Disponível no Prime Video, Siga Minha Voz (Follow My Voice, 2025), dirigido por Inés Pintor e Pablo Santidrián, se apresenta como mais um romance adolescente baseado em um livro de sucesso. No entanto, o filme encontra espaço para ir além das fórmulas habituais do gênero ao tratar de temas delicados com cuidado e sobriedade, oferecendo uma narrativa centrada no crescimento emocional e na escuta do outro. Confira a crítica do filme:
O que acontece em Follow My Voice
A trama acompanha Klara, uma adolescente que deixou de frequentar a escola após sofrer episódios de bullying que agravaram sua ansiedade e resultaram em agorafobia. Isolada em casa há semanas, ela encontra algum conforto em um programa online apresentado por Kang, um jovem que comanda uma transmissão chamada Follow My Voice. A conexão entre os dois começa de forma indireta, quando Klara envia uma obra artística para as redes sociais do apresentador, dando início a uma troca que evolui para algo mais profundo.
Embora o ponto de partida seja um romance juvenil, Siga Minha Voz amplia seu escopo ao abordar questões como saúde mental, depressão, traumas ligados ao bullying e os desafios enfrentados por jovens que convivem com doenças graves. O roteiro também valoriza a importância da terapia, da arte e da criatividade como ferramentas de expressão emocional, o que confere ao filme um viés mais consciente dentro de um gênero frequentemente associado à superficialidade.
Narrativamente, o longa não foge completamente de estruturas já conhecidas. Ainda assim, consegue manter o interesse graças a um ritmo equilibrado e a uma condução cuidadosa dos conflitos. Visualmente, a obra alterna entre uma estética mais crua e momentos de maior leveza, utilizando cores, trilha sonora e elementos gráficos que remetem a produções recentes voltadas ao público jovem, sem perder completamente sua identidade.
Um dos pontos de destaque está na forma como os personagens são retratados. Klara e Kang são apresentados como adolescentes verossímeis, tanto em comportamento quanto em aparência. Figurino discreto e maquiagem natural ajudam a reforçar essa sensação de autenticidade, afastando o filme de representações adultizadas comuns em romances juvenis contemporâneos. O resultado é uma abordagem mais próxima da realidade vivida por parte do público-alvo.
O longa também inclui uma cena de forte impacto emocional que aborda marcas físicas deixadas por um tratamento médico, tratada com sobriedade e respeito. Embora possa causar estranhamento em espectadores mais jovens, a sequência se encaixa no contexto da narrativa e reforça o compromisso do filme em lidar com temas sensíveis de forma direta, sem exploração.

Crítica: vale à pena assistir Siga Minha Voz no Prime Video?
Após o sucesso de outras adaptações literárias voltadas ao público jovem em língua espanhola, Siga Minha Voz se diferencia ao adotar um tom mais contido e reflexivo. Em vez de apostar apenas no apelo romântico, o filme constrói uma história com começo, meio e fim bem definidos, acessível mesmo para quem não conhece a obra original.
Siga Minha Voz se mostra uma produção consistente dentro do romance adolescente, com personagens bem delineados e uma abordagem mais madura de seus temas. É uma opção recomendada para quem busca histórias de amadurecimento emocional e relações construídas a partir da empatia e do diálogo.