A série Sweetpea chega ao catálogo do Starz e ganha novo fôlego no Prime Video como um thriller psicológico centrado em uma protagonista que se recusa a continuar invisível. Estrelada por Ella Purnell, a produção adapta o romance de CJ Skuse e aposta em um tom ambíguo para conduzir o espectador por uma história de vingança, trauma e autojustificativa.
A trama acompanha Rhiannon Lewis, uma jovem marcada por anos de bullying, subestimação profissional e perdas pessoais. Funcionária de baixo escalão em um jornal local, ela vive à margem das decisões e dos afetos, tanto no trabalho quanto na vida pessoal. A morte do pai e a constante sensação de desvalorização funcionam como gatilhos para uma mudança radical de comportamento, apresentada pela série como uma sucessão de pequenas rupturas, e não como uma virada súbita.
O primeiro episódio deixa claro que Sweetpea não tem pressa. A narrativa investe na construção emocional da personagem, utilizando monólogos internos, escolhas visuais e trilha sonora para traduzir o estado mental de Rhiannon. Mesmo com duração enxuta, o capítulo inicial estabelece motivações compreensíveis, ainda que desconfortáveis, criando uma conexão imediata entre público e protagonista. Essa aproximação, no entanto, nunca é isenta de questionamentos morais.
Um dos méritos do roteiro de Kirstie Swain está em manter a história em uma zona cinzenta constante. A série provoca o espectador a avaliar até que ponto Rhiannon é produto de abusos passados ou agente consciente de suas escolhas atuais. A presença de figuras do passado, como a ex-colega responsável por boa parte de seus traumas, reforça esse conflito sem oferecer respostas simples.
No elenco de apoio, nomes como Jeremy Swift ajudam a compor um ambiente profissional marcado pela condescendência e pelo descaso, enquanto novos personagens surgem para testar a narrativa de invisibilidade sustentada por Rhiannon. A série frequentemente sugere que parte do isolamento da protagonista também é alimentada por sua própria recusa em aceitar conexões genuínas.

Crítica: vale à pena assistir a série Sweetpea no Prime Video?
Ella Purnell sustenta a série com uma atuação contida e calculada. Após trabalhos recentes em Fallout e Yellowjackets, a atriz reafirma sua facilidade em transitar por personagens emocionalmente instáveis, explorando contrastes entre fragilidade aparente e impulsos violentos. A direção e o figurino colaboram para diluir sua presença em cena, reforçando visualmente a ideia de apagamento social.
Embora parte dos acontecimentos seja previsível, Sweetpea compensa ao investir menos no suspense tradicional e mais na observação do comportamento humano. O desfecho em aberto da temporada evita conclusões fáceis e indica novas possibilidades narrativas, mantendo viva a tensão entre empatia e repulsa. É uma série que não pede absolvição para sua protagonista, mas exige atenção constante às contradições que ela representa.