor das decisões
Paralelamente, o episódio introduz o drama da família Williams, liderada por Meyer, personagem de John Carroll Lynch. Inicialmente, a série pouco contextualiza sua vida pessoal, mas logo revela o centro de seu conflito: uma filha acometida por uma doença genética incurável.
Meyer representa o pai que tenta manter tudo sob controle, evitando expor sua dor aos outros. Sua esposa, por outro lado, se agarra à esperança de uma cura, mesmo que isso signifique recorrer a soluções moralmente questionáveis. O episódio constrói com cuidado esse embate silencioso entre dois tipos de amor: aquele que busca aliviar o sofrimento e aquele que se recusa a desistir.
Quando Byron surge oferecendo uma alternativa por meio de uma versão “mais pura” do soro, o desespero fala mais alto. A proposta não é apenas salvar a filha, mas submeter toda a família ao tratamento, criando uma falsa sensação de segurança e união.
Byron e a ilusão de divindade
Mesmo ao oferecer o soro à família inteira, Byron não se torna menos ameaçador. Pelo contrário, o episódio deixa claro que seu gesto é movido por vaidade e ambição. Ele enxerga os Williams como uma vitrine perfeita para provar que “A Beleza” pode curar qualquer distúrbio, abrindo caminho para um controle ainda maior sobre o mundo.
Byron não precisa verbalizar sua megalomania; ela está implícita em suas ações. Ele se comporta como alguém que já se vê acima da moral comum, convencido de que está destinado a redefinir os limites da vida e da morte.

Crítica do episódio 7 da série The Beauty: Lindos de Morrer
Um episódio de transição decisivo
O episódio 7 da primeira temporada de The Beauty: Lindos de Morrer funciona como uma ponte narrativa sólida. Ao mesmo tempo em que aprofunda personagens antes tratados como vilões unidimensionais, ele reforça o tema central da série: até onde alguém é capaz de ir quando confrontado com o medo de perder quem ama.
Com o passado agora exposto e as peças devidamente posicionadas, a série parece pronta para concentrar seus esforços no presente. A expectativa cresce em torno do destino de Jordan e Jeremy, ambos cada vez mais próximos de um desfecho potencialmente explosivo. Se mantiver esse equilíbrio entre emoção, mistério e crítica social, The Beauty finalmente encontra o fôlego que vinha buscando desde o início da temporada.