O episódio 8 da 5ª e última temporada de Stranger Things, intitulado “O mundo direito”, marca o encerramento de uma das séries mais bem-sucedidas da história da Netflix. Após quase uma década acompanhando os jovens de Hawkins, o capítulo final busca entregar respostas, confrontos decisivos e despedidas, ainda que nem todas as escolhas narrativas encontrem o mesmo equilíbrio entre emoção, coerência e impacto dramático. Confira a crítica e resumo do que rolou no final.
Dando sequência direta aos eventos do episódio anterior, o final coloca seus personagens diante de uma ameaça definitiva: impedir Vecna de fundir Hawkins ao Abismo e, ao mesmo tempo, lidar com forças humanas que seguem tentando controlar Eleven e seus poderes.
A ofensiva final e a entrada no Abismo
O episódio começa com a confirmação de que Vecna mantém Holly e outras crianças prisioneiras no coração do Abismo, usando suas mentes como parte do processo de fusão dimensional. A estratégia dos protagonistas envolve três frentes simultâneas: o grupo que se infiltra no Mundo Invertido, Eleven e Kali conectadas ao Covil Mental de Vecna, e a operação de rádio necessária para alinhar os planos entre as dimensões.
Enquanto isso, Kay e os militares descobrem que os portões para o Mundo Invertido foram abertos remotamente, rastreando o sinal até a torre da igreja. A prisão de Erica e Clarke, além da captura temporária de outros aliados, reforça o clima de perseguição e urgência que atravessa todo o episódio.
No Laboratório de Hawkins, Eleven retorna à câmara de privação sensorial, orientada por Hopper, que estabelece sinais claros para indicar o avanço do Abismo. A conexão mental permite que Eleven, Kali e Max entrem novamente no espaço psíquico de Vecna, onde o confronto decisivo começa a se desenhar.

A interrupção da fusão e o resgate das crianças
Ao localizar Vecna no Covil Mental, Eleven consegue interromper temporariamente a fusão entre os mundos ao arremessá-lo para fora da casa dos Creel. Esse momento abre espaço para o resgate das crianças mantidas sob controle mental. Max assume papel central ao tranquilizá-las e conduzi-las para fora da influência direta do vilão.
Paralelamente, o avanço físico do Abismo sobre o Mundo Invertido provoca instabilidade na torre de rádio, colocando os personagens em risco direto. Ainda assim, a série opta por preservar todos os integrantes do grupo principal, reforçando uma decisão narrativa que privilegia encerramentos individuais em vez de perdas mais radicais.
Vecna, o Devorador de Mentes e a revelação final
O episódio deixa claro que Vecna não age sozinho. A relação entre Henry Creel e o Devorador de Mentes é aprofundada por meio de memórias fragmentadas, revelando que seus poderes nasceram do contato com uma entidade do Abismo. Ainda assim, a série evita um aprofundamento mais detalhado sobre as motivações do vilão, optando por associar sua visão de mundo a uma rejeição ampla da humanidade.
A grande virada ocorre quando o Devorador de Mentes revela sua forma física completa, assumindo proporções colossais. O castelo de Vecna, até então tratado como uma construção simbólica, é exposto como parte do próprio corpo da criatura. Apesar da escala visual, o confronto final prioriza a ação coordenada dos protagonistas, com Eleven enfrentando Vecna diretamente enquanto os demais auxiliam do lado de fora.

A morte de Kali e o sacrifício final
Em meio ao caos, Kali é mortalmente ferida ao proteger Eleven de um ataque dos militares. Sua morte funciona como o último grande custo emocional da batalha e reforça a decisão de Eleven de seguir sozinha até o fim. Sem a câmara de privação sensorial funcional, ela parte fisicamente para o Abismo, juntando-se aos demais para o confronto definitivo.
Vecna e o Devorador de Mentes são finalmente derrotados, as crianças são libertadas e Murray ativa a bomba-relógio que destruirá o Mundo Invertido e o Abismo de uma vez por todas. No momento da explosão, Eleven permanece na fenda, comunicando-se mentalmente com Mike para uma despedida que sugere sacrifício.
Eleven morreu? O epílogo da série
O episódio salta 18 meses no tempo para apresentar o epílogo. Hawkins tenta seguir em frente, e os personagens encontram novos caminhos: Hopper reassume o cargo de chefe de polícia e se casa com Joyce; Nancy se torna jornalista; Jonathan segue o cinema; Steve encontra estabilidade profissional; Robin continua na rádio; e os mais jovens mantêm viva a tradição do Dungeons & Dragons.
Durante uma nova sessão do jogo, surge a dúvida central: Eleven está realmente morta? Mike sugere que não. Segundo sua teoria, Kali teria sobrevivido por tempo suficiente para criar uma projeção da morte de Eleven, permitindo que ela escapasse em segredo e se livrasse definitivamente da perseguição militar. A série encerra sem confirmar essa hipótese, optando por uma ambiguidade que preserva a ideia de esperança.

Crítica do episódio 8 (final) de Stranger Things 5
Um final de despedidas, não de respostas
“O mundo direito” encerra Stranger Things priorizando o fechamento emocional de seus personagens, ainda que algumas decisões narrativas levantem questionamentos sobre lógica interna e desenvolvimento dos antagonistas. Ao escolher a ambiguidade como última palavra, a série reafirma seu compromisso com o sentimento de amizade, perda e amadurecimento que definiu sua trajetória desde o início.
Mesmo com excessos e conveniências de roteiro, o episódio final consolida Stranger Things como um marco cultural da Netflix — uma história que, acima de tudo, sempre foi sobre crescer, perder e seguir em frente.