O retorno brutal de Aatami Korpi em uma jornada de sobrevivência e vingança
Sisu 2 (ou Sisu: Road to Revenge) marca o retorno do diretor Jalmari Helander ao universo criado em 2022, expandindo a mitologia do guerreiro silencioso Aatami Korpi e incorporando novos elementos de humor físico, ação contínua e estética inspirada no cinema mudo. A sequência chega maior em escala e mais segura de seu próprio estilo, mantendo a essência do original enquanto amplia o escopo narrativo e visual. Confira a crítica do filme:
A trama de Sisu 2
A história se passa logo após o fim da Segunda Guerra Mundial. Korpi, interpretado novamente por Jorma Tommila, retorna ao lar apenas para constatar que nada resta da vida anterior ao conflito. Determinado a recomeçar, ele desmonta sua própria casa e a transporta em um veículo carregado de enormes tábuas de madeira, iniciando uma jornada solitária por territórios devastados. Esse deslocamento se torna o motor da narrativa e também o elemento visual mais marcante do filme.
Enquanto avança pela região, a lenda de Korpi continua crescendo. A notícia de que ele ainda está vivo desperta o interesse de um general russo, vivido por Richard Brake, que decide liberar a única pessoa considerada capaz de enfrentá-lo: Igor Draganov, interpretado por Stephen Lang. Ex-oficial do Exército Vermelho e responsável pela morte da família de Korpi, Draganov recebe a missão de caçar o protagonista, transformando o filme em um longo percurso de perseguição dividido em capítulos temáticos.
Cada capítulo funciona como uma grande sequência de ação construída para superar a anterior. Helander utiliza cartelas de título para marcar essas seções, criando um ritmo que remete tanto ao cinema mudo quanto aos desenhos clássicos de comédia física. Momentos como “Motor Mayhem” e “Incoming” exemplificam o espírito do longa, com motocicletas, aviões e veículos militares envolvidos em sequências coreografadas com precisão e criatividade. A parceria com o diretor de fotografia Mika Orasmaa garante fluidez visual e uma energia contínua que mantém a ação em alta sem perder o foco narrativo.
A direção trabalha com uma lógica interna que abraça exageros, impossibilidades físicas e truques visuais, mas sempre com rigor na execução. O filme adota uma escalada crescente de obstáculos — de soldados comuns a máquinas de guerra cada vez mais pesadas — e transforma essas ameaças em partes da mitologia pessoal do protagonista. Há cenas que remetem diretamente à tradição do slapstick, como o momento em que Korpi atravessa uma sala repleta de soldados adormecidos, evocando obras de Buster Keaton.

O elenco de apoio também contribui para elevar o impacto dramático. Brake interpreta seu general com intensidade, mas é Stephen Lang quem entrega uma das presenças mais marcantes, especialmente em um monólogo que rememora o passado cruel de Draganov e estabelece o tom para o confronto final. A narrativa não esconde que o desfecho seguirá o caminho esperado, mas o interesse do filme está no percurso, não na surpresa.
Crítica de Sisu 2: vale à pena assistir a sequência?
Sisu 2 entende sua própria natureza: um filme que explora vigor físico, resistência e a transformação de Korpi em um ícone folclórico da sobrevivência. O resultado é uma sequência que amplia o universo iniciado no primeiro longa e reforça a força visual e narrativa de Helander. Se haverá um terceiro capítulo, resta saber — mas superar a intensidade deste será um desafio considerável.