Sozinha (Alone, 2020), dirigido por John Hyams e estrelado por Jules Willcox, chegou ao catálogo do Prime Video como uma das produções mais impactantes dentro do suspense recente. O longa, um remake do filme sueco Gone (2011), transforma uma premissa direta em uma experiência marcada pela tensão crescente e pelo confronto entre sobrevivência e violência. Ao recontar uma história sobre uma mulher perseguida por um estranho durante uma viagem solitária, Hyams entrega um thriller que se apoia na eficiência narrativa, no ritmo firme e no uso cuidadoso dos cenários naturais como parte do conflito.
O que acontece em Alone (2020)
A trama acompanha Jessica, vivida por Jules Willcox, apresentada enquanto abandona Portland levando apenas um pequeno trailer com seus pertences. O filme sugere uma perda pessoal que motivou sua partida, sem se aprofundar no trauma. Essa escolha amplia o foco na jornada imediata da personagem, que se vê, sem perceber, observada por um motorista que a irrita no trânsito logo nos primeiros minutos. A situação, inicialmente interpretada como um atrito entre desconhecidos na estrada, evolui rapidamente quando o mesmo homem reaparece em situações inesperadas, pedindo desculpas e tentando se aproximar de maneira artificial.
A direção de Hyams trabalha para ampliar a sensação de que algo está errado. Marc Menchaca, no papel do perseguidor, constrói um personagem silencioso e calculista, cuja cordialidade forçada se torna cada vez mais ameaçadora. Quando Jessica sofre um acidente — revelado posteriormente como parte do plano do agressor — o filme se desloca para um território de captura e fuga que intensifica ainda mais o perigo.
Apesar de sugerir um possível caminho de tortura gráfica, Sozinha surpreende ao abandonar essa rota com rapidez. A partir do momento em que Jessica escapa, o filme se dedica a acompanhar sua tentativa de sobreviver em meio à floresta, ferida, descalça e sem qualquer garantia de segurança. A natureza do Pacífico Noroeste, registrada pelas lentes de Federico Verardi, funciona quase como um segundo antagonista: rios, trilhas íngremes e chuvas constantes compõem o cenário de uma perseguição física exaustiva.
Durante essa fuga, a protagonista chega a encontrar um caçador que lhe oferece ajuda, mas o roteiro mantém sua proposta central: no fim, a luta é travada apenas entre ela e o agressor. Willcox conduz a narrativa com expressões de dor, medo e determinação, criando uma personagem que cativa não pelo discurso, mas pela reação ao perigo. Menchaca, por sua vez, interpreta um vilão perturbador justamente por parecer comum — alguém capaz de alternar entre frieza e normalidade de modo desconcertante.

Crítica: vale à pena assistir Sozinha no Prime Video?
Sozinha se destaca entre os thrillers de sobrevivência por equilibrar simplicidade e eficiência. A produção aposta no realismo dos cenários, no desenho de som que reforça a sensação de isolamento e na construção de momentos de tensão prolongada, evitando exageros desnecessários. O resultado é um filme direto e angustiante, que utiliza cada minuto para reforçar o perigo constante ao redor da protagonista e a escalada de violência que se intensifica até o confronto final.